quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A "crise da representação" na democracia, na imprensa, na educação etc...

"O problema de Berlusconi é o problema da representação. O dinheiro e a comunicação dominam a democracia e as possibilidades de expressão. Não é um problema só da Itália. Berlusconi se tornou a caricatura de uma crise geral da democracia e da representação. É preciso encontrar novas formas de participação. Enquanto não resolvermos isso, teremos crises continuamente."

http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2011/11/12/antonio-negri-discute-protestos-populares-de-eua-europa-mundo-arabe-416165.asp

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Roland Barthes e o punctum crítico

Roland Barthes e o punctum crítico :
uma arqueologia da crítica barthesiana

Voltado para a obra de Roland Barthes, este artigo pretende investigar as revoluções críticas deflagradas pelo autor e sua incidência sobre a indústria cultural.

Embora seja principalmente um fino crítico literário, Roland Barthes, até porque surge como o primeiro homem dos signos, é também um pensador da cultura das mídias, aquele que se lança numa semiótica da “fala” da cultura. 
"O que é um mito, hoje? Darei desde já uma primeira resposta, muito simples, que concorda plenamente com a etimologia: o mito é uma fala (...) Naturalmente não é uma fala qualquer. São necessárias condições especiais para que a linguagem se transforme em mito, vê-lo-emos em breve. Mas o que se deve estabelecer solidamente desde o início é que o mito é um sistema de comunicação, é uma mensagem. Eis porque não poderia ser um objeto, um conceito, ou uma idéia: ele é um modo de significação, uma forma.” (Barthes, 1982:131)
Para a realização do trabalho, trata-se de percorrer toda a obra do autor, imensa contribuição a um só tempo poética e crítica, de modo a recortar nela a vigorosa parcela de comentário crítico das mídias que aí se encerra. Note-se, a propósito, que tal parcela só faz aumentar conforme vão sendo editados os textos póstumos de Barthes, que não cessam de nos chegar às mãos. 
A essência deste percurso fica talhada nas impressões que Barthes me causou como leitora e, portanto, na condição de escuta crítica em que me colocou no instante em que o li pela primeira vez. Volto-me a ele, antes com o desejo de que os fundamentos de suas inovações possam atravessar (como um punctum sofisticado), a crítica da indústria cultural na contemporaneidade, que como espectadora nostálgica de uma belle èpoque do espírito crítico. 


"Em cada signo dorme este monstro: um estereótipo" (Barthes, 1977:55)
É fundamentado nestas palavras que Roland Barthes desenvolve toda sua trajetória crítica que é, convém lembrar, original, subversiva, e antes de mais nada um pacto com a capacidade de se surpreender dentro de um mesmo assunto: a linguagem.
Emergindo num momento histórico em que os meios de comunicação de massa e a ideologia burguesa instalavam-se e alimentavam-se irreversivelmente, Barthes lança-se no exercício de uma crítica-escritura pautada na desconstrução do inefável: a naturalização da cultura. 
E é pelo caminho de uma suspeita sistemática da linguagem que ele se pretende: desmascarando os estereótipos, deslocando-se pelos campos mais diversos com rara destreza, e apropriando-se - em pleno exercício de guerra contra a doxa - de suas ferramentas semiológicas, tomadas do estruturalismo.
Sem a ingenuidade de acreditar a linguagem fora de qualquer ideologia -"Toda língua é fascista" (Barthes, 1977:35) - Barthes é um samurai que advém de "um estrangeiro extremo - um não-lugar utópico - em seu voô figural" (Motta,1997: 176) a explodir as bolhas retóricasproduzidas pela cultura.
Esta capacidade de desnudar o jogo de constrangimento a que estamos submetidos, uma vez que inseridos nos discursos, torna Barthes um autor fundamental quando se pensa em crítica da indústria cultural. É este o recorte que mobiliza este trabalho, e como tal, se justifica.

