"A arte e nada mais que a arte! Ela é a grande possibilitadora da vida, a grande aliciadora da vida, o grande estimulante da vida." (Friedrich Nietzsche)
Já que a arte existe para que a realidade não nos destrua (como dizia Nietzsche), aqui vai uma lista para um melhor entendimento sobre a arte, pintores e momentos históricos. Que agucemos e eduquemos nossa sensibilidade:
1) Carnival in Flanders, 1935
A obra retrata a chegada dos soldados espanhóis a Flandres e aspectos da escola barroca holandesa e espanhola.
Rembrandt, 1936
A obra retrata a mudança de vida do pintor Rembrandt e a morte de sua companheira.
3) The moon and sixpence, 1943
Obra adaptada da vida Paul Gauguin.
4) Cinco mulheres ao redor de Utamaro, 1946: adaptação da vida do pintor japonês Utamaro.
5) Moulin Rouge, 1952
Baseada na novela de Pierre La Mure, o filme retrata momentos da vida do pintor Toulouse-Lautrec.
6) Lust for Life, 1956
Adaptação sobre a vida de Vincent Van Gogh.
7) O mistério de Picasso, 1956
Adaptação sobre a vida de Pablo Picasso.
8) Montparnasse 19, 1958: adaptação sobre a vida do escultor e pintor Amadeo Modiglani.
9) El Greco, 1966: adaptação da vida de Donénikos Theotokópoulos, El Greco.
10) Frida: natureza viva, 1984
Adaptação da vida de Frida Kahlo.
11) Caravaggio, 1985
Adaptação da vida e obra de Michelangelo Merisi, Caravaggio.
12) A paixão de Camille Claudel, 1988: adaptação da vida da escultora Camille Claudel.
13) Dalí, 1991: adaptação sobre o início da fama de Salvador Dalí.
14) Vincent e Theo, 1990
Fragmentos da vida do pintor holandês Van Gogh e de seu irmão.
15) Van Gogh, 1991: adaptação sobre o último verão da vida de Van Gogh.
16) Surviving Picasso, 1996: adaptação da vida de Picasso e sua amante Françoise Gilot.
17) I shot Andy Warhol, 1996
Filme que retrata a sociedade e arte dos anos 60, baseado na história de Valerie Solanas.
18) El amor es el demonio, 1998: adaptação do momento de maior êxito de Francis Bacon, em confluência com o momento que seu companheiro decide acabar com a própria vida.
19) Lautrec, 1998: adaptação da vida de Toulouse Lautrec, baseada em sua vida pessoal.
20) La hora de los valientes, 1998: representação do translado das obras de arte do Museo del Prado até Valência durante a Guerra Civil.
21) Goya en Burdeos, 1999: adaptação dos últimos meses de vida de Goya.
22) Abajo el telón, 1999
Nessa obra Diego Rivera recebe a tarefa de pintar a antecâmera do Rockefeller Center, em um período complicado para os artistas.
23) Pollock, a vida de um criador, 2000
Obra baseada no livro de Jackson Pollock, sobre a técnica de dripping.
24) Buñuel and King Solomon's table, 2000: recriação do tempo que passaram juntos Buñuel, Garcia Lorca e Salvador Dalí.
25) Frida, 2002
Adaptação do livro de Hayden Herrera sobre a vida de Frida Kahlo e Diego Rivera.
26) Modigliani - A paixão pela vida, 2004: adaptação da rivalidade entre Picasso e Modigliani.
27) Klimt, 2006: adaptação da vida de Gustav Klimt.
28) As sombras de Goya, 2006
Marcada pelo contexto da Inquisição Espanhola, a obra narra momentos históricos em que o pintor Francisco de Goya estava imerso.
29) El Greco, 2007
Adaptação da novela de Dimitris Siatíopulos sobre a vida de El Greco.
Escritor, que completa 80 anos, fez um balanço irreverente de sua carreira. Poeta relembrou anos de exílio, criticou concretistas e falou do novo livro.
Luciano Trigo Do G1, em Paraty 07/08/2010 19h14 - Atualizado em 26/08/2010 17h17
Ferreira Gullar, o maior poeta brasileiro vivo, tinha três motivos para comemorar sua terceira passagem pela FLIP: o Prêmio Camões concedido há poucas semanas, o aniversário de 80 anos e o lançamento de um novo livro de poesias após um intervalo de 11 anos, “Em alguma parte alguma”.
No entanto, na conversa conduzida pelo editor Samuel Titan Jr. neste sábado (7), ele mostrou que não está satisfeito, que continua buscando alguma coisa. Permanece, enfim, fiel à sua trajetória como poeta e intelectual engajado.
