Mais uma das grandes polêmicas instauradas por Lacan. Polêmica que tentarei transmitir a partir do que pôde ser transmitido a mim por Ana Laura Prates ao longo dos anos em que me deito em seu divã, sem o que, todo meu estudo não teria servido para nada.
O sujeito encontra seu lugar num aparelho simbólico pré-formado que instaura a lei na sexualidade. E essa não permite mais ao sujeito realizar sua sexualidade senão no plano simbólico. É o que quer dizer o Édipo, se a análise não soubesse disso, ela não teria descoberto absolutamente nada. (LACAN, As psicoses, 1955-56)
O que está dito aí, é que não se trata mais de um simples fenômeno natural de copulação. Quando dois humanos se relacionam, o que está em jogo não é o instinto, mas a representação simbólica dessa origem instintual, aquilo a que os psicanalistas chamam de pulsão. Trata-se de dizer que a experiência humana da sexualidade está sempre submetida a uma interdição, ou seja, que não pode ser realizada de maneira direta, que é necessária uma representação simbólica que possa distanciar o humano de experimentar diretamente o mundo, é necessário um aparato muito pessoal, singular, para experimentar o mundo sem enlouquecer, ou perder-se num gozo letal. E essa maneira singular é construída nas tramas da linguagem, é escrava do significante. O significante não é feito para as relações sexuais. Desde que o ser humano é falante, está ferrado, acabou-se essa coisa perfeita, harmoniosa, da copulação. (LACAN, O avesso da psicanálise, 1969-70)
O humano não é capaz de viver seu gozo nas relações sem uma mediação da palavra, sem fazer disso um discurso, sem montar todo um aparelho para gozar apoiado na linguagem. E não se trata apenas de dizer do ato sexual, mas das relações de amor em geral. O que Lacan nos mostra é que não há nenhuma possibilidade de completude. Não existem tampas e panelas.
Quando Lacan falou das diferenças entre uma posição masculina e feminina, inaugurou um problema absolutamente sem solução. Conseguiu situar logicamente a maneira pela qual o sujeito constrói sua posição na partilha dos sexos precisando, nesse processo, renunciar ao gozo e entrando no campo do desejo (lembrando que em lacanês, desejo = falta).
No psiquismo não há nada pelo que o sujeito se pudesse situar como ser macho ou fêmea (…) o que se deve fazer como homem ou como mulher, o ser humano tem sempre que aprender, peça por peça do Outro. (LACAN, 1989, livro 11: 197)
Aqui, é necessário lembrar que a experiência com o Outro é sempre a construção mítica de um equívoco. Trata-se de uma maneira bastante única, de uma perspectiva absolutamente singular, por meio da qual apreendemos o contato com o mundo e damos alguma significação ao contato com isso. Significação que não encontrará nenhum par, jamais, por ter sido construída de um lugar absolutamente ímpar.
Mas é óbvio que esse é justamente o maior drama humano. Aquele capaz de levar aos mais profundos estados de angústia. Aquele que provoca a mais severa sensação de desespero. Esse é o motivo pelo qual todo humano vai precisar escolher uma posição em sua paixão (pathós) para lidar com a vida, para fugir dessa encruzilhada.
Assim se constrói uma Neurose (não apenas) que no fim das contas impede o sujeito de amar. Que vai tentar reconstruir na fantasia a relação sexual que é impossível. E daí surgem todos os grandes e excruciantes mal-entendidos dos quais tratamos quando alguém nos procura.
Mas não se trata de uma teoria do fim, da desesperança. O caminho de uma análise é justamente a travessia dessa fantasia fundamental. Travessia nos dois sentidos: quando o sujeito a atravessa, é atravessado por ela – que o corta ao meio. Mas ao abandoná-la poderá amar… não completamente, pois não se trata de completude, mas sinceramente, sem a necessidade de recusar limites.
*Referências retiradas do livro “Feminilidade e Experiência Psicanalítica” de Ana Laura Prates.