         Mitologias
     Esta análise estrutura-se fundamentalmente na definição que Roland Barthes faz de mito e nas estratégias semiológicas adotadas por ele no exercício de desmontagem desses enunciados. 
Para Barthes "O mito é uma fala” (Barthes:1982,131) e, como tal, trata-se de um sistema de comunicação. Ele está portanto, fatalmente imbuído de uma historicidade, pois é uma "fala"  inventada pela cultura: portanto isento de naturalidade e consequentemente advindo de uma formalização.
"A fala mítica é formada por uma matéria já trabalhada em vista de uma comunicação apropriada: todas as matérias-primas do mito, quer sejam representativas quer gráficas, pressupõem uma consciência significante, e é por isso que pode raciocinar sobre eles independentemente da sua matéria. Esta, porém, não é indiferente: a imagem é certamente mais imperativa do que a escrita, impõe a significação de uma só vez, sem analisá-la, sem dispersá-la (...) Isto não quer dizer que se deva tratar a fala mítica como a língua: na verdade, o mito depende de uma ciência geral extensiva à linguagem, que é a semiologia."(Barthes: 1982,133)
Na semiologia que Barthes propõe - em franca interação com a linguística de Saussure -, há três registros de que o mito se apropria: significante, significado e signo. É do engendramento destes conceitos que enunciam-se as operações semiológicas para uma leitura do fenômeno mitológico.
Dentro desta perspectiva, o mito, tido como um sistema em sua especificidade, advém como um segundo sistema semiológico - já que engendra-se apoiado num a priori da tridimensionalidade semio-linguística, que existe antes dele. Trata-se pois, de um deslocamento entre dois sistemas: um sistema linguístico (linguagem-objeto) donde o mitoapóia a sua arquitetura; e o próprio mito que Barthes chama de metalinguagem, já que é uma língua que fala de outra língua (a primeira).
Assim, ao decifrar um mito, a semiologia atém-se ao signo, ou seja, interessa menos a estrutura linguística que a enunciação total que se dá a partir dali. É o signo tomado comosignificante. Ciente da ambiguidade que esses termos podem carregar em seu trânsito - da linguística para a semiologia -, Barthes adota três terminologias: sentido (significante), conceito (significado) e significação (signo).
O mito deve ser apreendido pois, como inflexão.
É assim que ele instrumentaliza suas leituras críticas. É esta a sua primeira denúncia: a transformação da história em natureza, o roubo que o mito faz da linguagem, ou seja, o mito como "uma fala excessivamente justificada" (Barthes:1982,151). 


           Uma arqueologia da crítica barthesiana: contextualizações
                   "É no interior da língua que a língua deve ser combatida, desviada: não pela mensagem de que é o instrumento, mas pelo jogo de palavras de que é o teatro." 
(Barthes, 1977:25)
Se a filosofia oriental - cara a Roland Barthes em seus últimos anos - evoca a estadia mítica do significante, então ela já estava lá, desde o princípio:  na fruição do não-lugar  em que se instala pela infância assinada numa ausência -  a do pai - e numa presença - a da mãe.
"Não se encontrarão pois aqui, mescladas ao romance familiar, mais do que as figurações de uma pré-história do corpo - desse corpo que se encaminha para o trabalho, para o gozo da escritura.” (Barthes, 2003:14)
Da primeira infância solitária passada em Bayonne, com a mãe, temos encenada a cosmogonia sensível das suas criações. Já em Paris, Barthes adolescente envolve-se no mundo das letras e do teatro. Os anos seguintes são desenhados pela internação em um sanatório (tuberculose) período em que mergulha apaixonadamente em Sartre e Marx. A saúde precária impede-o de seguir a Universidade, o que o ata ao jornalismo. 
Estas marcas, instituídas como falta, dão contorno ao desejo de reconhecimento que passa a mover sua produção. Seus primeiros textos são publicados no período que vai de 1947 a 1959 e aí encontramos um Barthes politizado, marcado pela sociologia e pelo formalismo. 
É com O grau zero da escrita (1953) que ele inicia sua obra, inaugurando ali um diálogo com as questões estruturalistas que vão ancorar, durante um tempo, conceitos fundamentais da sua obra: a definição de uma realidade formal para além do estilo ou da língua, ou a linguagem como fim em si mesma. Trata-se de nomear um antes, um ponto nodal, o zero, de onde emana a composição subjacente do texto. 
Este livro contém o gérmen da palavra crítica barthesiana. É aqui que ele introduz um primeiro filigrama que denuncia alienações construídas pela ideologia, começando pelo próprio conceito de escrita. Ou seja, neste momento, o gesto que lhe é tão peculiar (desmascarar as armadilhas da doxa – a opinião verdadeira) está focado na literatura, lugar que será partilhado por uma multiplicidade de objetos que serão submetidos ao enviezamento da sua escritura ao longo da sua obra.
Mas é em Mitologias (1956) que ocorre a primeira revolução crítica barthesiana. Durante dois anos ele envia artigos mensais para Les Lettres Nouvelles: é aqui que ele inventa a crítica da cultura de massa e passa a denunciar, mensalmente, através de uma refinada (e deliciosa) desconstrução dos sentidos, os mitos consumidos invariavelmente pela sociedade francesa daquele momento.
Mitologias reúne estes artigos e ganha uma segunda parte O Mito hoje, que introduz o seu programa semiológico - onde há um Barthes enamorado pela linguística de Saussure. Segundo François (123), Barthes alimenta-se do conceito de sincronismo e assim traça uma primeira ruptura com a idéia de temporalidade, ainda presente em O grau zero da escrita. Incorpora, daí por diante, o conceito de espacialidade, viés que caracterizará boa parte de sua obra vindoura.
É claro que a liberdade com que Barthes maneja as idéias linguísticas despertaram certa desconfiança da classe. Mas é esta coreografia inusitada que fomenta sua produção desse momento (Elementos de Semiologia, Crítica e Verdade, Sistema de Moda), tornando-o uma figura mítica do estruturalismo. 
Em Elementos de Semiologia Barthes avança com vigor para a construção de uma obra científica. Tece uma organização metodológica das suas teorias e propõe a semiologia como uma nova ciência: ao contrário do que se propunha o pensamento corrente - a semiologia como desenvolvimento da linguística -, Barthes investe na semiologia como subconjunto da outra, nomeando-a como a "ciência por excelência da sociedade, pelo que ela significa.” (Fraçois:272)

