quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Zé Miguel Wisnik - Arte e Ciência - A mente e o poder da música - CCBB - BH - 2015

  

  


O José Miguel Wisnik demostrou noções de teoria musical e fronteiras entre frequências sonoras e ritmo no trecho final dessa palestra do ciclo Arte & Ciência (CCBB 2015)

Vale uma espiada neste trecho! [ 1h19m20s]
Arte & Ciência - A Mente e o Poder da Música

https://www.youtube.com/watch?v=ifB7cqyE1RQ&feature=youtu.be&t=1h19m20s


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Compositor e neurocientista abordam o efeito dos estímulos musicais no cérebro

O músico e escritor José Miguel Wisnik participa hoje de debate no CCBB BH. 


José Miguel Wisnik e Ésper Cavalheiro inauguram ciclo de palestras sobre arte e ciência
Em 1989, o escritor e compositor José Miguel Wisnik publicou o livro O som e o sentido (Companhia das Letras), sobre como os fênomenos sonoros são recebidos pelo ouvido e interpretados pelo cérebro. Na época, estava fortemente motivado pelas aulas sobre música que havia dado nos anos anteriores e que se tornaram possíveis no formato que ele imaginava graças à popularização do teclado, “o piano portátil”.

“Estava convicto de que, com exemplos concretos, era possível falar de música para leigos. O ouvido é um instrumento que todos nós praticamos, em diferentes níveis”, afirma Wisnik. Ainda bastante interessado no assunto, ele participa hoje em Belo Horizonte da mesa que abre o ciclo de debates Arte & Ciência, promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil, com entrada franca. Wisnik discutirá o tema “A mente e o poder da música” com o neurocientista Ésper Cavalheiro. A mediação é do filósofo e diretor teatral Luiz Carlos Garrocho. O evento prevê debates sempre às primeiras quartas do mês, até dezembro.

“Ésper tem mostrado como a prática musical ativa zonas do cérebro ligadas ao fazer música, inclusive transformando fisicamente o cérebro. Muitas perguntas nascem disso, e eu ainda não consegui fazer todas as que quero. Por exemplo, se a música desenvolve áreas específicas do cérebro, para que servem essas áreas quando não pela música? Ou seja, quais são as vantagens do ensino da música em escolas? E qual é a relação da música com a memória? Por que guardamos melhor um texto ritmado do que um outro qualquer? Onde está sediado o estúdio de gravação do cérebro?”, diz Wisnik.

Ele relata que Ésper também tem se mostrado interessado pelos pontos de vista que esse debate permite a partir da música. O momento atual é de interesse mútuo entre música e ciência e não permite fechar conclusões: “A música é muito emocional e também está relacionada às relações numéricas. Há na gente um computador funcionando na recepção da música, mas também ativando emoções. Ela é a arte que mais provoca amores e ódios, é invasiva. O Ésper falou que a música se localiza numa zona do cérebro relacionada à marcação de território, na qual estabelecemos lugares em que nos sentimos protegidos”.

Arte & Ciência

Debate 

“A mente e o poder da música”, com Ésper Cavalheiro e José Miguel Wisnik, com mediação de Luiz Carlos Garrocho. Hoje, às 19h30, no auditório do Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450, Savassi). 
Informações: (31) 3431-9400. 
Entrada franca (as senhas são distribuídas no local, uma hora antes).

Próximos debates

1/7  - MEMÓRIA E CRIATIVIDADE
Jociane Miskiw e Silviano Santiago

5/8 - O FUTURO DO HUMANO
Edgard Morya e Lúcia Santaella

2/9 - LÓGICA E ARTE
Francisco Antonio Doria e Arthur Omar

7/10 - A FÍSICA NA FRONTEIRA DA FILOSOFIA
Rogério Rosenfeld e Antonio Cícero

4/11 - A ÉTICA NOS TEMPOS DA BIOGENÉTICA
Mayana Zatz e Olgária Matos

2/12 - A TERCEIRA CULTURA
Luiz Pinguelli Rosa e Ivald Granato





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O insight abaixo, publiquei completo lá:

http://educambientando.blogspot.com.br/2015/09/re-encontrando-heidegger-salvar-e.html

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Penso que temos que estar sempre alternando entre a lembrança do passado na vivência de um presente consciente do seu desdobramento no futuro.

Não acho que isso seja algo trivial de se fazer dada a nossa cultura atual: pautada na satisfação de desejos imediatistas, na negação surda da nossa história e no cego fascínio pelo "novo".

Mas acho que uma vez internalizado o processo, ele dissolve as fronteiras culturais de passado/presente/futuro e nos situa conscientemente como os agentes que re-significam a todo momento a "realidade".

Essa assimilação consciente e dissolução cognitiva do "tempo" é o que me parece dar recheio a alguns rótulos culturais como "ética", "moral", "amor", "respeito" etc... que costumam ser buscados sempre fora de nós mesmos, como algo que nos falta.

De fato, falta: falta assumir a responsabilidade de já termos tudo isso dentro de nós. Ou em outras palavras: aceitar o passado como constitutivo do que somos no agora.

"Passado"Pelo que estou percebendo é essa a bandeira que o Heidegger está sacudindo na nossa frente: vamos tomar consciência do passado, não como um processo de culpa, mas como re-descoberta de nós mesmos. As mesmas crises de hoje já aconteceram antes em outros contextos, com outras velocidades, por outras pessoas. Os problemas e soluções encarados pela humanidade estão logo ali atrás no nosso passado, bem como estão aqui no presente (explicitados em realidade, ou latentes na nossa potência existencial como humanos), como vão estar também no futuro daqueles que de nós se desdobrarem.

Acho que a nosso papel biológico-evolutivo e/ou ontológico-existencial não está em assumirmos a responsabilidade de transformar o mundo atual em uma direção ou outra, mas tomarmos consciência da nossa consciência, nos assumirmos como vivos e naturalmente (ou autopoiéticamente, como diria o Maturana) agirmos em consonância com nossa estrutura interna de pensamento (sempre com o ouvido atento a nossa ressonância social).

OBS 1: Peguei um atalho sonoro-musical aqui, porque ainda não sei explicar o que eu entendo quando ouço sinfonias polifônicas... Mas isso deve ser o bê-a-bá de teoria musical... rsrs

O José Miguel Wisnik demostrou com as notas de um piano algo próximo ao que eu estou aqui chamando de consonância e ressonância nessa palestra...