Gullar começou lembrando o início de seu caminho poético. “Eu costumo dizer, brincando, que nasci em Macondo, a cidade de 'Cem anos de solidão' onde tudo acontecia um século depois. Na adolescência eu era um poeta parnasiano, que escrevia em versos metrificados, até falava em decassílabos", recordou. "Quando chegou a São Luiz a poesia moderna de Carlos Drummond de Andrade, eu, acostumado a ler Camões, levei um choque ao ler aqueles versos. Aí fui para a biblioteca pública da cidade ler outros poetas modernos, como Mario de Andrade, e comecei a entender o que era aquilo”, completou. O poeta maranhense nascido em São Luís publicou seu primeiro livro aos 19 anos, “Um pouco acima do chão”, e em seguida começou a escrever uma poesia em que não havia nada previsto. Isso resultou em “A luta corporal - um livro em que a linguagem nasce com o poema".
“A linguagem é velha, e o poema é uma coisa nova, que acabei de descobrir. A implosão da linguagem feita nesse livro, com a destruição da sintaxe, acabou se tornando um pouco a matriz da poesia concreta, que é uma poesia sem discurso, com uma sintaxe visual. Os poetas paulistas Augusto e Haroldo de Campos e Decio Pignatari me procuraram, trocamos ideias, e nasceu a poesia concreta.Mais tarde eles optaram por uma poesia matemática e romperam comigo”.
Ferreira Gullar (Foto: Walter Craveiro/Divulgação)
Gullar continuou lembrando seu convívio com Mario Pedrosa ao chegar no Rio de Janeiro, em 1951. “Pedrosa defendia a arte concreta e geométrica de artistas como Max Bill, premiado na primeira Bienal de São Paulo, o que representava uma ruptura muito grande com a figuração que predominava na arte modernista brasileira”, contou Gullar. "Vieram então a arte neoconcreta e o Manifesto do Não-Objeto, que implicam a entrada do corpo numa arte que era apenas ótica e visual".
"Publiquei o projeto de um 'Poema enterrado' [um cubo dentro de outros cubos, numa sala subterrânea, contendo a palavra ‘Rejuvenesça’], então o Helio Oiticica quis materializá-lo na casa do pai na Gávea Pequena, só que o pai dele não deixou. Depois, quando deixou, choveu e estragou tudo. Era o único poema com o endereço da poesia brasileira”.
Artes plásticas e literaturaIndagado sobre sua atividade como crítico de arte, Gullar disse que, antes de pensar em ser poeta, queria ser pintor. “Depois a poesia tomou conta, essas coisas a gente não governa. Mas continuo pintando e pensando sobre artes plásticas até hoje. Sobre poesia eu não penso, eu simplesmente faço: a minha poesia nasce do espanto. Qualquer coisa pode espantar um poeta, até um galo cantando no quintal. Arte é uma coisa imprevisível, é descoberta, é uma invenção da vida. E quem diz que fazer poesia é um sofrimento está mentindo: é bom, mesmo quando se escreve sobre uma coisa sofrida. A poesia transfigura as coisas, mesmo quando você está no abismo. A arte existe porque a vida não basta”.
Ferreira Gullar (Foto: Walter Craveiro/Divulgação)
Gullar aproveitou então para criticar certa atitude que prevalece entre artistas. "A vanguarda é que nem o terrorismo, ninguém pode botar o galho dentro. Na Bienal de São Paulo, qualquer bobagem tem que ser aceita, porque quem fala mal é visto como sendo de retaguarda”.
O escritor também falou sobre a poesia de cordel que escreveu na época da repressão política. “Comecei a entrar em crise com a poesia espacial que estava fazendo, porque sempre questiono o que faço. Li um livro de Jean-Yves Calvet e me engajei no marxismo e na luta política e participei do CPC da UNE. Mas era uma ação muito mais política que literária. No dia do golpe militar eu entrei para o Partido Comunista, numa reunião da casa do Carlinhos Lyra, porque queria participar da resistência contra o regime. Era uma coisa que tinha que ser feita, não havia bravura nisso”.
Veio então o Grupo Opinião, em Copacabana, que encenou diversos espetáculos num espaço improvisado em Copacabana. “O golpe nos mostrou o quanto é difícil transformar o mundo, e isso serviu também para a minha literatura. E, em seguida, com a radicalização política e o aumento da repressão, o exílio".
'Poema sujo'“Pessoas à minha volta eram presas e torturadas, e como eu era da direção do partido, tive que sair do país. Fui para a União Soviética, o Chile de Allende, depois a Argentina. Com a morte de Perón, voltei a ficar numa situação terrível, sem passaporte, e nessa situação escrevi 'Poema sujo', para registrar tudo o que me restava a dizer", relembrou Gullar.