Há aqui um percurso cientificista apoiado em diversas manifestações de seu tempo - que formam o coro estruturalista. Para além da linguística: "A sociologia permanece avessa a noção de imanência, mas encontra eco na história praticada pelos Annales (Fernand Braudel), com sua distinção evento/estrutura, na antropologia de Levi-Strauss, que retomou a postulação saussuriana do caráter inconsciente da língua, e na psicanálise de Lacan, para quem o próprio desejo é articulado como um sistema de significação.” (François: 276)
A semiologia fundamenta-se em torno de um fenômeno de imanência: trata-se de investigar asignificação de seus objetos. Isso pressupõe um corte na idéia de diacronia em detrimento da sincronia, ou seja: ela é necessariamente a-histórica, focada na forma e não na singularidade dos assuntos.
Interessa menos o conteúdo do objeto que suas emanações de sentido: que são, a propósito, sentidos a serem elaborados e não descobertos em um núcleo particular pré-existente. Este é o paradigma do estruturalismo, que para Barthes representa "uma verdadeira ruptura na evolução da consciência: o estruturalismo pode ser definido historicamente como a passagem da consciência simbólica para a consciência paradigmática.” (François:278)
Assim, o recorte da crítica é deslocado pela própria conjuntura histórica: trata-se de avançar contra os valores ocidentais e sua ideologia subjacente. Todo o investimento intelectual desse momento atravessa este objetivo, usando da ferramenta sofisticada - e rigorosa - que é a linguagem para desconstruir os produtos ideológicos. É aqui que a semiologia diz a que veio, instaurando-se como o lugar essencial deste exercício.
Mas é com  Sur Racine que Roland Barthes vira o protagonista de um movimento que foi  convocado a batalha contra a Sorbonne e seus paradigmas - a Nouvelle Critique. Tendo invadido um patrimônio poético do classicismo (Racine) para tecer sua perspectiva crítica, ele inaugura - sob a insígnia de impostura - uma postura interpretativa poderosa em detrimento à historicista.
"Como definí-la? Associam-se aí, principalmente, o ensaísmo requintado de Maurice Blanchot em torno da interioridade e do espaço próprio da literatura, definida como “infinita conversa”; requintes de decifração psicanalítica, que, aliás, invertem o princípio da analogia autor/obra, já que a psicanálise imagina relações de denegação entre essas duas ordens; e uma investigação discursiva que se faz à luz das lingüísticas gerais fundadas por Saussure e dos aportes da antropologia de Lévi-Strauss que, por sua vez, se baseia não só em Saussure mas no russo Vladimir Propp (o estudioso do conto maravilhoso) para ver o mito como uma narrativa, ou uma palavra." (Motta,2005:341)