Vale uma espiada neste trecho! [ 1h19m20s] Emoticon wink
Arte & Ciência - A Mente e o Poder da Música

https://www.youtube.com/watch?v=ifB7cqyE1RQ&feature=youtu.be&t=1h19m20s

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Cromatismo é a utilização das notas da escala cromática (composta de 12 semitons) no contexto de uma composição tonal. Os cromatismos são geralmente estruturados como frases musicais compostas de notas cromáticas, com a intenção de gerar tensão melódica ou harmônica, prolongando o desenvolvimento tonal e adiando a resolução melódica.
David Cope (1997) descreve três formas de cromatismo: modulaçãoacordes emprestados de tonalidades secundárias e acordes cromáticos, tais como acordes de sexta aumentada.
O cromatismo por modulação progride melodicamente, passando por notas cromáticas antes de retornar às notas da tonalidade original ou de assumir uma nova tonalidade. Isso prolonga a tensão natural da cadência melódica. Nas formas harmônicas são utilizadas notas pertencentes a acordes de função dominante ou subdominante secundários ou auxiliares, ou a acordes da relativa menor/maior da tonalidade original (empréstimo modal). Em geral, o cromatismo está associado à utilização de alguma forma dedissonância.
Como elemento de modulação já era parte integrante da música tonal desde sua sistematização. Nos dois volumes do "Cravo Bem Temperado", Bach utilizou todas as 12 tonalidades maiores e menores, demonstrando a relação do campo tonal ao campo cromático através das modulações e transposições (Wisnik (1989), página 141-142).
À medida que os compositores da segunda metade do século XIX expandiram os conceitos da música tonal, com novas combinações de acordes, tonalidades e recursos harmônicos, a escala cromática e os cromatismos se tornaram mais freqüentes. Como elemento expressivo, esta técnica encontrou seu auge no final do período romântico, com Franz LisztGustav Mahler e Richard Wagner (Wisnik (1989), página 115). Um dos melhores exemplos do papel expressivo do cromatismo é a ópera Tristão e Isolda de Wagner.
A utilização cada vez mais acentuada do cromatismo é apontada como uma das causas principais do rompimento com a tonalidade pelos compositores do início do século XX, que levou ao desenvolvimento da música dodecafônica e da música serial. Embora o cromatismo possa ser utilizado como uma forma dramática de prolongar a tensão tonal, ele também pode ser utilizado como uma forma de romper com a estrutura hierárquica da escala diatônica e criar composições que não possuem um centro tonal nem atingem nunca um repouso, no sentido utilizado pela música tonal.
Além da música erudita, o cromatismo também é utilizado frequentemente no jazzblueschoro e alguns outros gêneros populares.

Referências[editar | editar código-fonte]

Artigo parcialmente traduzido da versão em inglês da Wikipedia. versão consultada em 8/7/2007.
  • WISNIK, José Miguel. O Som e o Sentido. Uma outra história das músicas, 1989. São Paulo. Companhia das Letras.
  • COPE, David (1997). Techniques of the Contemporary Composer, p.15. New York, New York: Schirmer Books. ISBN 0-02-864737-8.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cromatismo
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Apostila de Educação Musical - Colégio Pedro II

http://www.portaledumusicalcp2.mus.br/apostilas/pdfs/9ano_00_apostila%20completa.pdf

