domingo, 17 de agosto de 2014

O Povo Brasileiro. Um povo novo? Que tipo de povo somos nós ?

"Nós, brasileiros, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos viveu por séculos sem consciência de si... Assim foi até se definir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros..." Darcy Ribeiro, em O Povo Brasileiro

Brasileiros... Um povo novo? Que tipo de povo somos nós ? A verdade é que muito já se escreveu sobre isso. E, no entanto, continuamos a fazer as mesmas perguntas... O Povo Brasileiro: vamos ver o que este livro conta.

Meu livro mostra por que caminhos e como nós viemos, criando aquilo que eu chamo de Nova Roma. Roma com boa justificação... Roma por quê? A grande presença no futuro da romanidade, dos neolatinos é a nossa presença. Isso é o Brasil, uma Roma melhor porque mestiça, lavada em sangue negro, em sangue índio, sofrida e tropical. Com as vantagens imensas de um mundo enorme que não tem inverno e onde tudo é verde e lindo, e a vida é muito mais bela... E é uma gente que acompanha esse ambiente com uma alegria de viver que não se vê em outra parte. Esse país tropical, mestiço, orgulhoso de sua mestiçagem... Isso é que me levou muito tempo. Entender como isso se fez... Havia muita bibliografia sobre aspectos particulares, mas não uma visão de conjunto. Deixa eu contar pra vocês como é que isso se fez?

"Os iberos se lançaram à aventura no além-mar... desembarcavam sempre desabusados, atentos aos mundos novos, querendo fruí-los, recriá-los, convertê-los e mesclar-se racialmente com eles... "
O Povo Brasileiro

No Brasil a mestiçagem sempre se fez com muita alegria, e se fez desde o primeiro dia... Eu prometi contar como. Imagine a seguinte situação: uns mil índios colocados na praia e chamando outros: "venham ver, venham ver, tem um trem nunca visto"... E achavam que viam barcas de Deus, aqueles navios enormes com as velas enfurnadas... "O que é aquilo que vem?" Eles olhavam, encantados com aqueles barcos de Deus, do Deus Maíra chegando pelo mar grosso. Quando chegaram mais perto, se horrorizaram. Deus mandou pra cá seus demônios, só pode ser. Que gente! Que coisa feia! Porque nunca tinham visto gente barbada – os portugueses todos barbados, todos feridentos de escorbuto, fétidos, meses sem banho no mar... Mas os portugueses e outros europeus feiosos assim traziam uma coisa encantadora: traziam faquinhas, facões, machados, espelhos, miçangas, mas sobretudo ferramentas. Para o índio passou a ser indispensável ter uma ferramenta. Se uma tribo tinha uma ferramenta, a tribo do lado fazia uma guerra pra tomá-la.


Crianças indígenas: junto à natureza
Ao longo da costa brasileira se defrontaram duas visões de mundo completamente opostas: a selvageria e a civilização. Concepções diferentes de mundo, da vida, da morte, do amor, se chocaram cruamente. Aos olhos dos europeus os indígenas pareciam belos seres inocentes, que não tinham noção do "pecado". Mas com um grande defeito: eram "vadios", não produziam nada que pudesse ter valor comercial. Serviam apenas para ser vendidos como escravos. Com a descoberta de que as matas estavam cheias de pau-brasil, o interesse mudou... Era preciso mão-de-obra para retirar a madeira.

Onde tinha algum europeu instalado na costa em contato com as naus, e portanto capaz de fornecer mercadoria, cada aldeia, e eram milhares de aldeias, levava uma moça pra casar com ele. Se ele transasse com a moça, então ele se tornava cunhado. Ele passou a ter sogro, sogra, genros... ele passou a ser parente. Então o sabido do português, do europeu, conseguia desse modo pôr milhares de índios a serviço dele, pra derrubar pau-brasil...

A porta de entrada do branco na cultura indígena foi o "cunhadismo". Através desse costume foi possível a formação do povo brasileiro. E da união das índias com os europeus nasceu uma gente mestiça que efetivamente ocupou o Brasil.

No ventre das mulheres indígenas começavam a surgir seres que não eram indígenas, meninas prenhadas pelos homens brancos – e meninos que sabiam que não eram índios... que não eram europeus. O europeu não aceitava como igual. O que era ? Era uma gente "ninguém ", era uma gente vazia. O que significavam eles do ponto de vista étnico ? Eles seriam a matéria com a qual se faria no futuro os brasileiros...
Um dos primeiros núcleos povoadores surgiu em São Paulo, chefiado pelo português João Ramalho. Há quem afirme que ele tenha chegado ao planalto paulista antes mesmo da chegada de Cabral. Os poucos registros da época supõem que ele teve mais de trinta mulheres índias e quase oitenta filhos mestiços. Um escândalo comentado numa carta do padre Manoel da Nóbrega de 1553!
Edificação antiga em SP: povoamento