Ferreira Gullar (Foto: Walter Craveiro/Divulgação)
"Nessa época Vinicius de Moraes foi a Buenos Aires fazer um show, e n os reunimos com Augusto Boal, que também estava exilado em Buenos Aires. Boal falou sobre o 'Poema sujo' e eu o li para umas 20 pessoas, na casa do Boal.Vinicius gravou minha leitura e levou para o Brasil, e o poema foi sendo divulgado assim, clandestinamente, até que Enio Silveira, editor da Civilização Brasileira, quis publicá-lo, e fez uma noite de autógrafos sem o autor”.
Gullar leu então um trecho de 'Poema sujo' e foi aplaudido por mais de um minuto, num dos momentos mais intensos da FLIP 2010.
Em alguma parte alguma sucede os livros Barulhos (1987) e Muitas vozes (1999), o que dá uma média de um livro de poemas por década. “Eu escrevo muito pouco, sem espanto eu não escrevo. Às vezes passo meses sem escrever, não depende da minha vontade. Mas quando a poesia vem é muito gratificante”.
Acordo fora de mim como há tempos não fazia Acordo claro, de todo, acordo com toda a vida, com todos cinco sentidos e sobretudo com a vista que dentro desta prisão para mim não existia. Acordo fora de mim como vida apodrecida. Acordar não é de dentro, acordar é ter saída. Acordar é reacordar-se ao que em nosso redor gira.
"O importante não é onde moramos, mas onde em nós a casa mora"
"E o que restou deste encantamento que me roubava do mundo foi essa memória, que mesmo sendo ilusória, é a grande verdade que eu mantenho e na qual eu me converto em escritor: Sou filho de imigrantes, mas sou sobretudo filho de histórias"
"De que vale ter memórias, se o que eu mais vivi foi o que nunca se passou?"
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Não vim aqui para lhes transmitir ideias sob uma posição professoral.
O que vou tentar fazer é transmitir vivências. Vivencias onde o tempo tomou posse de mim e eu vivi esses momentos como se o verbo viver, não fosse um verbo suficiente, não fosse bastante. Essas lembranças destes tempos habitam hoje como se fossem sonhos. Como se fossem os únicos sonhos a que eu tenho acesso. E aí, acho que cheguei a entender uma coisa: não somos nós que guardamos lembranças. É o contrário: as lembranças é que nos guardam.
Essas coisas que são as memórias, que parecem etéreas e fragmentadas, elas são uma costureira que constrói, que tece, essa totalidade que é a nossa alma.
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O que falamos dos nossos sonhos são reelaborações feitas ao mesmo tempo que revisitamos esses sonhos. Reescrevemos aquilo que pensamos ter sonhado; porque afinal, nenhum sonho pode ser descrito.
O sonho pede uma linguagem que não há; que é a linguagem dos sonhos.
E aí, só a poesia pode entreabrir essa porta...
Estou falando do sonho porque o sonho é um parente próximo, muito próximo, da memória.
Os sonhos só existem na impossível lembrança que temos deles. Ninguém se lembra exatamente do que sonhou, porque em grande parte todos nós sonhamos o que lembramos.
Tal como os sonhos, não existem fatos (como vulgarmente os chamamos).
Existem vivências, que criam uma ideia da realidade, que são como impressões digitais que inventam o resto do dedo. Os chamados "fatos" precisam se converter em histórias, para que a memória os adote como uma coisa sua. As memórias e as histórias são duas margens liquidas de um mesmo rio que é o nosso tempo interior.
Portanto, eu estou falando do tempo; de uma ideia de tempo, de um tempo que foi meu e em mim se semeou como uma certeza.
Nós somos muito amarrados a um tempo linear que não é o que se passa em Moçambique. Lá o futuro e o passado se enlaçam.
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Quando eu era menino, meu pai me dizia como uma profecia: "Estuda para ser alguém".
Era isso que meu pai me dizia quando eu era menino. Mas quando meu pai falava assim, ele não falava diretamente comigo, ele falava com o futuro.
E nesse tempo havia um futuro que escutava, um futuro que falava a nossa língua, e que estava ali a nossa disposição. Porque era um tempo em que o futuro era uma fé, uma espécie de aposta, de sacrifício, um valor de investimento...
Houve alguma coisa que se passou que nos roubou essa ideia do futuro como um aconchego familiar. Essa mesma coisa não só roubou o futuro, mas rasgou-nos do passado, como se o passado fosse uma coisa desvalida.