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A Musica das Esferas



Sons articulados, arranjos harmoniosos, combinações de cálculos matemáticos estão por trás dos sons musicais que se desenvolveram em diferentes culturas. A música da China, da Índia, do Ocidente, erudita ou popular, no passado ou no presente, move ritmos e sentimentos. A investigação de Pitágoras na organização dos sons na escala musical e a obra de Bach com sua escala temperada evidenciam a criação da linguagem da música. Ao ouvir 07_AF_03.indd 1 28/05/10 17:49 2 Bach estamos ouvindo complexos arranjos logarítmicos, mas os sons suscitam a elevação do espírito e sentimentos. Trama inventiva Ponto de contato, conexão, enlaçado em Os olhos da Arte com um outro território provocando novas zonas de contágio e reflexão. Abertura para atravessar e ultrapassar saberes: olhar transdisciplinar. A arte se põe a dialogar, a fazer contato, a contaminar temáticas, fatos e conteúdos. Nessa intersecção, arte e outros saberes se alimentam mutuamente, ora se complementando, ora se tensionando, ora acrescentando, uns aos outros, novas significações. A arte, ao abordar e abraçar, com imagens visionárias, questões tão diversas como a ecologia, a política, a ciência, a tecnologia, a geometria, a mídia, o inconsciente coletivo, a sexualidade, as relações sociais, a ética, entre tantas outras, permite que na cartografia proposta se desloque o documentário para o território das Conexões Transdisciplinares. Que sejam estas então: livres, inúmeras e arriscadas. O passeio da câmera O documentário se divide em dois blocos. No primeiro, depois de questões iniciais provocadoras, são mostrados diferentes tipos de música, orquestras e solistas, ritmos como rap, blues, jazz, a percussão nos sons dos tambores africanos, negras culturas no ritmo da mistura afro-brasileira. A matéria-prima – o som – é destrinchado em explicações visuais. Maneiras diversas de fazer música são apresentadas: Alberto Marsicano nos apresenta a música indiana e seu ritmo que faz contraponto à percussão de Caito Marcondes e Vitor da Trindade. A música espiritual de Johann Sebastian Bach abre a segunda parte do documentário. A escala temperada de Bach marca história e vira regra a ser ensinada nas futuras gerações. Esse músico é visto como grande pesquisador, assim como Pitágoras que, tempos antes, já havia criado a escala musical visualizada como uma espiral, enquanto a escala temperada cria uma geometria musical em 07_AF_03.indd 2 28/05/10 17:49 material educativo para o professor-propositor 3 MÚSICA DAS ESFERAS forma de círculo. A explicação a partir dos logaritmos de John Napier contribui para compreender a música de Bach. Dedilhar Bach é como dedilhar sobre logaritmos. Inúmeras são as possibilidades de construção de conceitos a partir deste documentário. Além do território das Conexões Transdisciplinares, o som como matéria da linguagem musical nos leva para o território da Materialidade focalizando também as ferramentas e os procedimentos específicos dessa linguagem, retomada ainda nos territórios de Forma-Conteúdo, Saberes Estéticos e Culturais e Linguagens Artísticas. Os olhos da Arte A música é uma harmonia agradável pela honra de Deus e os deleites permissíveis da alma. (Johann Sebastian Bach) Sentimentos sagrados, profanos, reações emotivas, equações matemáticas, pensamento lógico aliado ao fazer estético, belezas construídas nas investigações de matemáticos e músicos, materializados no som que se comprime e se rarefaz no ritmo da imaginação humana. Pautado pelos contextos culturais, o som se faz linguagem. É na materialidade dos instrumentos musicais, da voz humana ou mesmo no batucar dos dedos que a linguagem da música vai encontrando sonoridades, modos de execução e de registro. No sitar, tocado por Alberto Marsicano, o som ganha uma sonoridade especial. Esse instrumento, criado no século XIII, é símbolo da música da Índia e nos provoca pensar: como foram inventados os instrumentos? O que nos dizem com suas sonoridades? Para Vitor da Trindade, o tambor é um convite para outras percepções. Cada instrumento tem sua própria característica, seu próprio timbre que o distingue dos demais, como uma voz se distingue de outras. Para Schafer (1991, p. 75), o timbre é “a cor do som – estrutura os harmônicos. Se um trompete, uma clarineta e um violino tocarem a mesma nota, é o timbre que diferencia o som de cada um”. E a busca desses timbres fez 07_AF_03.indd 3 28/05/10 17:49 4 Ravi Varma - Saraswati pintura Phintias - Lição de música, c.550-500 aC. pintura em vaso, 47 cm Staatliche Antikensammlungen, Munique/Alemanha 07_AF_03.indd 4 28/05/10 17:50 material educativo para o professor-propositor 5 MÚSICA DAS ESFERAS nascer os instrumentos, que se modificam pela inventividade humana e pelas transformações tecnológicas. Johann Sebastian Bach reinventou o cravo, instigado pela física de seu tempo. Foi uma transformação tecnológica, pois antes, era comum usar o cravo afinado no temperamento (equilíbrio) desigual: as distâncias sonoras das notas não eram iguais. Com Bach as notas da escala musical receberam um “temperamento” diferenciado: O sistema de “temperamento igual” ou “afinação temperada” que já vinha sendo postulado pelos teóricos da música desde o século XVI, foi popularizado por Bach em sua obra O cravo bem temperado (1722- 1744), na qual ele experimenta as tonalidades maiores e menores em afinação temperada em 24 peças denominadas Prelúdios e Fugas. Foi uma obra composta para estudantes de instrumentos de teclado de temperamento igual, e que se tornou peça de estudos básica para alunos de nível intermediário de instrumentos mais modernos, como o piano e o vibrafone. (São Paulo, 2009, v.3, p. 18-19) Avanços na tecnologia da construção de instrumentos musicais e a busca inquieta dos músicos geram novos instrumentos ou recursos outros. Há muitas possibilidades de classificar os instrumentos. A mais tradicional é dividi-los em instrumentos de cordas, de sopro e de percussão. Podemos classificar também pelo modo de se tocar o instrumento: friccionando (cuíca, violoncello...), percutindo (piano, carrilhão, pandeiro...), pinçando (violão, cravo...). Podemos distinguir os acústicos (piano, atabaque, xilofone, harpa etc.); os elétricos (órgãos elétricos, violinos elétricos etc.) e os eletroeletrônicos (sintetizadores e samplers, equipamentos que guardam sons em uma memória digital para posterior reprodução). No monocórdio, um instrumento de uma nota só, Pitágoras criou uma escala musical, dividindo a corda do monocórdio mais ou menos assim: primeiro dó  corda inteira, segundo dó  ½ da corda. Quando se dividia a corda ao meio encontravase um som igual, porém com um tom acima, e quando tocados