Em um dos momentos mais inspirados de Esculpir o Tempo, Tarkovski diz que a responsabilidade do diretor de cinema é dar aquilo que o público precisa – mesmo que ele não saiba. É enfrentar a ideia de que o cinema existe apenas para divertir ou produzir um afastamento da vida cotidiana que – muito equivocadamente – achamos que conhecemos bem.
Dar relevo àquilo do mundo que se oculta: limites morais, preconceitos tão antigos quanto naturalizados, regras e práticas de convívio social que subalternizam o outro. Talvez esta seja uma das responsabilidades sociais do cinema. Que horas ela volta?, de Anna Muylaert, dialoga com essa responsabilidade.
Tarkovski também diz que os objetivos do cinema não podem ser meramente utilitários e pragmáticos: fazer rir, fazer chorar, fazer pensar. O efeito sobre o público e a sociedade é sempre mais complexo e profundo do que esses termos admitem.
Um filme dirigido por uma mulher e que gira em torno de três protagonistas mulheres: patroa, empregada e sua filha. Numa coversa por telefone, Anna Muylaert me disse que não pretendia fazer um filme feminista, mas que agora se dá conta de que fez: “as mulheres são protagonistas do filme, o que já é raro num universo de personagens masculinos, em que mulheres idealizadas por homens fazem as suas secretárias, amantes…”.
Nos bastidores das Vaquejadas, Iremar prepara os bois antes de solta-los na arena. Levando a vida na estrada, o caminhão que transporta os bois para o evento é também a casa improvisada de Iremar e seus colegas de trabalho: Zé, seu parceiro de curral, e Galega - dançarina, motorista do caminhão e mãe da audaciosa Cacá. Juntos, eles formam uma família improvisada e unida.
O cotidiano é intenso e visceral, mas algo inspira novas ambições em Iremar: a recente industrialização e o polo de confecção de roupas na região do semiárido nordestino.
Deitado em sua rede na traseira do caminhão, sua cabeça divaga em sonhos de lantejoulas, tecidos requintados e croquis. O vaqueiro esboça novos desejos.
A vida numa rua de classe-média na zona sul do Recife toma um rumo inesperado após a chegada de uma milícia que oferece a paz de espírito da segurança particular. A presença desses homens traz tranqulidade para alguns, e tensão para outros, numa comunidade que parece temer muita coisa. Enquanto isso, Bia, casada e mãe de duas crianças, precisa achar uma maneira de lidar com os latidos constantes do cão de seu vizinho. Uma crônica brasileira, uma reflexão sobre história, violência e barulho.
Dramaturgia mínima, emoção máxima. São assim os filmes do cineasta cearense Karim Aïnouz, entre os quais está O Abismo Prateado. Exibido pela primeira vez há exatos dois anos, no Festival de Cannes de 2011. O Abismo Prateado traz Alessandra Negrini em sua melhor performance no cinema. O tema é o mesmo de Viajo... e também de O Céu de Suely (2005): o abandono. A trama de O Abismo... se passa em um dia, quando Violeta (papel de Alessandra), uma dentista de 40 anos da Zona Sul do Rio, casada e com um filho adolescente, recebe um recado na secretária eletrônica. É o marido (Otto Jr.), com quem ela vinha mantendo uma relação aparentemente estável, do ponto de vista sexual inclusive, dizendo que não a ama mais e que vai embora para Porto Alegre.
Jotuomba é uma cidade fictícia, ambientada no Vale do Paraíba, onde nos anos 30 grandes fazendas de café faliram e cidades antes ricas se tornaram quase fantasmas. Lá vive Madalena, a velha padeira, presa à memória de seu marido morto e enterrado no único cemitério da cidade, hoje trancado. Rita, uma jovem fotógrafa, chega à cidade e pouco a pouco modifica o cotidiano de Madalena e da vila.