É o postulado da cintilação do sentido que insufla-se contra a velha crítica acadêmica, com a publicação, em 1966, de Crítica e Verdade. E é aqui Barthes propõe a crítica como escritura,ou seja, como um exercício sobre a linguagem. A escritura torna-se fonte de verdade e a linguagem, o verdadeiro sujeito.  O discurso acadêmico fica, pois, implodido nas ousadias barthesianas.
Não é de surpreender que o mesmo Barthes subverte a incondicionalidade de suas influências, emergindo do lugar da diferença, a partir da tensão que sustenta os desfechos de sua escritura: semiólogo versus escritor. 
Com a publicação de S/Z, tem início uma fase emblemática do autor: a prática da escritura e a implosão de suas ambições metodológicas.  Nesta fase ele interessa-se, influenciado pelo grupo Tel Quel (Kristeva, Derrida, etc), pelas emanações polissêmicas do texto, pelas suas diferenças e dissoluções. Assim, qualquer interpretação só seria possível pela multiplicidade dos sentidos, numa fuga da totalidade do texto. Este é o momento em que ele encontra o prazer do texto, implodindo a fixidez do discurso, na festa sígnica que passa a gerir sua crítica-escritura.
A obra crítica de Barthes é, pois, impregnada de uma característica fundamental: a mutabilidade. Embora tenha sido fiel ao que considerava essencial das fases que criava e ultrapassava, é impossível imobilizá-lo em nomenclaturas porque ele foi, antes de mais nada, um punctum crítico, um subversivo da linguagem - esta sim, arma central com a qual ele evita que o discurso coalhe nas ilusões da naturalidade e nas tensões do autoritarismo."(Perrone- Moysés in Aula:61)



    Fonte: http://www.alesialesi.com.br/AlesiAlesi/artigos/Entradas/2010/2/24_Roland_Barthes_e_o_punctum_critico___uma_arqueologia_da_critica_barthesiana.html

Nós, os ressentidos : feministas, marxistas, lacanianos, neohistoricistas, desconstrucionistas e semióticos


O efeito Bloom


publicado em 
Fonte: http://acervo.revistabula.com/posts/ensaios/o-efeito-bloom
POR  EM 23/03/2009 ÀS 02:58 PM
Em “O Cânone Ocidental”, um panfleto contra tudo e todos. Bloom fez um ataque violentíssimo, messiânico e ideológico ao que batizou de “Escola do Ressentimento”. Para ele, os ressentidos podem ser encontrados em seis ramos: feministas, marxistas, lacanianos, neohistoricistas, desconstrucionistas e semióticos. O pecado deles havia sido trocar os estudos sobre Shakespeare por autores que pertencem a minorias étnicas e sociais
O ano de 1994 marcou o início da disseminação, no Brasil, das idéias do crítico literário Harold Bloom. O entusiasmo por este scholar norte-americano restringe-se aos meios de comunicação que lhe dedicam páginas e páginas a cada novo lançamento. No ambiente universitário, as obras dele têm circulação bem restrita e dividem espaço com outros estudiosos de literatura. Trata-se, portanto, de um fenômeno predominantemente midiático. E é curioso buscar as razões para um estudioso complexo de literatura inglesa do começo do século XIX cair no gosto de divulgadores culturais, em um país periférico de língua portuguesa.
Não se deve estranhar a volubilidade dos letrados brasileiros em assimilar idéias da última hora – ou da “a última moda em Paris”. Em 1986, Roberto Schwarz lembrava que ele mesmo já assistira à sucessão de impressionismo, historiografia positivista, “new criticism” americano, estilística, marxismo, fenomenologia, estruturalismo, pós-estruturalismo e teorias da recepção. “É fácil observar que só raramente a passagem de uma escola a outra corresponde, como seria de esperar, ao esgotamento de um projeto; no geral ela se deve ao prestígio americano ou europeu da doutrina seguinte”, diz Schwarz.
A recepção de Bloom no Brasil é mais um movimento volúvel de troca de teoria, ainda que confinado a um ambiente (a mídia) avesso ao pensamento teórico. Mas qual a motivação para tanto entusiasmo nos meios de comunicação?
Harold Bloom caiu como uma luva em um cenário (a primeira metade dos 1990) em que o campo cultural brasileiro sofreu o abalo do fim dos regimes do Leste Europeu e encantou-se com as virtudes do mercado. Foi o período de virada em direção aos encantos da globalização econômica. Algo que um dos barões da mídia muito bem sintetizou no livro para louvar os 50 anos do caderno da cultura e entretenimento de seu próprio jornal: “Nenhuma obra mais causa escândalo, nenhum (sic) geração de artistas faz uma revolução, porque todas as experimentações com a forma já foram feitas. Parodiando Fukuyama, a história cultural também acabou”.
O jornal deste barão ilustrado foi, por sinal, o principal divulgador de Bloom, lá pelo ano de 1994. Na época, trombetas celebraram o lançamento do livro “O Cânone Ocidental”, um panfleto contra tudo e todos. Bloom fez um ataque violentíssimo, messiânico e ideológico ao que batizou de “Escola do Ressentimento”. Para ele, os ressentidos podem ser encontrados em seis ramos: feministas, marxistas, lacanianos, neohistoricistas, desconstrucionistas e semióticos. O pecado deles havia sido trocar os estudos sobre Shakespeare por autores que pertencem a minorias étnicas e sociais.
Esse tipo de comentário veio no momento certo para servir de arma no debate cultural e político brasileiro de 15 anos atrás. Um crítico de literatura romântica, alguém completamente deslocado no tempo e no espaço do país, dava a resposta exata para uma disputa, essa sim, de espaços. E é lógico que, para Bloom, o mentor do ressentimento só poderia ser um marxista.