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Uma dia desses eu passeava com um dos meus netos, e derrepente uma cobra atravessou o nosso caminho. O menino não ficou muito assustado e disse-me uma coisa extraordinária... Apontou a cobra e disse: " Olha esse bicho que só tem pescoço!". Bom, isso é poesia né... isso é poesia pura.
Então, acho que o tempo é hoje um bicho que só tem pescoço: comeram-lhe a cabeça e arrancaram-lhe a cauda. E essa dupla amputação, foi praticada por isso que nós chamamos de "sociedade do efêmero". Nela, tudo o que nasce, já nasce transitório, já nasce morrendo, à espera da ultima versão, de algo mais leve, de algo mais veloz, mais atualizado. Nós estamos correndo uma espécie de corrida infrutífera para não ficarmos desatualizados. Então, vivemos nesse tempo em que tudo é simultâneo, tudo é imediato, tudo é voraz, tudo é volátil.
Mas, como isso aconteceu?
Eu acho que foi uma coisa que se chama de "mercado" (que é um nome terrível por não ter rosto). Esse mercado impôs-nos um outro tempo: um tempo do consumo, um tempo que se consome a si próprio e consome a nós mesmos.
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Nós lamentamos sempre que não temos tempo.
As vezes me perguntam "como é que você escreve?". [ Porque eu trabalho, e tenho horário de trabalho. ]
Mas eu acho que nós não precisamos de mais tempo. Nós precisamos de um tempo que seja nosso. Portanto não é uma questão de quantidade, é uma questão de soberania. E nesse tempo que seja nosso, nós temos que encontrar a intimidade com as coisas que nos sejam próximas. Com as pessoas que nós amamos. E isso pede uma lentidão, um tempo próprio.
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Hoje em dia há a impressão de que quando estamos vivendo almo muito intenso, em família por exemplo, a primeira preocupação não é viver isso de uma maneira completamente aberta e disponível, mas sim registrar o acontecimento em uma imagem, em uma fotografia, em um vídeo.
Quando eu estou em casa em família e acontece uma coisa extraordinária, há sempre uma voz que se levanta e diz: "Alguém está gravando isso?"
Eu não quero fazer apologia a uma espécie de regressão nostálgica. É obvio que estas tecnologias têm suas vantagens. Mas a questão é saber se nós continuamos a ser sujeitos, autores dessa narrativa que é a nossa própria vida.
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Essas lembranças que compartilhei aqui não são uma coisa do passado. Foi nesse passado que eu carreguei minha alma do futuro, que eu investi. E falei desses episódios porque acho que neles estão um ideário, uma espécie de um programa que eu tenho naquilo que é a minha intervenção cívica. Porque eu lembro as histórias que meus pais contavam, a casa em que eu vivia, a cozinha em que eu fui menino e a rua em que eu fui mundo. E é como se isso me desse uma relação em que eu peço ao mundo que ele tenha sempre um rosto, um nome, uma voz.
Essas lembranças fazem pensar como é importante nós restituirmos essa presença corporal quando contamos histórias as crianças.
Eu não nego que as crianças tenham essa relação com a máquina que conta histórias, com a televisão, com o tablet, com o computador...
Mas essas máquinas não podem ser as únicas exclusivas contadoras de histórias. É preciso que regressemos e re-humanizemos esse momento em que nós estamos com a presença física, com esse afeto que só pode ser trazido com a presença corporal, e que torna esse momento mais único e irrepetível. (Com os nossos pais a gente não pode voltar a trás com o controle remoto...)
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Eu acredito no poder das histórias. Eu acredito que as histórias não salvam o mundo, mas elas podem incutir o desejo da utopia e de um mundo em mudança.
A gente pensa que contar histórias é uma competência dos escritores, mas não é. Todos nós somos produtores e somos produtos de pequenas histórias. Essas histórias devolvem-nos o encantamento da infância, afastam o medo e reiniciam o mundo. E mais do que reiniciar o mundo, elas criam um mundo em estado de infância (um mundo que está ainda nascendo). E por isso, mais que tudo, o próprio passado pode estar ainda nascendo.
E a nós, compete cumprir aquilo que profetizou o poeta João Cabral de Melo Neto quando ele diz: é preciso acordar,
Acordar para ter saída, dentro e fora das nossas vidas.
Quais as cores do vestido da foto acima? Algumas pessoas dizem que é azul e preto. Outras juram que é branco e dourado. Há quem diga que olhou a foto pela primeira vez e viu azul e preto. Mais tarde, ao olhar novamente, viu um vestido branco e dourado!
Essa foto ficou famosa na internet entre ontem (quinta-feira) e hoje (sexta-feira). A usuária Skiwed do Tumblr publicou a imagem e logo as pessoas começaram a comentar sobre as cores da roupa. Mas os comentários não batiam! E criaram um verdadeiro paradoxo das cores. Não demorou muito para a foto se tornar o principal assunto nas redes.