As discussões sobre nossa Língua Portuguesa sempre suscitaram muitas questões que, na maioria das vezes, não puderam ser respondidas com precisão ou sem levar em conta idiossincrasias pessoais e de um momento histórico. Acontece que toda discussão da língua é uma meta-discussão que inclui em si as impossibilidades da própria. De qualquer forma, sempre me interessou a relação que temos entre gramática, uso comum e diferenças com o português de Portugal. O linguista Marcos Bagno, no livro Português ou Brasileiro?, questiona se ainda falamos português ou já podemos dizer que somos falantes e viventes de uma língua “brasileira”. Questões teóricas à parte, o que se pode dizer é que a língua é sempre viva e deve ser celebrada por aquilo que ela manifesta: a cultura, a música, a arte, o pensamento, enfim, as subjetividades.
Para isso, resolvi analisar passo a passo a canção Língua de Caetano Veloso, a fim de esmiuçar diversas questões sobre nossa língua mãe nela expostas. Como metodologia, a matéria seguirá assim: cito a letra de Caetano e embaixo faço a breve análise referente ao trecho.
Antes de ler a matéria, seria interessante que se você conferisse a canção. Ouça aqui:
Língua
Caetano Veloso
Gosta de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
A canção começa, não por acaso, com a palavra “gosto”, que pode remeter também ao gostar no sentido comum, de ter preferência por algo, como também do sentido do paladar – língua como parte do corpo e não como apenas linguagem, objeto da fala, o que é criado no horizonte de expectativa criado pro Caetano.
Gostar de roçar a língua de Luís de Camões é quase uma celebração sexual do encontro das duas pontas de nossa língua: a falada pelo poeta português escritor d’OsLusíadas, principal formatador do que conhecemos como Língua Portuguesa, com aquilo que se tem de mais contemporâneo: a música popular e a língua do rap.
Gosto de ser e de estar
Gostar de ser e de estar é se ver diferente, e quem sabe melhor, do que a Língua Inglesa onde o verbo to be concentra os dois em apenas um. Enquanto ser remete a uma permanência, a uma possibilidade de essência, o estar é uma posição transitória, um estado, coisas que não podem ser expressas, pelo menos não com nossa precisão pela língua anglo-saxã.
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia E uma profusão de paródias Que encurtem dores E furtem cores como camaleões
Eis a função do poeta: confundir prosódias, ou seja, tipos de fala, sotaques, ritmos, acentos, misturando tudo em um amálgama poético. Profundir paródias, também uso do poeta, está ligado ao fato do Caetano, entre outras coisas, se utilizar do rap para contar sua história da língua.
A paródia é um termo grego que vem de para – ao lado (paralela) e odes(canto), então uma paródia é uma forma de cantar ao lado, que se refere ao original, mas transforma-o, muitas vezes ironiza-o. No caso de Língua, Caetano canta ao lado de um estilo fixo – o rap – o seu rap celebração, cuja função seria, segundo ele, encurtar as dores e furtar as cores (quem não se lembra daquelas réguas furta-cor que usávamos na infância?), como um camaleão.
Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa
Aqui temos a utilização dupla dos substantivos: Pessoa – Fernando Pessoa e Rosa – Guimarães Rosa, ambos sendo, ao mesmo tempo pessoas e rosas.
E sei que a poesia está para a prosa Assim como o amor está para a amizade E quem há de negar que esta lhe é superior?
A relação entre amor e amizade foi muito explorada no decorrer da nossa história. Segundo Aristóteles, a amizade é superior ao amor porque dela se extrai uma relação moral, ou seja, existe nela uma incondicionalidade da bondade, diferente do pathos do amor que gera uma espécie de cegueira e engano no amador. É por isso que Caetano afirma, nesse ponto, que a poesia está para prosa assim como o amor está para a amizade: a prosa é controlada, moral, útil enquanto a poesia é o extravasamento do sentimento, mesmo que isso represente um fato “imoral”.
E deixe os Portugais morrerem à míngua “Minha pátria é minha língua” Fala Mangueira! Fala!