Diz ele em “O Cânone Ocidental”: “O herói desses anticanonizadores é Antonio Gramsci, que em suas “Seleções dos Cadernos de Prisão” nega que qualquer intelectual esteja livre do grupo social dominante se se apóia apenas na ´qualificação especial´ que partilha com o ofício de seus companheiros (como outros críticos literários)”. É muito interessante notar como a escolha de Gramsci como inimigo coincide com as idéias de nossos aristotélicos aloprados que infestam hoje revistas e jornais brasileiros.
Bloom começou ali a pregar a existência de um mundo estático, cujo único movimento seria a luta edipiana de autores (a teoria da “angústia da influência”) contra o gênio de Shakespeare. E daí? E daí que foi um tal de redescobrir o “bardo inglês’, os clássicos universais. Numa época em que o mundo se voltava mais e mais para obras de africanos, árabes, indianos, aparece um especialista para falar de cânones e restringir o rol de obras que são reconhecidas como arte.
O militante Bloom faz a cruzada contra a linhagem de estudos que relacionam arte e sociedade. É a velha, surrada e conhecida história da autonomia da arte, que já foi esmiuçada por Pierre Bourdieu em “As Regras da Arte”. Em tempos mais reacionários e anticomunistas que o da Guerra Fria, porém, a defesa do cânone veio a calhar.
Os leitores midiáticos de Bloom usam o crítico norte-americano como arma letal na guerra de idéias, no “fim da História” cultural. É para isso que ele serve. Ataca-se a tradição da crítica materialista de Antonio Candido e Roberto Schwarz, mas não se recorre a Silviano Santiago ou a Luiz Costa Lima. A fórmula para os novos tempos, os anos 1990 globalizados, eram as sacadas contra uma “Escola do Ressentimento”, que estaria destronando e rebaixando as grandes obras canônicas. Porém, os divulgadores bloomianos não vão à sofisticada e criativa teoria de “angústia da influência”, até porque exigiria um aprofundamento de estudos.
O caso recente e pitoresco do efeito Bloom no Brasil ocorreu no lançamento do livro “Gênio”. Ao incluir Machado de Assis entre os “gênios”, o crítico norte-americano provocou lágrimas e uma tietagem que beirou a histeria. Um dos fãs soltou essa: “E é difícil não reconhecer a precisão deste julgamento da obra mais famosa de Machado de Assis, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”: ‘Brás Cubas jamais sofre e, por conseguinte, jamais sofremos com ele. Todavia, uma frieza misteriosa emana das suas Memórias Póstumas, obra que contém atmosfera tão original que não permite comparação com qualquer outro texto ficcional´".
Outro divulgador conseguiu uma entrevista com Bloom a respeito do novo livro e arrancou a confissão do mestre: “Considero Machado o maior gênio da literatura brasileira do século XIX. Ele reúne os pré-requisitos da genialidade: exuberância, concisão e uma visão irônica ímpar do mundo. Procuro um grande poeta brasileiro vivo. Ainda não o encontrei. Conheço Carlos Drummond de Andrade e ouvi falar de Guimarães Rosa, que adoraria ler. Não sei se terei tempo”.
Bobagens não são exclusivas da mídia brasileira. Que o diga Larry Rother. Ele publicou no ano passado, no “New York Times”, uma reportagem sobre o centenário Machado de Assis na qual, obviamente, Harold Bloom é a grande estrela, a começar pelo título: “After a Century, a Literary Reputation Finally Blooms”.  Ou seja, o dito maior jornal do mundo dispensou o principal leitor de Machado em língua inglesa, John Gledson, para ouvir os lugares-comuns de Bloom.
Quem deu a melhor dica para entender o efeito bloomiano foi Terry  Eagleton: “A crítica de Bloom revela com clareza o dilema do liberal moderno, ou humanista romântico – o fato de que, de um lado, não é possível uma reversão a uma fé humana serena, otimista, depois Marx, Freud e do pós-estruturalismo, mas que por outro lado qualquer humanismo que, como o de Bloom, tenha sofrido as pressões agônicas dessas doutrinas, está fadado a comprometer-se com elas, a ser contaminado por elas”. Esse é um desejo bem atual na mídia e certos círculos intelectuais: voltar a um mundo anterior ao marxismo e à psicanálise. Ainda bem que jamais conseguirão.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Coleção completa dos discos Marcus Pereira