"É principal estorvo para com a gentilidade que temos, por ser ele muito conhecido e aparentado com os índios. Tem muitas mulheres. Ele e seus filhos andam com irmãs e têm filhos delas... suas festas são de índios e assim vivem andando nus como os mesmos índios... "

Trecho da carta de Manoel da Nóbrega
O povoamento se fez a partir do litoral. Na Bahia, em Pernambuco, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro, em toda a costa os europeus geraram uma legião de mestiços. Homens e mulheres chamados de mamelucos pelos jesuítas espanhóis, por acusa do aspecto rústico e da violência com que capturavam e escravizavam os indígenas, de quem descendiam.

"A expansão do domínio português terra adentro, na constituição do Brasil, é obra dos mamelucos... O mameluco abriu seu mundo vasto andando descalço, em fila, por trilhas e estreitos sendeiros, carregando cargas no próprio ombro e no de índios e índias cativas..."
O Povo Brasileiro
Esses filhos das índias aprendem o nome das árvores, o nome dos bichos, dão nome a cada rio... Eles aprenderam, dominaram parcialmente uma sabedoria copiosa, que os índios tinham composto em dez mil anos. Em dez mil anos os índios aprenderam a viver na floresta tropical, identificaram 64 tipos de árvores frutíferas, domesticaram muitas plantas, essas que a gente usa: mandioca, milho, amendoim.... quarenta e tantas que nós demos ao mundo...

A mandioca faz parte do cardápio do brasileiro. Ela é cultivada e preparada em todo o país do mesmo modo que os indígenas ensinaram no começo da colonização. É uma planta preciosa porque não precisa ser colhida nem estocada. Mantém-se viva na terra por meses.


Herança indígena: canoa feita de tronco
Nas comunidades caiçaras, isoladas dos centros urbanos, é possível reviver um pouco da atmosfera do Brasil dos primeiros tempos. Os ancestrais dessa gente provavelmente descendem dos primeiros mestiços que habitaram o litoral. A canoa, feita a partir do tronco de árvore, se parece com as usadas pelos índios. Ela é o único meio de transporte e garante a sobrevivência.

Em alguns lugares o recuo na história é ainda maior. Quinhentos anos após a chegada dos portugueses, é possível encontrar indígenas vivendo no litoral, próximo do Rio de Janeiro. São guaranis, um povo nômade, de origem tupi, que hoje habita a Serra do Mar. Eles conseguiram resistir ao processo de extermínio de sua gente e à ocupação de suas terras. Mesmo depois de séculos de contato eles conseguiram preservar boa parte de sua cultura.
Índia guarani: resistência

"Antigamente a terra era do índio guarani... Guarani passava com fruta do mato. A mistura era palmito. Hoje nós estamos que nem branco. Os brancos terminaram com a natureza. Nosso trabalho a maioria é de lavoura; comemos numa panela só. A gente sente o guarani como puro brasileiro, porque muitos brancos dizem: ‘esses bugres aí, índio não vale nada’. Não é isso não. O puro guarani é o brasileiro puro... "

Depoimento de Cacique Miguel

Zeferino: "Importante é assumir"
"Meu nome é Olívio Zeferino. Não sou índio puro, sou mestiço guarani.... porque o que causa essa questão de ser ou não ser é essa identidade em que você é metade. Então, por exemplo, você é um mestiço. Tem uns que assumem a cultura indígena. Tem uns que são mestiços e assumem a cultura do branco. Então uma pessoa que nasceu com fisionomia de índio não adianta querer falar que é branca, porque todo mundo vê. Agora, o importante é você assumir, porque mesmo sendo mestiço você pode lutar pelo seu povo. "
Depoimento de Olívio Zeferino, estudante de Filosofia na USP

Há duas contribuições fundamentais nesse encontro: uma mestiçagem do corpo e uma mestiçagem da cultura. Em nós vivem milhões de índios, índios que foram esmagados porque a brutalidade do branco com o índio foi terrível. Esmagados porque o europeu tinha muita doença. Os índios não tinham cárie dentária, nem gripe, nem tuberculose... Cada enfermidade dessas era uma espécie de guerra biológica, matou índios em quantidade...

Estima-se em cinco milhões o número de indígenas que habitavam as terras brasileiras na ocasião da chegada dos portugueses. Dois séculos depois, eles não chegavam a dois milhões. Hoje, os sobreviventes somam duzentos e setenta mil habitantes, menos de meio por cento da população brasileira. Em cinco séculos desapareceram para sempre cerca de oitocentas etnias. Eram povos de diferentes culturas, que ocupavam vastos territórios de características geográficas distintas.