Que cores você vê quando olha a imagem do vestido? Deixe o seu comentário aqui no blog.
Aproveito a polêmica para tentar dar uma explicação científica para o paradoxo das cores do vestido. Acompanhe o raciocínio a seguir.
A “leitura'' das cores na câmera fotográfica
Antes de tudo, uma foto é apenas uma “leitura muito particular'' que um equipamento (câmera fotográfica) faz da realidade. Antigamente era um filme fotográfico que registrava a imagem. Hoje em dia são sensores digitais baseados no efeito fotoelétrico .
Essa “leitura'' da realidade, seja feita por um filme ou por um sensor fotoelétrico, nem sempre é tão real. Todo mundo já deve ter tido a experiência de tirar uma foto e ela sair amarelada ou azulada demais. Nas câmeras digitais, a grande vantagem é que dá para ver a imagem capturada praticamente em tempo real e já compará-la com a realidade, sem precisar revelar o filme e imprimir a foto em papel.
Uma imagem fotografada depende de vários fatores, em especial da iluminação ambiente. É comum nas câmeras digitais a opção de escolher o tipo de luz ambiente. O software da câmera geralmente possui diferentes calibragens. Há, por exemplo, uma calibragem específica para a luz solar, também conhecida como luz branca real, aquela que é uma mistura de todas cores visíveis do vermelho ao violeta. Há outra calibragem para iluminação com lâmpadas fluorescentes que tendem a esfriar as cores, deixando-as azuladas. E assim por diante.
Em câmeras digitais com mais recursos, existe ainda a calibragem de branco. O fotógrafo mira uma superfície que tem certeza que é branca e faz uma amostra (captura). A amostra de branco pode sair amarelada, azulada, avermelhada… Mas o software da câmera é informado de que aquele padrão de amostra é o branco real. Pelo padrão de branco, o sistema faz uma recalibragem em todas as cores. A partir daí, as cores registradas passam a ser bem mais fiéis à realidade. Sem essa calibragem inicial, há sempre o risco de uma foto não ter muito a ver com aquilo que o fotógrafo estava vendo. Suspeito que a foto do vestido padeça desse problema. A informação é que o vestido, na realidade, tem faixas em azul escuro intercaladas com faixas em marrom escuro, quase preto. Certamente a captura tem problemas de “leitura'' de cores.
A “leitura'' das cores nos nossos olhos
No caso dos nossos olhos, são os cones e bastonetes, células nervosas que ficam na retina, no fundo do globo ocular, que fazem o registro da imagem. Os cones são especializados em detectar as diferentes cores. Já os bastonetes não diferenciam cores mas, capturando mais e mais luz (a rigor mais fótons), conseguem melhorar o brilho nas imagens.
Mas tem um detalhe importantíssimo: não vemos apenas com os olhos! Os olhos, pela córnea e pelo cristalino, as duas lentes convergentes que possuem, formam uma imagem sobre a retina que é registrada pelos cones e bastonetes. Impulsos nervosos levam informações dessa imagem para o cérebro. E é o cérebro quem vai tentar entender o que estamos vendo.
A imagem óptica no fundo do olho é bastante objetiva e de muito boa qualidade. O cérebro (e seu “software'') é quem pode mudar tudo. É que o cérebro sempre dá uma de sabidinho e tenta adivinhar as coisas. Mas numa dessas, como todo metido a sabidinho, pode dar suas bolas fora.
Quando vemos uma foto, como a do vestido, se o cérebro “entende'' que ela foi feita em baixas condições de iluminação, naturalmente tenta “clareá-la''. O cérebro dá brilho na imagem por conta própria. Mas o cérebro também pode “entender'' que a imagem foi feita com luz intensa. Nesse caso, vai no sentido oposto e tenta “escurecer'' a imagem.
Para quem olha a foto do vestido e acha que ele é azul e preto, é que o cérebro, por conta própria, deu uma escurecida na imagem. Já para quem vê um vestido branco e dourado, o cérebro deu uma clareada na imagem.
Para entender melhor como é isso, montei o infográfico abaixo. Tirei três amostras de algumas regiões do vestido da foto. Na amostra da esquerda, marcada com um sinal (-), escureci a imagem, tirando brilho através de um software. A amostra do meio é a original, apenas um pedaço da foto, sem tratamento. Na amostra da direita, com um sinal (+), aumentei o brilho da imagem que ficou mais clara.