Coleção completa dos discos Marcus Pereira em Torrent

http://arturdebem.blogspot.com.br/2013/05/colecao-completa-dos-discos-marcus.html


Enquanto eu não conseguir colocar isso tudo num 4shared da vida, segue pelo Torrent, mesmo.

Copiado do blog Esquizofia (grifos meus):

Os Discos Marcus Pereira são uma grande contribuição deste publicitário, musicólogo e amante da música popular para a nossa cultura musical e humana. Nosso povo teve oportunidade de ter contato com aquilo que lhe pertence em sua constituição ontofilogenetica, mas que cada vez mais com a (m)idiotização das rádios e televisões (felizmente com algumas poucas exceções), com a imposição da subjetividade cultural norte-americana e de outros padrões da indústria cultural, o brasileiro deixou de conhecer sua música.

O acervo dos Discos Marcus Pereira que foi comprado pela extinta Copacabana, depois ABW, e hoje está engavetado no acervo da Odeon. Preciosidades de grandes músicos, interpretes e istrumentistas que puderam enfim lançar discos como Abel Ferreira, Altamiro Carrilho, Banda de Pífanos de Caruaru, Canhoto da Paraíba, Carlos Poyares, Cartola, Chico Buarque, Chico Maranhão, Dercio Marques, Dilermano Reis Donga, Elomar, Evandro do Bandolim, Jane Duboc, Leci Brandão, Luperce Miranda, Luis Carlos Paraná, Marcus Vinicius, Noel Guarany, Papete, Paulo Vanzolini, Quinteto Armorial, Quinteto Villa-Lobos, Raul de Barros, Renato Teixeira, Tia Amélia, Tó Teixeira, Walter Smetak entre outros.

Porém o acervo de Marcus Pereira foi recuperado na internet e catalogado com todo esforço e esmero do amigoblog 300 discos que contou com auxílio de vários outros blogs como Abracadabra, Um que tenha, Toque Musical,Preludiando, Acervo Origens e tantos outros.

A própria lei de direitos autorais afirma que não se pode restringir o acesso a educação e a cultura, algo que acontece no caso dos Discos Marcus Pereira que há um bom tempo o povo é vilipendiado tanto no acesso através dos meios de comunicação de massa tanto quanto pela indústria fonográfica.

Desta forma com auxílio de uma leva de pessoas que disponibilizaram sua coleção pessoal trazemos com toda esta moçada e muito carinho e respeito a nossa música uma coleção praticamente completa dos Discos Marcus Pereira em torrent. Há somente três compactos que foram lançados como MP e não estão na lista: um de Adauto Santos, o primeiro de Leci Brandão, além de Walter E Tereza Santos (Pesquisa, Arranjos E Direção Musical – Folclore Musical Baiano).

+ DE 60 DOCUMENTÁRIOS SOBRE A MÚSICA BRASILEIRA PARA ASSISTIR DE GRAÇA !

+ DE 60 DOCUMENTÁRIOS SOBRE A MÚSICA BRASILEIRA PARA ASSISTIR DE GRAÇA.