Mas esses índios que morriam sobreviviam naqueles mestiços que nasciam. Somos nós que carregamos no peito esses índios, os genes deles para reprodução e a sabedoria deles da mata. O Brasil só é explicável assim, é uma coisa diferente do mundo...

A população paulista dos primeiros tempos vivia numa economia de subsistência. Não podia contar com a riqueza gerada pela exportação de açúcar. O regime de trabalho, voltado para o sustento, e não para o comércio, era quase o mesmo da aldeia tribal. A base da agricultura era indígena, enriquecida pela contribuição dos europeus, que trouxeram os animais domésticos. As casas passaram a ser de taipa, cobertas por telhas. E equipamentos como o monjolo vieram para ficar. Até hoje facilitam o trabalho de beneficiar o milho. "A importância dele é que a gente, por exemplo, planta, depois colhe, depois leva para lá para ceifar farinha pra gente gastar. A gente cria galinha pra gastar... Dá um pouco pra criação, pro gado, pro porco..."
Depoimento do Sr. Vicente

Na vida simples, subsistência própria
Era uma sociedade que, por ser mais pobre, era também mais igualitária. A miscigenação era livre, porque quase não havia entre eles quem não fosse mestiço. Até meados do século XVIII essa gente falava uma língua aprendida com os índios, o " nheengatu " . Um jeito de falar tupi com boca de português, inventado pelos padres jesuítas.

Em suas andanças, os paulistas foram aumentando o tamanho do Brasil. Na esperança de encontrar minérios, eles buscavam no fundo das matas a única mercadoria que estava ao seu alcance: os indígenas. As bandeiras partiam de São Paulo levando mais de duas mil pessoas. Eram homens e mulheres, famílias inteiras de mestiços que iam fazendo roça de milho e feijão pelo caminho, fundando vilarejos, caçando e pescando pra comer. Eles ignoraram as fronteiras portuguesas para aprisionar os habitantes da terra e depois vendê-los como escravos aos engenhos do nordeste. E não pouparam sequer os índios convertidos à fé católica que habitavam as missões jesuíticas do sul do país e do Paraguai. O modelo jesuítico procurava assegurar a eles uma existência própria dentro das Missões, ao contrário dos colonos, que tratavam o indígena como mão-de-obra escrava.
Desde o princípio houve um partido de jesuítas que tinha uma utopia para os índios. Era fazer dos índios pios seráficos, religiosos, gente tão boa que era a melhor gente do mundo. Eles achavam que era a maneira de fazer o Paraíso na Terra. A religião pegou mesmo foi com as filhas das índias e das negras, as mestiças, que, não podendo satisfazer-se com a religião dos índios e dos negros, aceitavam e gostavam das novenas, das ladainhas, das missas, das procissões... E assim surgiu esse catolicismo santeiro e festeiro, que foi um belo catolicismo do Brasil até pouco tempo.

"Minas foi o nó que atou o Brasil e fez dele uma coisa só."
Trecho do livro O Povo Brasileiro

No final do século XVII, a descoberta de ouro pelos paulistas nas terras do interior mudou os rumos do Brasil Colônia. Em menos de dez anos, chegaram à região das Minas mais de 30 mil pessoas, vindas de todo o país. Eram paulistas, baianos, senhores de engenho falidos e, principalmente, escravos. No começo da exploração muitos morriam de fome com o ouro nas mãos, já que não havia o que comer. Os tropeiros garantiam a sobrevivência vendendo comida e panos de algodão. Atraídos pelo ouro, muitos deles acabaram se fixando no cruzamento das rotas de comércio e estabeleceram as primeiras povoações. Desse modo abriram caminho para a ocupação do interior do país.
"No princípio eram principalmente índios nativos e uns poucos brancarrões importados. Depois, principalmente negros, vindos de longe, africanos. Mas logo, logo, veja só: eram multidões de mestiços, crioulos daqui mesmo."
Trecho do livro O Povo Brasileiro

Setenta anos depois, a capitania de Minas Gerais já era a área mais populosa da América, com trezentos mil habitantes. Eram pessoas que vinham fazer fortuna, como os garimpeiros que ainda hoje trabalham na região das Minas.

Genesco: nos garimpos de MG
"Aqui se trabalha de segunda a sábado, das oito da manhã às 3 tarde, e sábado até 11 horas. Aqui mesmo em Antonio Pereira, Ouro Preto, garimpo de topázio imperial. Tudo o que tenho em casa é tirado do garimpo. Não tem um alfinete, em casa, que seja resultado de trabalho em firma, porque firma não dá nada, ganhar cem contos não dá. Garimpo custa a dar dinheiro, mas quando dá, é muito. A gente ganha bolada de dólar. Quando eu acho uma pedra grande eu falo assim: "Eu tirei a vaca do atoleiro, tirei uma pedra boa e agora vou descansar, vou comprar o que eu desejar na vida..." . Todo mundo fica alegre quando tira um topázio bom. Bebe cachaça... atropela carro no asfalto... é isso aí, o garimpo é isso aí."
Depoimento de Genesco Aparecido de Souza, garimpeiro