“Minha Pátria é minha língua” é uma frase do poema do O Livro do Desassossego de Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa, no qual ele diz que seu apego não está ligado à nação, à pátria como um território, uma terra, que tudo isso lhe pode ser retirado, mas sua língua é sua grande referência de sentimento nacional, de pertencimento. Por isso, em língua,“minha pátria é minha língua” se resume apenas em “Fala Mangueira”, para dar voz à nossa voz.
Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó O que quer O que pode esta língua?
Última Flor do Lácio é como ficou conhecida nossa Língua Portuguesa. As línguas neolatinas são todas conhecidas como línguas do “lácio”, região europeia. O termo chega até nós pelo poema de Olavo Bilac, lembrando que o português é chamado de inculto justamente por que vem do latim vulgar:
“Última flor do Lácio, inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura”
Sambódromo é uma das palavras mais recentes do português, criação tipicamente brasileira que mistura samba – de origem africana – e o sufixo dromos – do grego, lugar onde se corre (autódromo, kartódromo).
Flor do Lácio Sambódromo é contar a história de nossa língua em uma linha.
Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas E o falso inglês relax dos surfistas Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas!
A sintaxe dos paulistas é conhecida por grande parte de nossa população, por isso vou dar apenas um exemplo: aquela parte italianada, principalmente da Mooca que se utiliza de frases como: Mas vê se não ME pega uma gripe! Mas vê se não ME fica na chuva! Esse “me” sem função sintática, apenas de cunho enfático representa bem aquilo que Caetano tentou dizer.
O falso inglês relax dos surfistas é aquele do: “po brother…coé…mó vibe…”. Precisa dizer mais?
Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate E – xeque-mate – explique-nos Luanda Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Quem não conhece, devia conhecer a dicção que Caetano destaca de Carmem Miranda. Ela possui uma forma única de cantar, apressada, silábica, rítmica, percussiva, apenas alguns dos motivos que fizeram os americanos se apaixonarem pelo seu canto.
A questão é que, de certa forma, ficamos “mirandados”, ou seja, mesmo que Carmem negue, ficamos “americanizados” e foi preciso um Chico Buarque nos trazer de volta para África – e o fez – com a canção Morena de Angola que nos religa, definitivamente, com Luanda, apesar da televisão afirmar e tentar nos criar para o contrário.
Sejamos o lobo do lobo do homem Lobo do lobo do lobo do homem
Thomas Hobbes afirmou que “o homem é o lobo do homem” para dizer que somos nossos próprios algozes e agentes de nossa própria destruição, e, de certa forma, servimos de alimento a nós mesmos. O movimento antropofágico brasileiro, a partir do manifesto de Oswald de Andrade, se utiliza do conceito que Caetano resignifica na canção: ser o lobo do lobo do lobo do lobo do homem…
Trata-se de um movimento espiral e infinito de se alimentar de todas as culturas, manifestações, estilos e proposições culturais, incorporá-las e transformá-las para nosso contexto. Se o homem é o lobo do homem é preciso, então, comer o lobo e comer o homem.
Adoro nomes Nomes em ã De coisas como rã e ímã Ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã
Adorar os nomes em ã tem a ver com o fato de que o til, o som nasal na vogal A fazendo um Ã-AN como diferença estrutural é uma das características principais do português. Adorar nossa língua é, por fim, adorar nosso til.
Nomes de nomes Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé e Maria da Fé
Quem não conhece ninguém que tenha um nome baseado em um nome de outra pessoa? Scarlet Moon de Chevalier éScarlet Moon, uma brasileira – de Chevalier – esposa de Lulu Santos falecida há pouco tempo. Glauco Mattoso é o poeta concreto que tem esse nome porque tinha um glaucoma que poderia matá-lo. Maria da Fé – é de nossas eternas Marias com nomes filhotes da mãe de Jesus! Eis a formação dos nomes brasileiros com seus Allain Dellons da Silva, gêmeas Grace e Kelly, entre outros.