HTTP://PEDROCONSORTEBR.WORDPRESS.COM/2012/10/30/DOCUMENTARIOS-SOBRE-A-MUSICA-BRASILEIRA-LISTA-COMPLETA/


Confira a lista, abaixo.
Comecei a compilar esses documentários por uma necessidade própria: quando fui contratado pelo Stomp, muita gente começou a me perguntar sobre a música brasileira e, então, eu me dei conta de que não sabia praticamente nada sobre o assunto. Então, iniciei a uma pesquisa na internet e, como não consegui achar nenhuma lista do tipo, criei a minha própria seleção, com os títulos e os próprios filmes, disponíveis para assistir online.
A cada dia, a gente descobre novas possibilidades na internet e, por causa disso, a mídia é constantemente desafiada a repensar como lida com seus produtos. Se tivermos que pagar para assistir filmes online, menos pessoas assistirão, mas haverá um lucro direto. Se os filmes forem de graça, mais pessoas assistirão, e os sites terão que desenvolver novas estratégias para lucrar sobre isso.
A internet parece ser um campo mais democrático do que outros, porque a criação e o compartilhamento não estão necessariamente centralizados, o que faz com que as pessoas tenham mais espaço para divulgar suas ideias. Pessoalmente, eu desfruto muito do material disponível online, inclusive dos filmes em versão completa no Youtube, e penso que esta rede é como qualquer nova tecnologia: o seu bom uso dependerá da capacidade e intenção de cada um. Mas, para quem se interessa por criatividade, coletividade e diversidade, ela é um prato cheio!
  1. BRASIL BRASIL – BBC4 (capítulo 1)
  2. Documentário Saravah – Pierre Barouh, 1969 (completo)
  3. CARTOLA – MÚSICA PARA OS OLHOS (completo)
  4. Vinícius de Moraes (completo)
  5. João Gilberto & Tom Jobim (João & Antonio Especial) 1992 (completo)
  6. A Música Segundo Tom Jobim (completo)
  7. Paulinho da Viola – Meu tempo é hoje (completo)
  8. Noel, o poeta da vila (completo)
  9. Clara Nunes – Canal Brasil (1º Episódio)
  10. Adoniran Barbosa – Por toda a minha vida (completo)
  11. “Nós somos um poema” – PIXINGUINHA (parte 1)
  12. Pixinguinha Documentário – SESCTV – Chorinhos e Chorões (completo)
Clique aqui para assistir.
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  1. A Historia de Nelson Cavaquinho (completo)
  2. Samba Riachão (completo)
  3.  Verdadeira Historia do Samba (completo)
  4. Velha Guarda da Portela – O Mistério do Samba (completo)
  5. Partido Alto (completo)
  6. Na levada do choro – Minas Gerais (completo)
  7. Um Choro Mineiro – Eterno Retonro (completo)
  8. Bezerra Da Silva – Onde a Coruja Dorme (completo)
  9. Neguinho da Beija-Flor, Quinho e Diogo Nogueira – Samba na Gamboa (completo)
  10. Samba Carioca – Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil (completo)
Clique aqui para assistir.
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  1. João do Vale – Muita gente desconhece (completo)
  2. Palavra (En)cantada – 2008 (completo)
  3. Nelson Freire (completo)
  4. Ernesto Nazareth – canal STV (completo)
  5. Documentário Heitor Villa-Lobos (completo)
  6. Dolores Duran – Por toda a minha vida (parte 1)
  7. Tom Jobim e a Bossa Nova – 1993 (completo)
  8. Elis Regina – Por toda a minha vida (parte 1)
  9. O universo musical de Baden Powell (completo)
  10. A Sede do Peixe  – Milton Nascimento (completo)
  11. Clube da Esquina – Sobre Amigos e Canções (completo)
Clique aqui para assistir.
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  1. Novos Baianos F.C. 1975 (completo)
  2. Uma Noite em 67 – 3º Festival da Música Popular Brasileira (completo)
  3. O Som do Vinil – Tropicália (Parte 1)
  4. Os Doces Bárbaros (completo)
  5. Gal Costa – Da Tropicália Aos Dias de Hoje (parte 01)
  6. Alquimistas do Som – a experimentação na MPB (completo)
  7. Daquele Instante em Diante – Itamar Assumpção (completo)
  8. Fabricando Tom Zé (completo)
  9. Maracatu – Ritmos Sagrados – de Eugênia Maakaroun (parte 1)
  10. Dona Joventina – Maracatu Estrela Brilhante (completo)
  11. Chico Science – Movimento Manguebeat (completo)
Clique aqui para assistir.
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  1. SIMONAL – NINGUÉM SABE O DURO QUE DEI – (completo)
  2. America Brasil – Seu Jorge (completo)
  3. Cazuza – Sonho de uma noite no Leblon (parte 1)
  4. Raul Seixas – O início, o fim e o meio (parte 1)
  5. Raul Seixas – Por toda a minha vida (completo)
  6. LÓKI – Arnaldo Baptista (parte 1)
  7. Ave Sangria – Sons de gaitas, violões e pés (completo)
  8. BIZZ – Jornalismo, causos e Rock and Roll (completo)
  9. Ruído Das Minas – O Heavy Metal mineiro (Completo)
  10. 20 ANOS NA ESTRADA DO ROCK – Its Only Rolling Stones (completo)
Clique aqui para assistir.
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  1. Titãs – A vida até parece uma festa (completo)
  2. Os Paralamas do Sucesso – Paralamas em Close Up (1998) (completo)
  3. Botinada – A história do Punk no Brasil (completo)
  4. Guidable – A verdadeira História do Ratos de Porão (completo)
  5. Eles Ainda Acreditam – Cena independente em SP (Parte1)
  6. Mulheres no Metal (completo)
  7. Rock Brasilia – Era do ouro (completo)
  8. O Sonho não acabou – O rock paulista da década de 80 (completo)
  9. Renato Russo e Legião Urbana – Por toda a minha vida (completo)
  10. Mamonas Assassinas – Por toda a minha vida (completo)
  11. Documentário Ventura – Los Hermanos (completo)
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  1. Tim Maia – Por toda a minha vida (completo)
  2. Leandro – Por toda a minha vida (completo)
  3. Claudinho e Buchecha – Por toda a minha vida (completo)
  4. Vou Rifar Meu Coração – O Brega (completo)
  5. Maestro Invisível – A História do primeiro DJ (completo)
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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Nenhum poder, um pouco de saber, um pouco de sabedoria, e o máximo de sabor possível. (Roland Barthes)