A descoberta do ouro mudou totalmente a vida da colônia. A mineração desbancou a indústria açucareira, que era então a principal atividade econômica. A sociedade estava estruturada nos moldes da fazenda – da casa-grande e da senzala - vivendo ao redor do senhor de engenho. O país prosperava graças ao trabalho escravo de três milhões de negros. O açúcar, no entanto, começava a sofrer concorrência das Antilhas.
A grande contribuição da cultura portuguesa aqui foi fazer o engenho de açúcar... movido por mão-de-obra escrava. Por isso, começaram a trazer milhões de escravos da África. O negócio maior do mercado mundial era a venda de açúcar para adoçar a boca do europeu e depois a remessa de ouro. Mas a despesa maior era comprar escravos. Os europeus sacanas iam à África e faziam grandes expedições de caça de negros que viviam ali uma vida como a dos índios aqui, com sua cultura, com sua língua, com seu modo... Metade morria na travessia, na brutalidade da chegada, de tristeza, mas milhões deles incorporaram-se ao Brasil.

O CUSTO DO TRÁFICO DE ESCRAVOS NOS 300 ANOS DE ESCRAVIDÃO FOI DE 160 MILHÕES DE LIBRAS-OURO. CERCA DE 50% DO LUCRO OBTIDO COM A VENDA DO OURO E DO AÇÚCAR.

E esses negros não podiam falar um com o outro, veja esse desafio como é tremendo. Eles vinham de povos diferentes. Então, o único modo de um negro falar com o outro era aprender a língua do capataz, que nunca quis ensinar português. Milagrosamente, genialmente esses negros aprenderam a falar português. Quem difundiu o português foi o negro, que se concentrou na área da costa de produção do açúcar e na área do ouro... Mas preste atenção: com os negros escravos vinham as molecas de 12 anos, bonitinhas. Uma moleca daquelas custava o preço de dois ou três escravos de trabalho. E os donos de escravos queriam muito comprar, e os capatazes também. Comprar uma moleca pra sacanagem. Mas essas molecas pariam filhos, e quem era o filho? Era como o filho da índia. Ele não era africano, visivelmente. Ele não era índio. Quem era ele ? Ele também era um "zé ninguém" procurando saber o que era. Ele só encontraria uma identidade no dia em que se definisse o que é o brasileiro.


Imagem de S. Jorge em Ouro Preto:
obra de Aleijadinho
Nestas terras, ricas em ouro e diamante, muitos escravos conseguiram comprar a liberdade e enriquecer. Assim surgiu uma classe intermediária formada de mulatos e negros libertos, que conseguiram melhorar de vida e se dedicar às atividades de ourives, carpinteiros, ferreiros e artistas. Ouro Preto viu florescer a mais alta expressão da civilização brasileira. Na música, na poesia e na arquitetura o mineiro deixou sua marca. Entre eles um brasileiro, mulato de grande talento, que traduziu na pedra tosca a sofisticação do barroco europeu: Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

A riqueza com que as igrejas foram construídas no período do ouro deixa transparecer a importância da religião católica na vida da colônia. Todos iam à missa: brancos, negros libertos, mulatos e escravos. Mas cada um freqüentava sua própria igreja, decorada a seu modo. Nos detalhes da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, o catolicismo é temperado com os símbolos religiosos africanos.
No teto da igreja, sincretismo religioso

A mineração de ouro e diamante alterou profundamente o aspecto rural e desarticulado do país. Até então, os brasileiros viviam isolados uns dos outros devido às grandes distâncias. Mas a rede de intercâmbio comercial que começava a se formar entre as capitanias daria uma bela base econômica à unidade nacional. O sertão nordestino, que vivia da criação de gado, fornecia a carne e o couro. A sede do governo foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro, devido à proximidade das Minas. E o Rio Grande do Sul acabou sendo incorporado ao país através do comércio de mulas.
Esse país tomou conta de si pela primeira vez num movimento fantástico – a Inconfidência Mineira...


Estátua de Tiradentes:
idealismo
O movimento idealizado por uma elite intelectual previa uma nova organização da sociedade. Entre os planos dos inconfidentes estavam a criação de universidades, a instalação de indústrias e a libertação dos escravos. A inspiração maior vinha dos ideais da Revolução Francesa e de um novo país da América do Norte, os Estados Unidos. Uma denúncia acabou levando à forca um dos líderes do movimento: o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Tiradentes foi esse herói nacional fantástico, um homem sábio, engenheiro que fez o serviço de águas do Rio de Janeiro, que fez o planejamento dos portos do Rio... e que conspirou na Europa, em Portugal e conspirou com os norte-americanos também. Era um intelectual que lia, conhecia a constituição americana e queria fazer uma república. Era respeitado pelos magistrados, pelos coronéis militares, pelos poetas, por aquele grupo atípico de Minas que quis criar uma República Brasileira, criar um Brasil e criar brasileiros, dando dignidade. Mas os portuguesas abafaram isto tão bem que continuou soterrada a idéia de liberdade e de autonomia do Brasil...