Note que o azul da imagem original, quando clareado, parece branco. Mas, quando escurecido, parece ser azul bem forte. Já o marrom original, escurecido, fica quase preto. Mas clareado lembra bastante um tom de dourado. O que eu fiz nas amostras acima, usando um software instalado no computador, é mais ou menos que o cérebro faz com a informação que recebe da retina via impulsos nervosos. O cérebro usa o próprio “software'' dele que, infelizmente, não vem com manual de instruções. E por isso mesmo nos prega peças!
Outra ilusão, e mais uma vez o cérebro nos enganando
A famosa ilusão de óptica abaixo mostra a silhueta de uma garota girando. Algumas pessoas juram que a garota gira no sentido horário. Outras, ao contrário, acreditam que o giro é no sentido anti-horário. Uma mesma pessoa, se desviar o olhar e voltar a olhar para a imagem, pode mudar de ideia!
O que o seu cérebro vê? Giro horário ou anti-horário?
A explicação é simples. Como se trata de uma silhueta, não conseguimos saber qual perna da garota (direita ou esquerda) está na frente . Essa informação é decisiva para sabermos se o giro é horário ou anti-horário. O cérebro, espertinho, sempre querendo saber e entender de tudo, arrisca uma resposta. E se baseia nela daí por diante.
No caso das cores do vestido, ao receber a imagem, na dúvida, o cérebro “chuta'' mais brilho ou menos brilho. Logo, a interpretação de diferentes pessoas para a mesma imagem, cada qual com o seu próprio cérebro, pode variar e criar um paradoxo!
Achei a desculpa perfeita para tirar a poeira do blog: vou pegar carona no vestido de cor ambígua (se não sabe do que estou falando, veja aqui já com resultado da enquete sobre o que as pessoas enxergam). Não, esta não será mais uma tentativa de explicar o que acontece do ponto de vista da ciência. Já há ótimas (e complementares) explicações aqui, aqui e aqui. Se ficar com preguiça de ler os textos, a resposta curta é: quem enxerga é o cérebro, não os olhos. E isso pode causar alguma confusão… Este vídeo tem um ótimo resumo (outro um pouco mais detalhado aqui):
Mas a real dúvida é: por que isso virou uma febre na internet? Só achei uma boa reflexão a respeito, no blog do psiquiatra Daniel Barros. Tive a mesma dúvida que ele e concordo com tudo o que ele colocou. Mas para mim a dúvida ainda persiste. Por que esse caso específico “bombou”? Há tantas figuras de ilusão visual, como a usada no vídeo acima para comparador (que é o mesmo caso desta outra) ou as várias outras apontadas nos textos linkados acima. Por que o efeito de manada se manifestou com essa história do vestido? O que tinha de especial aí para um monte de gente resolver prestar atenção nisso com ênfase bem diferente do que prestaria (se prestasse) atenção nos outros casos similares, também divulgados na internet? Ou seja, o que explica um viral na internet, qual a lógica disso, se houver alguma? Psicólogos e publicitários, por favor nos esclareçam!
Atualização: mais ilusões visuais de um jeito muito divertido! Vamos viralizá-las
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THE SCIENCE OF WHY NO ONE AGREES ON THE COLOR OF THIS DRESS
The original image is in the middle. At left, white-balanced as if the dress is white-gold. At right, white-balanced to blue-black.
The original image is in the middle. At left, white-balanced as if the dress is white-gold. At right, white-balanced to blue-black. swiked
NOT SINCE MONICA Lewinsky was a White House intern has one blue dress been the source of so much consternation.
(And yes, it’s blue.)
The fact that a single image could polarize the entire Internet into two aggressive camps is, let’s face it, just another Thursday. But for the past half-day, people across social media have been arguing about whether a picture depicts a perfectly nice bodycon dress as blue with black lace fringe or white with gold lace fringe. And neither side will budge. This fight is about more than just social media—it’s about primal biology and the way human eyes and brains have evolved to see color in a sunlit world.
Light enters the eye through the lens—different wavelengths corresponding to different colors. The light hits the retina in the back of the eye where pigments fire up neural connections to the visual cortex, the part of the brain that processes those signals into an image. Critically, though, that first burst of light is made of whatever wavelengths are illuminating the world, reflecting off whatever you’re looking at. Without you having to worry about it, your brain figures out what color light is bouncing off the thing your eyes are looking at, and essentially subtracts that color from the “real” color of the object. “Our visual system is supposed to throw away information about the illuminant and extract information about the actual reflectance,” says Jay Neitz, a neuroscientist at the University of Washington. “But I’ve studied individual differences in color vision for 30 years, and this is one of the biggest individual differences I’ve ever seen.” (Neitz sees white-and-gold.)