"Nenhum poder,
um pouco de saber,
um pouco de sabedoria,
e o máximo de sabor possível."

(Roland Barthes)

Educação Libertária - "Quando sinto que já sei" Documentário

Quando sinto que já sei
78 minutos, 2014, Brasil.
www.quandosintoquejasei.com.br
facebook.com/quandosintoquejasei

"Aqui, não existe um professor que prepara uma aula.

Existe um provocador: provoca ação;
no sentido de gerar processos melhores, mais efetivos, de aprendizado.

E o que que se estuda?
Tudo.
Tudo que for do interesse daquele grupo.
No seu ritmo, no seu tempo"

https://www.youtube.com/watch?v=HX6P6P3x1Qg&feature=youtu.be&t=13m50s

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"Nossa escola é uma escola livre, uma escola não direcionadora. Aqui, a gente não direciona a expressão do ser. A gente acredita que cada um tem dentro de si a sua evolução e a sua forma de evoluir. Cada um tem a sua forma. O que a gente faz é criar um espaço protegido onde a criança pode expressar quem ela é.

Há trinta e dois anos que estou aqui, então eu sei que o fogo queima, eu sei que na agua pode-se afogar. Eu sei o que pode e o que não pode fazer. Então, uma escola livre não é algo:

'Wooowooo, eu faço o que quiser nessa porra, caralho !!!' [ grifo meu ]

Não, tem muitas regras aqui. E tem disciplina, e tem ordem.Cada coisa que eu pego, eu guardo. Aqui não xingamos, aqui não batemos, aqui não desrespeitamos alguém.

>>> São limites que na verdade não limitam.Por exemplo: não corremos dentro da sala, mas corremos fora. Você sempre pode fazer o que você quer, mas com respeito, no lugar correto, na forma correta: EM COMUNHÃO.

["Comunhão"... parece que é a boa...o Antonio Negri disse a mesma coisa na palestra dele esse mês aqui na Casa de Rui Barbosa !]

Não pulamos da janela, mas pulamos da casinha no parquinho, ou na cama elástica.Não comemos dentro da sala, mas comemos na cozinha.
Cada coisa tem o seu lugar.

Então, ao mesmo tempo que a criança ganha sua força de expressão, ela também aprende a conviver em respeito e em harmonia com todos os outros. Aqui você vê crianças de um ano até treze anos convivendo em harmonia, com respeito um pelos outros.

https://www.youtube.com/watch?v=HX6P6P3x1Qg&feature=youtu.be&t=54m5s
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Segue o papo com "Liberdade não existe sem o auto-poder"... =)




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Quando sinto que já sei
78 minutos, 2014, Brasil.
www.quandosintoquejasei.com.br
facebook.com/quandosintoquejasei

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O documentário “Quando sinto que já sei” registra práticas educacionais inovadoras que estão ocorrendo pelo Brasil. A obra reúne depoimentos de pais, alunos, educadores e profissionais de diversas áreas sobre a necessidade de mudanças no tradicional modelo de escola.

Projeto independente, o filme partiu de questionamentos em relação à escola convencional, da percepção de que valores importantes da formação humana estavam sendo deixados fora da sala de aula.

Durante dois anos, os realizadores visitaram iniciativas em oito cidades brasileiras – projetos que estão criando novas abordagens e caminhos para uma educação mais próxima da participação cidadã, da autonomia e da afetividade.
A etapa final do projeto foi financiada com a colaboração de 487 apoiadores pela plataforma de financiamento coletivo Catarse.