Trinta anos depois da rebelião dos inconfidentes, o Brasil se tornava império autônomo. Mas levaria quase cem anos para extinguir o trabalho escravo em seu território. Durante trezentos anos o país usou cerca de doze milhões de negros como principal força de trabalho em seu processo de formação. Trazidos do Sudão, da Costa do Marfim, da Nigéria, de Angola e de Moçambique, essa gente marcaria com sua cor e com sua força a fisionomia e a cultura brasileiras. E, ao final do período colonial, era uma das maiores populações do mundo moderno.
"Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Como descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre marcados pelo exercício da brutalidade sobre aqueles homens, mulheres e crianças. Esta é a mais terrível de nossas heranças. Mas nossa crescente indignação contra esta herança maldita nos dará forças para, amanhã, conter os possessos e criar aqui, neste país, uma sociedade solidária ".
O Povo Brasileiro

São Paulo. A terceira cidade do mundo. Uma megalópole com doze milhões de habitantes. Esta cidade, fundada em 1554 é hoje o espelho do Brasil. Olhando com atenção seus bairros e sua gente é possível perceber todas as contradições do país. O Brasil rico, moderno, que chega às vésperas do século XXI como a oitava economia do planeta. Mas também o Brasil que não acompanhou o progresso. O país que ainda luta por melhores condições de vida.


Contraste em SP: centro desenvolvido...

... e favelas na periferia

As grandes capitais são o retrato do crescimento desordenado das cidades brasileiras no século XX. Para se ter uma idéia, entre 1920 e 1960 a população urbana cresceu dez vezes. Hoje quase 70% dos brasileiros moram em cidades. As maiores transformações foram sentidas nos centros urbanos, mas elas são reflexos do que ocorreu no campo. Em toda a história brasileira, as mudanças de regime pouco afetaram a ordem social. Durante o período colonial e depois no Império e na República, o poder na zona rural sempre foi baseado no monopólio da terra e na monocultura. Aqui nenhuma terra foi reservada para o povo que ia formando o Brasil.

Nos Estados Unidos as pessoas iam para o Oeste (o que corresponderia no Brasil a Goiás, Mato Grosso). Elas iam porque sabiam que se construíssem uma casa, fizessem uma roça ganhavam o direito de demarcar uma fazenda de 30 hectares. Aqui isto nunca deu certo porque um pequeno grupo monopolizou a terra, obrigou o povo a sair das fazendas. Eles não dividiam e sim expulsavam. Não é que eles usem a terra. Eles não usam dez por cento da terra que existe, mas expulsaram. E essa gente que foi expulsa vem viver uma vida miserável na cidade.

Em 1850 as regras de acesso à propriedade rural mudaram. A simples ocupação e cultivo já não bastavam para garantir a posse. O registro obrigatório acaba expulsando da terra os menos favorecidos.

Na periferia de São Paulo vive gente entregue a uma pobreza total. É de se perguntar: como tão poucos latifundiários fizeram a infelicidade de tantos brasileiros que estão em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Recife, na Bahia, por toda parte?


Centro de SP: retrato do êxodo
Nenhum município estava em condições de absorver o êxodo rural num ritmo tão intenso, mas nem sempre foi assim. O país cresceu e se desenvolveu a partir de uma economia de base agrícola, voltada para abastecer o mercado europeu. A maioria da população concentrava-se na zona rural. As cidade e vilas funcionavam como entrepostos comerciais, onde o povo vivia da prestação de serviços aos fazendeiros. Somente nas regiões mineradoras é que se implantou uma rede urbana independente da produção agrícola.

Recife enriqueceu com os holandeses e com o açúcar. Na Amazônia, Belém e Manaus se desenvolveriam como portos de exportação dos recursos naturais extraídos da floresta. O Rio de Janeiro cresceu como porto de escoamento do ouro. A partir de 1808 tornou-se o principal núcleo urbano do país, com o desembarque do rei de Portugal D. João VI e de sua corte.

Muito sabido esse D. João VI. Descrevem-no como um bestão que andava numa carroça, comendo frango com as mãos e jogando os ossos para o lado... Ele é descrito popularmente como uma besta, mas não tem nada de besta. Enquanto os reis de Espanha ficavam querendo pedir perdão a Napoleão para continuar mandando, ele viu que o bom era o Brasil, não era Portugal. Ele largou aquela velharia e veio para cá, abriu os portos e começou a organizar o país. Trouxe 18 mil pessoas. Essa trasladação trouxe pra cá toda uma classe dominante já feita, muitos deles com cursos universitários em Coimbra. É essa gente que organiza o país.