simultaneamente os dois sons entravam em harmonia, isto é, combinavam. Assim, percebeu intervalos entre as notas como relação de frequências e chamou de oitava a nota que dá um novo ciclo de notas em sequência como em uma espiral, bem explicada no documentário. As notas foram separadas em sete 07_AF_03.indd 5 28/05/10 17:50 6 sons – dó, ré, mi, fá, sol, lá, si – em uma relação aritmética entre tamanho da corda e sons produzidos. Pitágoras acreditava que cada um dos planetas e estrelas fazia música quando se movia nos céu – a música das esferas. Uma ordem perfeita reinava no universo e elas deviam soar do mesmo modo que a vibração da corda produzia harmônicos perfeitos. Como disse o velho mestre hindu, entretanto, a música é como água a correr por infinitos fluxos, permitindo infinitas divisões. Na China e no Japão a base musical tem cinco notas, mesma base do blues norte-americano, mas no mundo árabe são 136 possibilidades de dividir os sons. Na concepção dos sons tocados em tambores ritmados nas festas profanas e religiosas, encontramos complexas combinações de batidas que cadenciam em consonância com a natureza e nos convidam a outros estados da alma. Bach mudou a forma de divisão da escala musical em 12 partes, para compor sons agradáveis ao ouvido e à alma com sua escala temperada, pois a afinação pitagórica parecia inadequada para os instrumentos que iam sendo criados, com mais alcance, com mais sons agudos e graves. Em suas pesquisas é provável que Bach tenha encontrado a teoria dos logaritmos de Napier, que tinha proposto em 1614 uma forma de cálculo que agradou muito as contas do comércio, da navegação e da astronomia. Sua proposição de potenciação usada para multiplicar um número base tantas vezes quantas for o expoente foi além dos cálculos cotidianos. Essa maneira de fazer matemática seria imortalizada na linguagem da música, na beleza das possibilidades descritas em cálculos temperados na escala musical de Bach. A afinação temperada consistia em dividir a distância entre os dois dós em 12 intervalos sonoros iguais e não em frações simples. Nessa divisão, passa-se de uma nota para a nota aguda seguinte multiplicando a frequência da primeira por 2 1/12. Como afirma Luiz Barco no documentário, “dedilhar Bach é dedilhar sobre logaritmos!”. E nossos ouvidos podem apreciar a música de muitos e diversos modos. Esse é o convite! 07_AF_03.indd 6 28/05/10 17:50 material educativo para o professor-propositor 7 MÚSICA DAS ESFERAS O passeio dos olhos do professor Convidamos você para a viagem no universo da matemática e da música. Mas para uma boa viagem acontecer é importante pensar sobre os melhores caminhos a trilhar. Anotar suas impressões no momento em que assiste ao documentário é fundamental. Você pode pensar em uma pauta do olhar para apoiar/provocar/ levantar questões. Algumas possibilidades são aqui apresentadas: Quais instrumentos musicais presentes no documentário você conhece? Quais tipos de música são os seus preferidos? O que provoca estranhamento em você? E o que causaria em seus alunos? O que é exigido de você para pensar o som como uma relação matemática? Como o contexto cultural interfere na produção e audição da linguagem musical? Em quais aspectos as duas disciplinas – Arte e Matemática – parecem dialogar neste documentário? Você sente necessidade de pesquisar sobre algum assunto para melhor compreender ou aprofundar conteúdos que o documentário suscita? Para você, quais focos de trabalho podem ser desencadeados partindo dos assuntos abordados no documentário? Suas anotações, durante ou após a exibição, podem revelar modos singulares de analisar o documentário que marquem o início de seu diário de bordo como um instrumento para o seu pensar pedagógico para melhor utilização deste documentário, tanto na formação de educadores como com alunos a partir do 9º ano do Ensino Fundamental e Ensino Médio. 07_AF_03.indd 7 28/05/10 17:50 8 Percursos com desafios estéticos O passeio dos olhos dos alunos Algumas possibilidades para provocar a entrada no documentário: Como uma forma de instigar a percepção dos alunos proponha que eles se lembrem das produções musicais que conhecem ou tragam para a sala de aula seus CD para compartilhar com a turma suas músicas preferidas, artistas e estilos. Uma primeira cartografia pode ser feita a partir desse levantamento, que pode abordar também os instrumentos musicais presentes, os gêneros e ritmos. Eles imaginam que há matemática na música? A partir dessa discussão, apresente o documentário, todo ou em partes. Na primeira parte do documentário Música das esferas, há uma série de imagens e sonoridades que mostram musicas de vários tempos e estilos. Você pode iniciar a projeção justamente por esse trecho. O que percebem? Volte a projetar o mesmo trecho para melhor percepção: O que reconhecem? Quais tipos de instrumentos sonoros aparecem? De que época são? O importante é educar o ouvido, aguçar a percepção para o universo da música de maneira prazerosa e significativa, levantando questões para a exibição do documentário completo. Ou você daria continuidade a partir de outro trecho determinado? Seus alunos têm instrumentos musicais em casa? Sabem tocá-los? Se houver possibilidade, peça para que tragam, se apresentem e sejam entrevistados pelos demais alunos. Você também pode trazer instrumentos de percussão, de cordas ou sopro. Ou diferenciar pelo modo como são usados, por exemplo, cordas batidas (piano), cordas beliscadas (violão), percussão com as mãos (pandeiro), com baquetas (bateria). Ou ainda trazer imagens, tanto de instrumentos tradicionais como também explorações sonoras feitos por músicos como Hermeto Pascoal, grupo Uakti ou Walter Smetak. Para seus alunos, os músicos apenas aprendem a tocar os 07_AF_03.indd 8 28/05/10 17:50 material educativo para o professor-propositor 9 MÚSICA DAS ESFERAS instrumentos ou são também pesquisadores? O que sabem da escala musical? Neste momento da conversa você pode exibir o documentário com os cálculos e divisões de escalas musicais criadas por Pitágoras e Bach. Ampliando o olhar Vamos construir um monocórdio? Para fazê-lo vamos precisar de uma caixa de madeira, sobre a qual é esticado um fio, que será tangido para provocar tensão quando for tocado o instrumento. Na confecção podemos usar uma caixa de madeira de 75 cm × 15 cm × 10 cm, feita com tábuas de madeira maciça com 1,5 cm de espessura. Nas extremidades da caixa no lado interno use blocos de madeira para reforçar e ter apoio para a ficção dos eixos que vão prender o fio, a corda sonora: uma corda de violão ou guitarra vendida em lojas especializadas ou fio de aço. Os eixos para fixação da corda podem ser feitos com pequenas barras ou parafusos de aço para que a corda fique bem