Se você tem uma ideia incrível é melhor fazer uma canção Está provado que só é possível filosofar em alemão
Como a filosofia tradicional é, em geral, toda alemã, cria-se uma ideia de que aqui não se faz filosofia. Creio que faz, mas uma filosofia ainda mais intensa como a dessa canção que agora analiso. Concordo com Caetano: se tiver uma ideia incrível – faça uma canção e deixe as filosofias para a Alemanha, afinal, algumas violências vieram justamente dessas filosofias.
Blitz quer dizer corisco Hollywood quer dizer Azevedo E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo
Atualmente esses termos como Blitz ou Hollywood já foram incorporados em nossa língua, mas é possível em alguns dicionários antigos realmente ver que a cidade dos filmes americanos vem de uma palavra que era traduzida aqui como “Azevedo”. Não consegui achar o motivo, não há registros, mas só a menção numa canção já é um registro, ou não?
A língua é minha pátria E eu não tenho pátria, tenho mátria E quero frátria
A pátria, pelo termo, vem daquele que é nosso pai. Assim, a língua, representante da pátria seria uma espécie de pai. Entretanto, conhecemos o português como “Língua mãe” e até nosso país é mãe até em nosso hino:“dos filhos desse solo, MÃE gentil, pátria amada, Brasil.”
No entanto, tanto a imagem do pai como da mãe, desde as questões freudianas até as foucaultianas são palco de traumas e poderes. Caetano, então, propõe que a língua seja frátria – irmã – e que esteja ao lado, não por cima, numa hierarquia.
Poesia concreta, prosa caótica Ótica futura Samba-rap, chic-left com banana (- Será que ele está no Pão de Açúcar? – Tá craude brô – Você e tu – Lhe amo – Qué queu te faço, nego? – Bote ligeiro! – Arigatô, arigatô!)
Caetano aqui aponta nossos usos e nossos futuros: por um lado uma poesia concreta e uma prosa caótica, ao lado de um samba-rap, ritmo da própria canção que ele fez, e de outros vários usos da nossa língua pelo nosso povo das maneiras mais diversas, misturando inglês, vozes verbais, mudando inclusive o uso dos pronomes.
Nós canto-falamos como quem inveja negros Que sofrem horrores no Gueto do Harlem Livros, discos, vídeos à mancheia E deixa que digam, que pensem, que falem.
E para finalizar, nossos invejosos daqui das línguas de lá, querendo imitar os americanos e seu jeito medíocre e quase tribal de falar (uma língua de apenas justaposições, sem nada de arco-íris, apenas arcos de chuva [rainbow]). Enfim, inveja essa para quê?
Sendo assim, que fale nossa canção, que fale Jair Rodrigues: deixa que digam, que pensem, que falem.
Língua e Escrita Árabe Where Latin and Arabic Meet: A Bridging of Two Alphabets BY ELISSA LERNER
Graphic designers often hope to express the power of communication through their work, but not many attack the project as literally as the Lebanese designer Rana Abou Rjeily does. She has created Mirsaal, a typeface family expressly designed to work in both the Latin and Arabic alphabets, which she presents in her new book,“ .”In Mirsaal, the calligraphic Arabic alphabet is rendered in a detached-print type that reads more similarly to the Latin print alphabet, reviving twentieth-century attempts to create an Arabic more legible to Westerners. But “Cultural Connectives”is more than just a typographer’s specimen. Rjeily’s commitment to bridging culture through design is evident on every page. Though detaching the Arabic letters from their script may initially strike some as Westernizing an Eastern alphabet, Mirsaal also notably “orientalizes the West”: Rjeily plays with the weights and shapes of Latin letters to unveil a few obscure secrets of our alphabet as well, such as how the ampersand was developed. An interview with Rjeily, who managed to find time to chat with me between teaching typography classes at Notre Dame University in Lebanon, follows a slide show of images from the book (click to enlarge). Arabic and Latin alphabet world distribution. How did you decide on the name Mirsaal? The name came from the idea that this font has a mission to simplify Arabic and make it understandable to non-Arabic speakers.The original name of the typeface was Jameel, which means “beautiful” but after years of revision,I found it wouldn’t do, it had to be more meaningful.I finally settled on Mirsaal because it means “messenger” or “mail”in Arabic.The typeface and the book are a message that I’m simply sending Cultural Connectives (www.culturalconnectives.com) VIEW FULL SCREEN or “mail”in Arabic.The typeface and the book are a message that I’m simply sending out to the world! I got lots of tweets around my book, amazingly one of them said “Cultural Connectives world peace through typography!” What are your plans for distributing or selling your font? Are any publications or schools starting to use it? Mirsaal consists of Arabic regular and bold and Latin regular and bold.I first conceived this typeface for the sole purpose of the book, which is to introduce Arabic. But since there is a growing demand, it will soon become available through a type foundry.I will announce it on the when it’s ready. What kind of response have you received from the Arabic print community? Has anyone found it difficult to adjust to reading detached Arabic? Mirsaal Arabic is