"A luta mais árdua do negro africano e de seus descendentes brasileiros foi – e ainda é – a conquista de um lugar e de um papel de participante legítimo na sociedade nacional."
O Povo Brasileiro

O Brasil só se tornou uma nação com a abolição da escravatura, que concedeu aos negros, ao menos no papel, a igualdade civil. Emancipados mas sem a terra que cultivaram por quase quatro séculos, os ex-escravos abandonaram as fazendas e logo descobriram que não podiam ficar em nenhum lugar. A terra tinha dono. Saindo de uma fazenda caíam em outra, de onde eram, também, fatalmente expulsos.


Campinho da Independência (RJ):
vida tranqüila
Houve quem tivesse melhor sorte. É o caso de uma comunidade negra situada no litoral fluminense. Ali, todos descendem da mesma família. São netos, bisnetos, trinetos e tataranetos de três mulheres escravas – como o Sr. Valentim. Ele nasceu na comunidade e casou-se com D. Madalena, com quem teve nove filhos, que também moram nas redondezas. Nos dias de festa todos aparecem para dar um abraço no patriarca da família.

Hoje estas terras se valorizaram e a família, ameaçada de perder tudo, tenta provar que tem direito de permanecer onde nasceu. "Eu sempre falo isso: que se desse um lote aqui, de graça, para uma pessoa que morava na cidade, ela não aceitaria porque é um lugar difícil. Como é que o cara que nunca fez uma horta no lugar, nunca plantou sequer um pé de flor vai colocar três juizes porque ele é dono daquela terra? A escritura é muito fácil fazer... Essa terra é terra hereditária, terra que vem de lá de trás do tempo da escravidão."
Depoimento do Sr. Valentim


D. Madalena (RJ): "Tudo é de Deus"
"Eu vim pra cá com dezessete anos. O povo era muito bom. Um pessoal escuro, mas eu senti em mim a mais negra, por causa da maneira que me acolheram. A minha parte da família não queria mas a parte dele fazia muito gosto. Eu acabei casando com ele e graças a Deus tenho fé em Deus de levar nossa vida pra frente. Deus é que abraça o mundo, tudo é filho dele, não tem gordo, nem magro, não tem cor, não tem raça. Tudo é dele, né?"
Depoimento de d. Madalena

A maior parte dos escravos concentrou-se na periferia das cidades, nos bairros africanos. Ali eles criaram uma cultura própria, feita de retalhos do que o povo africano guardou nos longos anos da escravidão.

O negro guardou sobretudo sua espiritualidade, sua religiosidade, seu sentido musical. É nessas áreas que ele dá grandes contribuições e ajuda o brasileiro a ser um povo singular. Quando chegam na cidade são capazes de fazer coisas, por exemplo, a cultura do Rio de Janeiro, a beleza do Carnaval carioca, que é uma criação negra, a maior festa da Terra! A beleza de Iemanjá, uma mãe de Deus que faz o amor. Você não vai lá pedir que o marido não bata tanto, que não seja tão filho daquilo, vai pedir um amante gostoso. Isso é uma coisa fantástica! Um povo que é capaz de inventar uma coisa destas! Nunca houve depois da Grécia! Isso são os nossos negros, os nossos mulatos desse país.

"O jongo é tradição muito antiga, e naquele tempo, logo que a princesa Isabel libertou os escravos, o preto fundou o jongo, né. Naquele tempo os brancos freqüentavam, mas os negros não gostavam muito. Gostavam dos pretos, dos morenos, morenos bem pardos, bem tostados, né... Hoje é diferente. Hoje tudo dança, dança preto, dança branco, dança moreno, dança qualquer um. Mas naquele tempo não era assim não, segundo a escola que tive do meu pai, que foi da escravidão, né? Então, tem um ponto de jongo que eu canto pro jongueiro e pergunto pra ele: o que é o jongo? E o jongueiro não sabe responder o que é jongo. Agora, pro jongueiro tirar mesmo o ponto, para dizer tirei o ponto, ele precisa responder pra mim, na cantoria, na hora do jongo: " jongo pra quem sabe, é jongo, pra quem não sabe, não é nada ". É isso ..."
Depoimento do Sr. João


Jongo: do tempo dos escravos
"Eu canto o canto porque eu sei cantar.
Não quero que a saudade venha me matar...
Enquanto a abóbora amadurece, eu como a
cambuquira... "
Trecho cantado do jongo

No final do século XIX, a crise de desemprego que ocorreu na Europa trouxe para o Brasil sete milhões de imigrantes. Eles vinham para trabalhar nas plantações de café, o principal produto de exportação da época. Acabaram ocupando o lugar dos mestiços e escravos libertos, como mão-de-obra assalariada. Os europeus se fixaram principalmente em São Paulo e no sul do país, onde renovaram a vida local e promoveram o primeiro surto de industrialização do país.