esticada para criar uma tensão. Para fazer as divisões das notas e fracionar os sons podemos usar uma peça de acrílico ou metal que seja maior que a altura dos eixos para criar tensão na corda e produzir sons (a peça é colocada entre a base de madeira e o fio). Lembramos que Pitágoras criou uma escala musical dividindo a corda do monocórdio mais ou menos assim: primeiro dó  corda inteira, segundo dó  ½ da corda. Usando outras frações (3/4, 3/5 etc.) foram criadas as notas que chamamos ré, mi, fá etc. Bach criou a afinação temperada que consistia em dividir a distância entre os dois dós em 12 intervalos sonoros iguais e não em frações simples. Nessa divisão, passa-se de uma nota para a nota aguda seguinte multiplicando a frequência da primeira por 2 1/12; desse modo, temos: dó(1), dó# - lê-se o símbolo como sustenido (21/12), ré ( 22/12), ré# (23/12), mi (24/12), fá (25/12), fá# (26/12), sol (27/12), sol# (28/12), lá (29/12), lá# (210/12), si (211/12), dó em escala acima (2). O dó é considerado com frequência 1 (frequência é o número de oscilações por segundo). Assim sendo, o sustenido teria a frequência da 07_AF_03.indd 9 28/05/10 17:50 elementos da linguagem musical matemática, logarítmo arte, ciência e tecnologia sociologia da arte música qual FOCO? qual CONTEÚDO? o que PESQUISAR? Zarpando Saberes Estéticos e Culturais história da arte Conexões Transdisciplinares arte e ciências humanas procedimentos Materialidade Forma - Conteúdo procedimentos tradicionais, procedimentos técnicos inventivos Linguagens Artísticas MÚSICA DAS ESFERAS cultura oriental, cultura ocidental, história, religião ferramentas instrumentos musicais, computador natureza da matéria som, matérias não convencionais música oriental, música ocidental, música religiosa, percussão som, escala musical, escala pitagórica, escala temperada, ritmo, parâmetros do som, timbre, altura, duração e intensidade arte afro-brasileira, arte oriental códigos de representação, linguagem, sistema simbólico, signos da cultura 12 nota anterior multiplicada por 1/12, o ré teria a frequência do dó multiplicada 2 2/12 etc. De um som dó para o seguinte, mais agudo, dizemos que há uma oitava de diferença (porque de um dó ao seguinte há oito notas brancas no piano) essas duas notas têm mesmo som, reconhecemos isso, mas uma é mais grave que a outra; isso se deve ao número de vibrações da corda que produz a nota. Isso leva a uma afinação dos instrumentos ligeiramente diferentes da afinação pitagórica. Talvez essas relações sejam complicadas, mas três ideias são interessantes: uma afinação por meio de frações, uma afinação logarítmica levando a pesquisar sobre logaritmo, e uma exploração sonora. Uma espécie de curadoria musical pode ser feita com a seleção de trechos de músicas para um jogo sonoro. Primeiro podemos colocar as músicas, gravadas em um CD, para que todos possam ouvir. Proponha o desafio: que gêneros musicais eles distinguem? Samba, chorinho, bossa nova, rock, música erudita de várias épocas, rap, forró, cantigas folclóricas etc. podem fazer parte dessa curadoria sonora. Você pode também variar esse jogo perguntando sobre quais os instrumentos que eles percebem. Ao ouvir, por exemplo, um trecho de música como o forró, percebemos um destaque para alguns instrumentos como o triângulo; no rock pode haver solos de bateria ou guitarra, entre outras possibilidades. Esse jogo pode ser ampliado voltando à exibição do documentário, reconhecendo os instrumentos que ali são apresentados e pesquisando sobre ritmos de musicas e confecção de instrumentos a partir de vários materiais, motivando os alunos a produzirem música. Propor parcerias com outros educadores é um ótimo jeito de fazer crescer um projeto de ação educativa entre arte e ciências. Busque parcerias que estejam atentas às interlocu- ções entre saberes, que valorizem a integração sem perder a complexidade do conhecimento de cada área. Estudos e experiências sobre o som e como se propaga pelo ar são importantes. As vibrações produzem oscilações de pressão 07_AF_03.indd 12 28/05/10 17:50 material educativo para o professor-propositor 13 MÚSICA DAS ESFERAS no ar em volta que se propagam afastando-se sempre do ponto de origem, tal como acontece em um lago quando jogamos uma pedra. Nosso ouvido capta as ondas sonoras que vibram ao chegarem ao tímpano, produzindo impulsos nervosos e interpretações sobre o tipo de sons. Estudar esses aspectos abre espaço para projetos que envolvam toda a escola nas diferentes áreas dos saberes. Uma forma de fazer experiências com sons é criar instrumentos de sopro com garrafas com água, para perceber como os sons se relacionam em ondas que se propagam no ar com influência de líquidos. Para experimentar fazer música com materiais que estão em nosso cotidiano, peça aos alunos para trazer cinco garrafas de vidro do mesmo tamanho. Encha a primeira garrafa com água quase até a boca, a segunda com três quartos de água, a terceira pela metade, a quarta com um quarto de água, e deixe a quinta vazia. Para enxergar melhor os níveis de água, você pode colorir a água com algumas gotas de tinta ou anilina. Proponha que os alunos experimentem soprar por cima de cada garrafa. Sons diferentes podem surgir, com mais água o som é mais grave e a garrafa sem água produz um som mais agudo. Faça várias experiências com os alunos e pesquise sobre aparelhos que medem o som, hoje há vários programas de computador que apresentam esses resultados. Uma dica é a pesquisa feita em escolas com alunos do Ensino Médio, disponível em: . Experimentos sonoros com um xilofone podem ser feitos também com garrafas de vidro, utilizando dessa vez sete garrafas: uma para cada nota musical. Níveis de água diferentes em cada garrafa vão produzir sons distintos. Depois pendure em um cabo de vassoura com barbantes. Com um bastão de madeiras as garrafas viram notas musicais. O som de cada nota vai depender do tipo (tamanho) da garrafa e da quantidade de água. O que os alunos inventam? 