a very well-studied font in terms of shapes and balance; I’ve only gotten positive feedback about the design so far. Arabic speakers might need a little time to get used to Mirsaal, but after reading a few lines the reading becomes natural. Mirsaal’s letters are simple yet still strongly connected to existing Arabic letter structure. Mirsaal is a controversial typeface when it comes to using it in schools. Many people involved in education believe that a detached font is not right for teaching children, because originally Arabic is cursive.I am not looking to change this,I’m just trying to show other possibilities for making Arabic type accessible to people trying to learn the language, especially for speakers whose first language is not Arabic. What kind of response have you received from the English/Latin-alphabet-reading community? “Cultural Connectives”was published in New York, by Mark Batty, and distributed worldwide from America to Europe and the Middle East.The book targets mostly non-Arabic speakers, designers, and typographers interested in learning the basics of Arabic type and script.The book touches on notions like script direction, vowels, and justification in an innovative way by applying the rules of Arabic to Latin. For example, in one of my favorite pages from the book,I write “Bablo Bicasso”to explain how in Arabic the sound “P”is missing and is replaced by the letter “Beh”the equivalent of the letter “B”in English; a simple example illustrating my approach of comparison in the book.This approach is really simple, but it serves the purpose very well. Readers seem to be enjoying this comparative approach.I am getting a lot of e-mails, tweets, and mentions about the book from every corner of the world. People are appreciating the subject of the book and are expressing interest about the approach. It’s now easier for them to touch on the basic shapes of Arabic letter forms through an enjoyable visual exploration.I have also been asked on several occasions to translate book’s Web site (http://rana.im/2011/03/06/cultural-connectives/) enjoyable visual exploration.I have also been asked on several occasions to translate the book into French and Spanish, which could be a future plan since I am familiar with both languages. Has anyone attempted to formalize a detached Arabic before? You mention Khattar’s Unified Arabic in your intro—is that in use today? Yes, in my book I mention two major attempts to formalize detached Arabic: the first by Nasri Khattar’s Unified Arabic and the second by Cecil Hourani and Mourad Boutros’s Basic Arabic. Boutros created Tasmeem, a font in which each letter of the Arabic alphabet has a single letter shape, no matter where it stands in a word. Mirsaal, just like Tasmeem, can be used first in a cursive mode (connected), or used in an unconnected version (where the distance between the letters will be bigger to the point where the letters do not touch anymore) resembling Latin typography. Nowadays,Tasmeem and Mirsaal are available for purchase as well as other disconnected fonts. Detached Arabic is not an alien concept anymore; we can even find a lot of Arabic logos designed with detached letters and they still are beautiful and legible. I came across describing a study about how the brain reads Arabic words differently than other languages—notably, how native Arabic readers read most efficiently when they focus on the words at their center. I was wondering whether you think these findings are, or are not, in line with your approach to your book and your design. This study clearly points out the causes of the difficulties I mention in my book. But I was more concerned with simplifying Arabic from a typographic and visual point of view. Reading and studying Arabic is obviously related to the direction of reading, the form of the script, and the structure and grammar of the language as the article mentions. Mirsaal only addresses the issue of the script form.The purpose of the book was not to directly affect or change Arabic readings methods. What other projects do you have on your horizon? I have been planning on doing a Ph.D. but I am taking some time off now.I’m rather concentrating on designing my own Arabic fonts and teaching typography.I love the message that “Cultural Connectives”is sending out, and I hope to develop further projects with the same message of “bridging cultures,” but this time with a group of people from other disciplines.I also started researching Japanese and Chinese scripts which I find fascinating.I am looking into the possibility of creating another book explaining the Chinese writing system in a simplified way. Any future project will be announced . this short article (http://www.sciencedaily.com/releases/2011/05/110518080109.htm) on my Web site (http://rana.im/)
From the Publisher. Cultural Connectives presents Arabic from a fresh perspective by bridging Arabic and Latin scripts through Mirsaal, a family of typefaces designed by Rana Abou Rjeily that brings the two scripts into typographic harmony, even in light of their differences. Using her designs, Abou Rjeily applies Arabic rules of writing, grammar, and pronunciation to English as a way to introduce Arabic to non-native speakers.