Esse país já feito num certo momento recebe uma invasão branca... Veja a diferença. Os que foram para a Argentina caíram em cima do povo argentino, paraguaio e uruguaio que haviam feito seus países, que eram oitocentos mil, e disso saiu um povo europeizado. Aqui não, essa quantidade de gringos caiu em cima de quatorze milhões de brasileiros. Então foram absorvidos por nós. Encontraram um país feito, com um século de história, com cidades importantes. Deram, é claro, uma grande contribuição e continuam dando, mas muitos deles não conhecem nada e acham que deram o automóvel. Essa influência das matrizes índias, negras e européias foi descrita algumas vezes como uma democracia racial. Aqui não há nenhuma democracia racial. Aqui é muito duro ser negro, O preconceito nosso é por natureza diferente do preconceito americano. Aqui há um conceito curioso de branquização, o negro quando vai ficando claro, a mestiçagem facilita isso sobretudo quando vai ficando rico, fica branco. Esse preconceito de branquização é um conceito bonito, não é democracia racial. É branquização, é uma possibilidade até preconceituosa de que o negro é aceito como alguém que vai deixar de ser negro, que vai transar com todas as brancas que vão clarear os filhos deles. É um preconceito, de certa forma, melhor do que um apartheid, que quer que o negro fique longe, fique distante para respeitá-lo lá longe, mas não quer proximidade com ele. Nós queremos é confluir, misturar. Isso é bom, mas não pode ser chamado de democracia racial.

"A distância social mais espantosa do Brasil é a que separa e opõe os pobres aos ricos. A ela se soma a discriminação que pesa sobre índios, mulatos e negros. " 
O Povo Brasileiro


Nas praias, alguns descansam...

...enquanto outros trabalham

Nos anos 90, a separação entre classes ricas e pobres é quase tão grande quanto as que existem entre povos diferentes. E o Brasil destaca-se no mundo por sua péssima distribuição de renda. Quando o indivíduo consegue melhorar de vida, é possível perceber que seus descendentes em uma ou duas gerações cresceram em estatura, se refinaram, se educaram. Muitos estrangeiros que chegaram aqui no começo do século XX encontraram condições de ascensão social mais rápida do que muitos brasileiros gerados aqui. Para Darcy Ribeiro, o país pouco mudou desde 1.500. E dos escravos aos assalariados de hoje, o Brasil se fez como um moinho de gastar gente.

É muito duro para um negro fazer carreira no Brasil. Eles são a parcela maior da camada mais pobre que tá lá, no fundo do fundo, e é a camada onde pesa mais o analfabetismo, a criminalidade, a enfermidade. E é claro que precisam de uma compensação que nunca tiveram. Eles fizeram este país, construíram ele inteiro e sempre foram tratados como se fossem o carvão que você joga na fornalha e quando você precisa mais compra outro. A atitude para com o negro e o mulato e com o pobre é muito bruta. Sobretudo os branquinhos de merda, que tem uma atitude muito freqüentemente de profundo preconceito e nenhum respeito para com essa gente que fez o Brasil.
Os brasileiros se sabem, se sentem e se comportam como uma só gente, pertencente a uma mesma etnia. Essa unidade não significa porém nenhuma uniformidade. O homem se adaptou ao meio ambiente e criou modos de vida diferentes. A urbanização contribuiu para uniformizar os brasileiros, sem eliminar suas diferenças. Fala-se em todo o país uma mesma língua, só diferenciada por sotaques regionais. Mais do que uma simples etnia, o Brasil é um povo nação, assentado num território próprio para nele viver seu destino.
COM A PALAVRA, O BRASILEIRO ...

José Silva

José Rafael

Francisca

Franscisco

Mara Anastácia

José Silva: "Ser brasileiro é ser artista." José Rafael: "Vamos aí, na batalha." Francisca: "Não dá nem pra rir, né ?" Francisco:"Brasileiro gosta de ter fé." Mara Anastácia: "É um pouquinho de sonho, né ?" 