07_AF_03.indd 13 28/05/10 17:50 14 Conhecendo pela pesquisa Quais materiais podem se transformar em instrumentos? O povo de Trinidad, ilha do Caribe, transformou lixo da época da Segunda Guerra Mundial: tambores de aço usados para óleo de navios deixados na ilha pelos soldados norte-americanos. O povo percebeu que esse material produzia um som diferente. Assim criaram os Pans, que marcam uma forma de música que faz parte do patrimônio cultural do povo de Trinidad. Uma pesquisa pode ser desenvolvida sobre a música nas diversas culturas e seus instrumentos feitos de materiais do cotidiano ou instrumentos tradicionais. Essas pesquisas podem levá-los a descobrir músicos que exploram e inventam instrumentos, como Hermeto Pascoal, grupo Uakti ou Walter Smetak, ou que tiram som do próprio corpo, como o grupo Barbatuques. O que os alunos conhecem da notação musical? São muitos os símbolos das partituras convencionais que podem ser apresentados aos alunos, se você, professor, tem formação na área ou há algum aluno que tenha. Músicos contemporâneos também têm criado partituras inusitadas que se utilizam de recursos visuais, palavras etc. Vale pesquisar a obra Patria de Murray Schafer, disponível em: e a esfera Acronon de Koellreutter que permite infinitas possibilidades de leituras, disponível em: , entre outros. O que os alunos gostam de ouvir? O que sabem sobre essas linguagens musicais? Sabem que, por exemplo, a palavra rap tem origem nas palavras em inglês: rhythm and poetry – ritmo e poesia, que por suas iniciais formam a palavra rap? Sua principal característica é o discurso rítmico com rimas, nasceu na Jamaica na década de 1960 e é um dos elementos da música e cultura hip hop entre outras particularidades desse estilo que os alunos podem descobrir. Assim como o rap, o rock norte-americano, a electrohouse (eletrônica/techno/dance), o forró universitário ou o rock brasileiro tem sua história e 07_AF_03.indd 14 28/05/10 17:50 material educativo para o professor-propositor 15 MÚSICA DAS ESFERAS estão ligados a contextos culturais que influenciam a vida e comportamento dos jovens. Uma pesquisa a partir da realidade dos estudantes pode ser instigante. Na primeira parte do documentário Música das esferas, há uma explicação de como o som se propaga pelo ar no processo de compressão e rarefação. Em uma parceria com a disciplina de física, o que pode ser pesquisado sobre o som e suas propriedades, timbre, altura, intensidade, duração entre outras possibilidades? Vamos calcular as notas de Bach pela teoria de Napier? Por exemplo: A nota mi tem valor na escala de Bach de 24/12.. Desenvolva essa operação usando os logaritmos de Napier e encontre o valor. Você pode usar uma tabela de logaritmos de base 2 ou uma calculadora cientifica. Na calculadora para encontrar o valor de 24/12, digite a sequência: 2 yx (4÷12)= x. Quanto fizer isso irá obter o valor x= 1.25999105, dessa forma você descobrirá o valor da altura do som da nota mi. Proponha que os alunos pesquisem o valor das outras notas. Busque parcerias com o professor de Matemática. Você pode conhecer mais sobre a tabela logarítmica no site: . Com um programa de computadores também se podem fazer cálculos para saber o valor da altura das outras notas da escala temperada de Bach. Imagine que no tempo de Napier esses cálculos eram feitos na ponta do lápis, mas agora há muitos recursos. A planilha Excel (Office) apresenta várias possibilidades: há uma opção no ícone fórmulas, opção matemática, trigonometria. Nesse momento escolha a sigla LN (Logaritmo Neperiano ou natural de um número). Essa ação abre uma janela de digitação onde você pode escrever a sentença matemática: 2^(4/12). Assim você obterá o mesmo valor da calculadora da nota mi. Brinque com esse recurso e descubra o valor das outras notas da escala de Bach; as referências são: dó(1), dó#(21/12), ré(22/12), ré#(23/12), mi(24/12), fá(25/12), fá#(26/12), sol(27/12), sol#(28/12), lá(29/12), lá#(210/12), si(211/12), dó em escala acima (2). O símbolo # é lido como sustenido. 07_AF_03.indd 15 28/05/10 17:50 16 Pesquise se próximo à escola ou entre a comunidade (pais ou familiares dos alunos) há músicos para convidá-lo para uma conversa com a turma. Essa proposta, além de ampliar saberes, pode valorizar a cultura local e aproximar comunidade e escola. Desvelando a poética pessoal Um espaço para que os alunos se sintam motivados a criar e a descobrir sua poética pessoal a partir das conexões impulsionadas pelo documentário é um desafio também para nós, professores. Uma das possibilidades é construir o monocórdio de Pitágoras já explicado em Ampliando o Olhar, que permite a análise de sons emitidos para o estudo da materialidade do som e construção de conceitos na música e na ciência. Que sonoridades os alunos podem inventar? Outra proposição é procurar saber se entre os alunos há grupos de música, como bandas de garagem, grupos de hip hop, grupos de coral, entre outros. A partir dos interesses dos jovens, você, professor, pode propor a organização de apresentações ou mesmo um festival de música. Poéticas pessoais, modos singulares de criação podem gerar boas produções, envolvendo arte e matemática. Fotos que registrem percursos, CD com músicas gravadas, depoimentos dos alunos e anotações podem compor um portfólio que conte a história do projeto. Amarrações de sentidos: portfólio O universo da música oferece muitas descobertas e para dar sentido ao que se estudou é importante que os alunos se apropriem dos conceitos construídos. Uma ideia é construir uma enciclopédia virtual de música, ou mesmo criar um blog para deixar disponíveis as informações colhidas durante o projeto e também espaço aberto para que outros jovens de diferentes partes do mundo possam também se manifestar sobre o universo 07_AF_03.indd 16 28/05/10 17:50 material educativo para o professor-propositor 17 MÚSICA DAS ESFERAS da música, além de novos links e fóruns de discussão sobre a música, direito autorais e pirataria da produção artística musical. Como essas questões afetam a vida dos jovens hoje? Quais as diferentes opiniões a respeito do assunto? Um portfólio pode ser também criado por meio eletrônico, gravado em CD com músicas que fizeram parte do projeto, pequenos filmes que mostram a interação dos alunos nas experiências e apresentações musicais, além de depoimentos e relatos de alunos, professores e membros da comunidade envolvidos. Valorizando a processualidade Na análise do portfólio e na leitura das ações realizadas, o que conseguimos aprofundar com os nossos alunos? Algo mudou em relação ao seu gosto musical? E sobre a história da música? E sobre a música e suas relações com as ciências? Os alunos se envolveram no projeto realizado? As discussões sobre mú- sica e mídias de comunicação de massa tornam os alunos mais críticos em relação ao consumo de produções musicais? A fala dos alunos sobre o que mais gostaram e o que menos gostaram sobre o que foi mais importante, sobre as dificuldades e sobre o que faltou no desenrolar do trabalho é um valioso instrumento de avaliação. É importante, também, perceber e valorizar o percurso trilhado composto pelas diversas ações concretizadas que se transformam em dados para avaliar e perceber que outros caminhos poderiam ser traçados e o que poderia ser apresentado para outras turmas, o que nos faz refletir, juntamente com o diário de bordo, em nosso próprio aprendizado. Personalidades abordadas Alberto Marsicano (São Paulo/SP, 1962) – Músico, filósofo e