Usually that system works just fine. This image, though, hits some kind of perceptual boundary. That might be because of how people are wired. Human beings evolved to see in daylight, but daylight changes color. That chromatic axis varies from the pinkish red of dawn, up through the blue-white of noontime, and then back down to reddish twilight. “What’s happening here is your visual system is looking at this thing, and you’re trying to discount the chromatic bias of the daylight axis,” says Bevil Conway, a neuroscientist who studies color and vision at Wellesley College. “So people either discount the blue side, in which case they end up seeing white and gold, or discount the gold side, in which case they end up with blue and black.” (Conway sees blue and orange, somehow.)
We asked our ace photo and design team to do a little work with the image in Photoshop, to uncover the actual red-green-blue composition of a few pixels. That, we figured, would answer the question definitively. And it came close.
In the image as presented on, say, BuzzFeed, Photoshop tells us that the places some people see as blue do indeed track as blue. But…that probably has more to do with the background than the actual color. “Look at your RGB values. R 93, G 76, B 50. If you just looked at those numbers and tried to predict what color that was, what would you say?” Conway asks.
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So…kind of orange-y?
“Right,” says Conway. “But you’re doing this very bad trick, which is projecting those patches on a white background. Show that same patch on a neutral black background and I bet it would appear orange.” He ran it through Photoshop, too, and now figures that the dress is actually blue and orange.
The point is, your brain tries to interpolate a kind of color context for the image, and then spits out an answer for the color of the dress. Even Neitz, with his weird white-and-gold thing, admits that the dress is probably blue. “I actually printed the picture out,” he says. “Then I cut a little piece out and looked at it, and completely out of context it’s about halfway in between, not this dark blue color. My brain attributes the blue to the illuminant. Other people attribute it to the dress.”
Even WIRED’s own photo team—driven briefly into existential spasms of despair by how many of them saw a white-and-gold dress—eventually came around to the contextual, color-constancy explanation. “I initially thought it was white and gold,” says Neil Harris, our senior photo editor. “When I attempted to white-balance the image based on that idea, though, it didn’t make any sense.” He saw blue in the highlights, telling him that the white he was seeing was blue, and the gold was black. And when Harris reversed the process, balancing to the darkest pixel in the image, the dress popped blue and black. “It became clear that the appropriate point in the image to balance from is the black point,” Harris says.
So when context varies, so will people’s visual perception. “Most people will see the blue on the white background as blue,” Conway says. “But on the black background some might see it as white.” He even speculated, perhaps jokingly, that the white-gold prejudice favors the idea of seeing the dress under strong daylight. “I bet night owls are more likely to see it as blue-black,” Conway says.
At least we can all agree on one thing: The people who see the dress as white are utterly, completely wrong.
Pusemo-nos a destrinchar o processo da vida com nossas tesouras de pesquisa. Fomos do organismo para o órgão, do órgão ao tecido, do tecido à célula, até chegarmos à molécula de DNA em seu ambiente celular. Continuamos a picotar. Decompusemos o DNA. Decompusemos o ambiente. Com surpresa, descobrimos que a vida desapareceu. Para onde ela foi?
Schwartz, 1992
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Contribuições epistemológicas da abordagem
multirreferencial para a compreensão dos
fenômenos educacionais
João Batista Martins
Universidade Estadual de Londrina, Departamento de Psicologia Social e Institucional http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n26/n26a06.pdf
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Etnometodologia
multirreferencial: contribuições
teórico-epistemológicas
para a formação
do professor-pesquisador
Sílvia Maria Costa Barbosa*
Joaquim Gonçalves Barbosa**
O objetivo do presente texto é debater a importância da abordagem
multirreferencial no contexto da pesquisa na educação e
da formação do professor-pesquisador. Trata-se de uma proposição
instigante e audaciosa ao romper com os modelos
positivistas de realizar pesquisa nas ciências humanas e sociais.
De um lado, consideramos Jacques Ardoino, criador dessa abordagem,
que assume “a hipótese da complexidade, e até da
hipercomplexidade, da realidade a respeito da qual nos questionamos”;
de outro, somamos com as contribuições da etnometodologia,
numa perspectiva denominada etnopesquisa-crítica
por Roberto Macedo, com vistas a contribuir para a formação
do professor-pesquisador de modo a não engessá-lo em rígidas
posições teóricas e encaminhamentos metodológicos que o destituem
da condição de sujeito diante da prática na qual se encontra
imerso.