Mas foi essa gente nossa, feita da carne de índios, alma de índios, de negros, de mulatos, que fundou esse país. Esse "paisão" formidável. Invejável. A maior faixa de terra fértil do mundo, bombardeada pelo sol, pela energia do sol. É uma área imensa, preparada para lavouras imensas, produtoras de tudo, principalmente de energia. A Amazônia devia ser um país, porque é tão diferente. O nordeste, até a Bahia... outro país que é diferente. A Paulistânia e as Minas Gerais juntas são outra gente... O sul, outra gente... Esse povão que está por aí pronto pra se assumir como um povo em si e como um povo diferente, como um gênero humano novo dentro da Terra. É claro que eu tinha de fazer um livro sobre o Brasil que refletisse de certa forma isso. E vivi fazendo pesquisa, e vivi muito com negros, brasileiros, pioneiros de todo o lugar do Brasil. E li tudo que se falou do Brasil. Então estava preparado pra fazer esse livro. E gosto dele. Tenho orgulho do fundo do peito de ter dado ao Brasil esse livro. É o melhor que eu podia dar. Gosto muito disso.
Que bela história tem esse povo brasileiro...
Ficha Técnica:
Realização: TV Cultura - 1995
Roteiro e direção: Regina M. Ferreira
Produção: Cristina Winther, Estela Padovan, Márcia Régis, Regina Gambini
Reportagem: Márcia Régis
Pesquisa iconográfica: Nercy Ferrari
Imagens: Edgar L., João Bosco Batista Lopes, José Elias da Silva
Edição de imagens: Antonio Asa
Pós-produção: Dario de Oliveira
Narração:José Augusto Arnelas
Chefe de Redação: Vicente Adorno
Departamento de Documentários: Teresa Otondo


Ensinar e Aprender
l. Desde o século XVI, estereótipos como "exótico", "infiel" e "preguiçoso" eram atribuídos aos negros, mestiços e índios pelo colonizador europeu. A partir desses preconceitos, discutir a questão da maginalização na sociedade. 2. A partir do tema: "A gente brasileira é um novo gênero - resultado de uma mistura de raças" (Darcy Ribeiro), propor aos alunos que cada grupo crie uma música (letra, melodia). Apresentar aos colegas de classe. Essa atividade pode ser interdisciplinar.
3. "Sem ser índio, nem europeu, nem negro, o mestiço cria sua própria identidade étnica - a brasileira" (Darcy Ribeiro). A partir desse comentário, criar um poema ou uma crônica e organizar uma sessão de leituras.
4. Fazer um estudo sobre as contribuições culturais (costumes, vestimentas, alimentação, religião, música...) dos negros, dos índios, dos europeus na formação étnica do brasileiro.
5. Promover um debate sobre a importância do processo de miscigenação na formação do povo brasileiro. Elaborar um texto sintético sobre as conclusões do debate.
6. Com a orientação do professor, fazer um estudo da Lei de Terras de 1850 e da sua aplicação, que foi acompanhada de intensas correntes migratórias da Europa para o Brasil, substituindo a mão-de-obra escrava.
7. Assistir ao filme "Quilombo". Discutir a questão da escravidão e o processo de rebelião dos escravos no Brasil. Elaborar coletivamente um texto com as conclusões da discussão.
8. Pesquisar, junto aos seus familiares, a questão: "Quem são meus antepassados?". Com as informações coletadas, desenhar a árvore genealógica.

Bibliografia
RIBEIRO, Darcy. O Povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. 2a.ed. São Paulo: Companhia Das Letras, 1996.
AZEVEDO, Célia. Onda negra, medo branco: o negro no imaginário das elites-século XX.
Rio de Janeiro: Paz E Terra, 1987.
CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. O Racismo na história do Brasil: mito e realidade. São Paulo: Ática, s.d. .
MENDONÇA, Sonia Regina de. & FONTES, Virgínia Maria. História do Brasil recente. São Paulo: Ática (Princípios).
PINSKY, Jaime. A Escravidão no Brasil. São Paulo: Contexto, 1988. (Repensando a História).
VALENTE, Ana Lúcia E. F. Ser negro no Brasil hoje. São Paulo: Moderna, s.d. . (Polêmica).
MUNANGA, Kabengele. org. Estratégias e políticas de combate à discriminação racial. São Paulo: EDUSP, 1996.
Filmografia
Carlota Joaquina, Princesa do Brasil (Brasil, 1995). Direção: Carla Camuratti. Elenco: Marieta Severo, Marco Nanini.
Quilombo (Brasil, 1984). Direção: Cacá Diegues. Elenco: Antônio Pompeu, Zezé Motta, Toni Tornado.
Macunaíma (Brasil, 1969). Direção: Joaquim Pedro de Andrade. Elenco: Grande Otelo, Paulo José, Jardel Filho, Dina Sfat.
A Marvada Carne (Brasil, 1985). Direção: André Klotzel. Elenco: Adilson Barros, Fernanda Torres, Dionísio Azevedo.

Ficha Técnica Alô Escola:
Criação: Departamento de Ensino da TV Cultura - 1997
Adaptação do texto do programa para a Internet: Zeca Castellar
Assistente de Educação: Carla Fidélis
Estagiárias de Educação: Célia Alves de Oliveira, Maria Isolina da Costa
Coordenação Pedagógica: Pedro Paulo Demartini
Supervisão: Nadia Hatori


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