pesquisador dos ritmos hindus. É autor de vários livros e traduções de escritos musicais de peças clássicas indianas. Introduziu o instrumento indiano sitar no Brasil. Faz shows por todo o Brasil e no exterior. Caito Marcondes (Rio de Janeiro/RJ, 1954) – Músico percussionista. Cria e explora muitos instrumentos com materiais inusitados. Faz uma música de 07_AF_03.indd 17 28/05/10 17:50 18 atmosfera mágica, fruto de profunda pesquisa rítmica de várias culturas. É considerando pela critica brasileira um dos maiores músicos percussionista do Brasil. Johann Sebastian Bach (Alemanha, 1685-1750) – Organista e compositor alemão luterano do período barroco. Considerado por muitos o maior compositor da história da música. Muitas de suas obras refletem uma grande profundidade intelectual, uma expressão emocional profunda e, sobretudo, um grande domínio técnico. Pesquisador, propôs a escala temperada com notações matemáticas descritas em logaritmos. John Napier (Escócia, 1550-1617) – Matemático, astrólogo e teólogo. Foi responsável por enorme avanço para a matemática pela formulação do conceito de logaritmo como um artifício capaz de facilitar os cálculos. Seus cálculos modificaram a maneira de fazer contas na matemática financeira, além dos avanços nas navegações e cálculos em astronomia. Pitágoras de Samos (Grécia, c.570 a.C. - c.496 a.C.) – Filósofo, matemático, músico. Sustentava que o cosmos é regido por relações matemáticas. Na música deixou experimentos que influenciaram a música ocidental, como a Escala Pitagórica; na geometria, o Teorema de Pitágoras; na astronomia, estudos sobre a ordem no universo a partir da observação das estrelas, rotação da Terra e ciclo das estações do ano. Foi fundador da Escola Pitagórica, que tem por essência o princípio de que todas as coisas são compostas por números, configuradas em relações matemáticas combinadas que demonstram harmonias, essências, belezas. Vitor da Trindade (Rio de Janeiro/RJ, 1957) – Compositor, percussionista e violonista popular. Ensina ritmos e danças tradicionais afro-brasileiras, tendo vivido na Alemanha e ministrado cursos no exterior. Compôs para peças de teatro e para o balé “As Yabás”. Vivaldi (Itália, 1678 - Áustria, 1741) – Compositor de música barroca. Nascido Antonio Lucio Vivaldi, é autor de mais de quinhentos concertos (210 dos quais para violino ou violoncelo solo), óperas, sinfonias, 73 sonatas, música de câmara e música sacra. As quatro estações - Opus 8 é sua obra mais conhecida. Ele rompeu com a estrutura da época, fugiu das formas acadêmicas e adicionando contrastes harmônicos e melódicos. Glossário Logaritmo – Como instrumento de cálculo, surgiram para realizar simplifica- ções, uma vez que transformam multiplicações e divisões nas operações mais simples de soma e subtração. É um estudo da matemática que depende do conhecimento sobre potenciação e suas propriedades. Para encontrarmos o valor numérico de um logaritmo é preciso desenvolver uma potência ou toda potência pode ser transformada em um logaritmo. Fonte: Disponível 07_AF_03.indd 18 28/05/10 17:50 material educativo para o professor-propositor 19 MÚSICA DAS ESFERAS em: . Acesso em: ago. 2009. Música das esferas – Pitágoras descobriu a relação matemática entre som e harmonia, mostrando que os sons que chamamos de harmônicos, prazerosos, obedecem a uma relação matemática simples. Ele as lançou para as esferas celestes, onde, segundo a lenda, apenas o mestre podia ouvir a música das esferas. Fonte: JACQUEMARD, Simonne. Pitágoras e a harmonia das esferas. Rio de Janeiro: Difel, 2007. Parâmetros do som – Elementos constitutivos de qualquer som. Embora haja músicos que trabalhem com mais outros, são considerados quatro os parâmetros: Altura – indica agudos e graves. Popularmente “grosso” e “fino”. Alguns instrumentos musicais são reconhecidamente instrumentos que tocam sons graves: contrabaixo, tuba, tímpano; outros são reconhecidamente agudos: triângulo, flauta piccolo, ocarina. Duração – tempo que o som existe no espaço, longos e curtos. Pela sua alternância se constrói ritmos. Intensidade – determina som forte e fraco. Timbre – identidade do som, por exemplo sabemos se uma colher que caiu no chão  é de metal ou plástico pelo seu timbre. Fonte: SÃO PAULO (Estado) Secretaria de Educação. Caderno do professor: arte, ensino fundamental - 6ª série. São Paulo: SEE, 2009. v. 3. Rarefação e compressão do som – O som é uma forma de energia observada pelo aumento ou redução periódica da densidade do ar, ou seja, compressão e rarefação. O movimento de vaivém do diafragma produz a onda sonora, que consiste numa compressão seguida de uma rarefação. A distância entre duas compressões sucessivas ou duas rarefações sucessivas é o comprimento de onda Sonora. O som pode apresentar variações. Essas variações são dadas pela mudança de frequência, timbre ou intensidade. Um som grave é produzido por uma frequência baixa de ciclos, algo em torno de 20 ou 30 Hertz. Os sons agudos são gerados por frequências muito altas até o limite da faixa audível de 20 kHz. Fonte: MATRAS, Jean-Jacques. O som. São Paulo: Martins Fontes, 1991. Bibliografia ABDOUNUR, Oscar João. Matemática e música: o pensamento analógico na construção de significados. São Paulo: Escrituras, 2006. CANDÉ, Roland de. História universal da música. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001. v.1. FELIZ, Júlio. Instrumentos sonoros alternativos: manual de construção e sugestões de utilização. Campo Grande: Oeste, 2002. JACQUEMARD, Simonne. Pitágoras e a harmonia das esferas. Rio de Janeiro: Difel, 2007. 07_AF_03.indd 19 28/05/10 17:50 20 MATRAS, Jean-Jacques. O som. São Paulo: Martins Fontes, 1991. OXLADE, Chris. Ciência e mágica com som. São Paulo: Nobel, 1995. p. 20-21. RIBEIRO, Artur Andrés. Uakti: um estudo sobre a construção de novos instrumentos musicais acústicos. Belo Horizonte: C/ Arte, 2004. SÃO PAULO (Estado) Secretaria de Educação. Caderno do professor: arte, ensino fundamental - 6ª série. São Paulo: SEE, 2009. v. 3. SCHAFER, Murray. O ouvido pensante. São Paulo: Ed. da Unesp, 1991. WISNIK, José Miguel. O som e o sentido: uma outra história das músicas. São Paulo: Círculo do Livro: Companhia das Letras, 1989. Webgrafia os sites a seguir foram acessados em 29 jun. 2009. ALBERTO Marsicano. Disponível em: . ARTE & matemática: 13 programas da série (pesquisas, conceitos e entrevistas). Disponível em: . BARBATUQUES. Disponível em: . CONSTRUÇÃO de instrumentos e a física na música. Disponível em: . HISTÓRIA da música. Disponível em: . ______. Disponível em: . ______. Disponível em: . A MATEMÁTICA da Música (ou uma aplicação curiosa dos logaritmos). Disponível em: . MONOCÓRDIO. Disponível em: . TABELA de logaritmos. Disponível em: .