http://rana.im/cultural-connectives/ Published by Mark Batty Publisher, 'Cultural Connectives' presents Arabic from a fresh perspective and explains basic differences between the Arabic and Latin scripts through Mirsaal, a family of typefaces designed by the author.
The author Rana Abou Rjeily holds a BA in Graphic Design from Notre Dame University and an MA in Visual Communication from Central Saint Martins, London. She now works as a graphic and type designer and is interested in researching and developing the tradition of simplifying Arabic.
About the book
When it comes to learning and understanding Arabic, the letterforms can be daunting, but realizing the differences between the Arabic and Latin alphabets is necessary. Cultural Connectives presents Arabic from a fresh perspective by bridging Arabic and Latin scripts through Mirsaal, a family of typefaces I designed that brings the two scripts into typographic harmony, even in light of their differences. I have then applied Arabic rules of writing, grammar, and pronunciation to English as a way to introduce Arabic to non-native speakers.
As an introduction to written Arabic this book is invaluable; as a means to dissolve cultural barriers, this book utilizes two very different alphabets in the name of creating understanding on many levels.
Page Count: 112 pages
Publisher: Mark Batty Publisher
Size: 7 x 9 inches
Format: Casebound w/dustjacket
Publication Date: February 2011
ISBN: 978-1-9356131-3-8
- - - O estudo da linguagem em seu contexto social: um diálogo entre Bakhtin e Labov
The study of language in social context: a dialogue between Bakhtin and Labov
Cristine Gorski Severo
UFGD
RESUMO
Apesar de os dois teóricos sociais da linguagem, Bakhtin e Labov, serem oriundos de tradições diferentes – filosófica e empírica, respectivamente –, o artigo mostra a comparabilidade das duas abordagens, em termos de aproximações e distanciamentos, em relação aos seguintes aspectos: (i) "teoria sociológica"; (ii) metodologia de pesquisa e visão de sujeito; (iii) variação/mudança lingüística e variação estilística; e (iv) relação estabelecida entre língua, sociedade e identidade. Conclui-se que uma abordagem que articule as duas teorias é viável desde que a concepção de língua adotada relacione, intrinsecamente, o funcionamento da língua, a questão da identidade e o mundo social.
O programa conta quem foi Lev Vigotski e quais são as idéias que influenciaram o pensamento sobre educação, principalmente sobre o desenvolvimento da linguagem.
Animação que mostra a vida e a obra do linguista suíço Ferdinand de Saussure (1857-1913), cujas elaborações teóricas permitiram o desenvolvimento da linguística como ciência.
Programa da disciplina Educação e Linguagem, mostra as diferenças da Língua Portuguesa nos diversos países em que é falada, as influências que recebeu de outras línguas e as transformações pelas qu...
Programa da disciplina Educação e Linguagem, mostra as diferenças da Língua Portuguesa nos diversos países em que é falada, as influências que recebeu de outras línguas e as transformações pelas qu...