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Corpo, percepção e conhecimento em Merleau-Ponty
Terezinha Petrucia da Nóbrega
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Com base nos estudos da ciência da sua época, Merleau-Ponty interroga a respeito das análises sobre o
sistema nervoso e os postulados clássicos sobre a condução do impulso elétrico, sobre o circuito reflexo,
envolvendo estimulação e reação, sobre o campo perceptivo e sobre a questão da localização cerebral, sendo
insuficiente a correspondência pontual, própria da tradição atomista, entre o excitante, o mapa cerebral e a
reação. Essa revisão conduz a uma nova compreensão da percepção que se aproxima das ciências cognitivas
contemporâneas. Este artigo, fruto de um estudo teórico sobre a fenomenologia de Merleau-Ponty, tem como
objetivo apresentar essa revisão conceitual sobre a percepção, o diálogo com a arte e a ciência, configurando
noções e conceitos em torno de uma fenomenologia do conhecimento.
http://www.scielo.br/pdf/epsic/v13n2/06.pdf
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Contribuições de Merleau-Ponty para a Psicologia em “Fenomenologia da percepção” Maria Virginia Filomena Cremasco
Universidade Federal do Paraná
Apresenta sucintamente algumas contribuições para a Psicologia da tese de Doutorado de Merleau-Ponty de 1945, intitulada “Fenomenologia da Percepção”. Merleau-Ponty se propõe a descobrir as significações originárias como uma trajetória em direção à compreensão humana. Na sua proposta, a racionalidade é trazida à ciência, preservando o sujeito e o objeto, ou seja, encontrando no mundo de fato o que ele é e quais percepções podem ser confirmadas ou negadas. Merleau-Ponty recoloca a questão transcendental de Husserl, pois a partir do natural e do social, descobrimos a ambiguidade da vida, de estar ‘no’ mundo e sermos ‘do’ mundo; solicitados por ele e livre para escolhermos. Aponta-se contribuições para a psicologia baseadas na visão de Merleau-Ponty sobre a organização do campo perspectivo efetuada pelo corpo-sujeito em situação.
Palavras-chave: Fenomenologia; Psicologia; Crise das ciências.
Este ensaio consiste na prova teórica da autora para o Concurso para Professor Adjunto do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, em junho de 2002.
A SUBJETIVIDADE COMO CORPOREIDADE:
o corpo na fenomenologia de Merleau-Ponty
Alice Casanova dos Reis
A partir da constatação de que o homem está corporalmente
inserido no mundo, ou seja, de que suas relações com as outras
pessoas e com os objetos são mediadas primordialmente pelo
corpo, o presente trabalho tem como objetivo refletir sobre as
possíveis relações entre o corpo e a subjetividade, baseando-se na
fenomenologia de Merleau-Ponty. Para tanto, baseia-se
principalmente nas idéias do autor acerca do corpo que se
encontram na sua obra de maior repercussão: a Fenomenologia da
Percepção. São analisados os conceitos de corpo-vivido,
motricidade do corpo, corpo como expressão e corpo como obra de
arte, articulando-os à questão da subjetividade. Conclui-se que a
concepção de corpo em Merleau-Ponty desloca a subjetividade da
interioridade para a corporeidade, instigando-nos a repensar a
subjetividade como um processo aberto que se concretiza no
corpo, a partir das suas vivências, seus movimentos, suas
percepções, suas expressões e suas criações.
Palavras-chave: subjetividade, corpo, Merleau-Ponty.
Para vivir es necesario coraje. Tanto la semilla intacta como la que rompe su cáscara tienen las mismas propiedades. Sin embargo, sólo la que rompe su cáscara es capaz de lanzarse a la aventura de la vida. Esta aventura requiere una única osadía: descubrir que no se puede vivir a través de la experiencia de los otros, y estar dispuesto a entregarse. No se puede tener los ojos de uno, los oídos de otro, para saber de antemano lo que va a ocurrir; cada existencia es diferente de la otra.
No importa lo que me espera, yo deseo estar con el corazón abierto para recibir. Que yo no tenga miedo de poner mi brazo en el hombro de alguien, hasta que me lo corten. Que yo no tema hacer algo que nadie hizo antes. Déjenme ser tonto hoy, porque la tontería es todo lo que tengo para dar esta mañana; me pueden reprender por eso, pero no tiene importancia. Mañana, quién sabe, yo seré menos tonto.
Cuando dos personas se encuentran, deben ser como dos lirios acuáticos, que se abren de lado a lado cada una mostrando su corazón dorado, y reflejando el lago, las nubes y los cielos. No logro entender por qué un encuentro genera siempre lo contrario de esto: Corazones cerrados y temor a los sufrimientos.
Cada vez que estamos juntos, conversamos durante varias horas seguidas. Si pretendemos pasar juntos todo ese tiempo, es importante no tratar de esconder nada... y mantener los pétalos bien abiertos.