- - -Percorrendo o enigma dos cinco sons: O uso da escala pentatônica na música ocidental

http://www.periodicos.udesc.br/index.php/linhas/article/viewFile/1302/1113

.1 Paulo Dernetre Gekas

2 Resumo: Pesquisa bibliográfica sobre o uso da escala pentatônica no universo musical ocidental do século XX, mais precisamente no blues norte americano e nas obras de dois compositores europeus pós-românticos. Palavras-chave: escala, pentatônica, modal, tonal Abstract: “Bibliographycal study on the use of the pentatonic scale in the musical universe ofthe eastern world during the 20th century, specially on the north american blues and the work of two postromantic european song writers.” Key-Words: scale, pentatonic, modal, tonal Quando tratamos do assunto “pentatônica”3 muitas questões surgem, instigando nossa curiosidade a saber mais a respeito de sua origem, suas aplicações e, principalmente, suas transformações no decorrer dos milênios de produção musical. Nos livros de história da música encontramos as definições tradicionais, que remetem ao mundo oriental e ao continente africano, assim como á maioria das mais remotas civilizações. Surgem então uma série de questões: - Porque tantas civilizações optaram por esta escala? 1 Trabalho de conclusão de curso apresentado ao centro de Artes da universidade do Estado de Santa Catarina — Udesc, como requisito completar para obtenção da graduação em Licenciatura plena, no curso de Educação Artística Habilitação em Música. 2 Graduado pela Universidade do Estado de Santa Catarina— 1999. Mestrando em Educação e Cultura do centro de Ciências da Educação da Udesc — turma 2001. 3 Tradicionalmente, Pentatônica’, é um termo aplicado a qualquer música, modo ou sistema baseado em cinco sons diferentes dentro de uma oitava. Muitas melodias tradicionais européias são sem semitons, os intervalos da escala pentatônica consistem de diferentes combinações de intervalos de segundas maiores e terças menores (exemplo. A-C-D-E-G. C-D-E-G-A etc). Um estudo mundial dos sistemas pentatônicos pode mostrar que a oitava pode ser dividida da várias maneiras diferentes (incluindo pentatônicas com semitons). (The New Grove Dictionary of Music e Musicians, 1980:353) - Que tipo de música se produzia (ou se produz) com esta escala (música modal ou tonal ?) ? E ainda, a que considero a principal nesta pesquisa: - De que maneira a música atual do Ocidente incorporou e adaptou esta escala? Destas e de outras questões, surgiu o meu interesse em estudar com maior profundidade este assunto, procurando estabelecer algumas conclusões a respeito deste tema. “ O Enigma dos cinco sons: o uso da Escala Pentatônica na Música Ocidental”, se propõe a pesquisar a pentatônica como influencia no blues e no jazz, e ainda, o fato desta escala estar inserida nas obras de compositores contemporâneos eruditos, como Debussy e Béla Bartók. A escola pentatônica desde sua remota origem, vem sofrendo alterações, sugerindo e transformando respectivamente seu uso e sua sonoridade nas mais diversas civilizações que fizeram e fazem uso desta escala como meio de produção musical. Como pode-se afirmar, já é fato consumado que o século XX, para o mundo ocidental, foi um século de retorno de muitos elementos musicais que, durante séculos foram evitados4 : músicas modais, percussões, ruídos, etc. O século XX opera uma grande mudança, no quadro sonoro ocidental até então. Neste século (XX) muitos elementos que estavam escondidos, e ora, por influência externa, como veremos a seguir – passam a serem concebidos como integrantes efetivos da linguagem musical. Além deste retorno, também observa-se um quadro de influências musicais, devido a contato mais intenso do mundo ocidental com outras culturas, em especial: africanas e orientais. O objeto do meu estudo também se encaixa neste cenário, e é destas influências que iremos tratar. O tópico deste trabalho localiza a escala pentatônica na música no século XX. Principalmente na parte ocidental do globo, especificamente no blues norte americano (por influência no Jazz e em todos os estilos subseqüentes a este; como por exemplo o rock) e em dois compositores europeus. No entanto, não trata-se propriamente da análise musical de obras, mas sim da análise dos caminhos que conduziram esta escala de cinco sons ao universo musical do mundo ocidental atual. 4 Por mundo ocidental, entendo e quero me referir a música ocidental a qual se tem registro histórico a partir do canto gregoriano ( já que são poucos e indiretos os registros da música feita na Grécia antiga). O canto gregoriano é o ponto de partida para uma tradição que vai dar na música barroca e clássico romântica do século XVII, XVIII e XIX. Está é uma tradição musical, que durante séculos buscou,por medidas às vezes coercitivas, evitar uma série de recursos e estilos musicais, como o ruído dos instrumentos acompanhantes, o colorido vocal das variedades de timbre e muitas manifestações musicais, chamadas durante muito tempo de ‘profanas’. (Wisnik, 1989:37) Origem histórica das escalas As escalas5 surgiram provavelmente como convenções sociais, e há muitas escalas no mundo que não mantém intervalos puros (que diferem da afinação temperada ocidental): “algumas escalas podem Ter surgido do desejo de produzir orifícios igualmente espaçados em uma flauta ou trastes6 em um instrumento de cordas. Para os ouvidos ocidentais, as escalas resultantes soam muito pouco naturais.” (Yehudi Menuhin e Davis, 1990: 28) . Segundo De Candé, estas escalas surgem: “ora espontaneamente como se estivessem inscritas no código genético de uma raça, ora, são ao contrário, escolhidos a priori pelos teóricos, que mandam construir os instrumentos segundo suas prescrições.” (1994: 102) E mais, há dois métodos simples para a formação das escalas e a avaliação dos intervalos: um pode ser qualificado de harmônico, o outro de cíclico. O primeiro se apóia na teoria segundo a qual todo som pode ser decomposto em sons parciais “harmônicos”7 , o segundo método preconizado pelos pitagóricos, considera apenas os quatro primeiros “harmônicos”, todos os outros intervalos são obtidos por superposição de quintas e redução de oitavas. (Ibidem) Sobre a origem propriamente da pentatônica, as opiniões são contraditórias, algumas afirmações indicam que, “foram os chineses os primeiros a examinar a relação entre quintas, e assim estabelecer a escala Pentatônica (de cinco tons), sendo que os documentos que comprovam esta descoberta datam de 3000 a.C. (Yehudi Menuhin e Davis, 1990:29) Porém, contrariando esta primeira afirmação, Montanari afirma que uma das civilizações mais antigas foi a dos sumérios, que ocupavam a Região sul da mesopotâmia, na Ásia central, a cerca de 6000 anos. Sabe-se que possuíam um método de leitura musical baseado em letras, e que se utilizavam de instrumentos para acompanhar vozes em oitavas. Os costumes musicais dos sumérios foram herdados pelos caldeus e assírios (outros povos que habitavam a Mesopotâmia), e mais, podemos afirmar que a principal característica musical desses povos da Mesopotâmia — em particular dos assírios — era a escala pentatônica. (Montanari, 1988:08-09). Pentatônica contextualização atual Vamos agora abordar o assunto cm outro contexto. Nossa pesquisa se direciona neste ponto para a parte ocidental do globo, numa perspectiva contemporânea, com o objetivo de localizar e identificar os usos da escala pentatônica. Entrando no universo musical do século XX (por questão de abordagem histórica o século XIX entrará no contexto), encontramos essa música “miscigenada” que reuniu as mais diversas propostas sonoras, numa verdadeira manifestação globalizante. E é nesse emaranhado que iremos encontrar a escala pentatônica, agora no mais na homofonia e sim, 5 Escala aquí entendida, como uma seqüência de notas construídas culturalmente, em ordem ascendente ou ascendente. 6 Uma tira divisória de tripa, osso, marfim, madeira ou metal que atravessa o espelho de certos instrumentos de cordas. A saliência rígida do traste a referência para o dedo prender a corda, influenciando a afinação e restaurando algo da qualidade sonora da ‘corda solta”. O alaúde, a antiga viola, o violão e citar indiano possuem trastes. (Dicionário Grove de Música, 1994: 958). 7 Sons parciais que normalmente compõem a sonoridade de uma nota musical. Tanto uma corda quanto uma coluna de ar têm a característica de vibrar não apenas como um todo, mas também como duas metades, três terços etc...(Dicionário Grove de Música. 1994:408) mergulhada em uma perspectiva harmônica, fato que irá redimensionar seu uso e sua sonoridade. O nosso campo de estudo se restringe a música Norte Americana (em especial o Blues e o Jazz), e a dois compositores europeus que fizeram uso da pentatônica em suas obras. Com esta abordagem pretendo localizar o surgimento desta escala que, neste final de milênio encontrou lugar na música ocidental. Segundo Wisnik, uma das matrizes do jazz, o blues, resulta harmonicamente de uma sobreposição singular do sistema tonal com o sistema modal8 “Combinam-se nele a escala diatônica e as cadências tonais com uma escala pentatônica (marca africana9 mixada com as bases da música européia), resultando dessa combinação uma ambivalência entre o modo maior e menor particularmente sensível naquelas blue notes inconfundíveis e penetrantes (a terça e a sétima notas da escala diatônica bemolizadas em choque com a terça e a sétima naturais; a partir do bebop10 , a quinta abaixada passou a poder soar também como blue note).”(Wisnik,1989:200). 8 Música modal, de maneira sucinta, pode ser definida como uma música que soa, repetitiva e circular, pela maneira característica de como desenvolve seu discurso em torno de uma tônica fixa. “E mais, pode-se dizer que muito freqüentemente a tônica permanece constante, enquanto a melodia gira em torno da escala e o ritmo produz variações, rebatendo com suas acentuações deslocadas os tempos e os contratempos do pulso”. Já a música tonal, se apoia sobre um movimento cadencial (progressões de acordes). “Definida uma área tonal (dada por uma nota tônica — primeira e principal de uma escala -, que se impõe sobre as demais notas da escala, polarizando-as), levanta-se a negação da dominante, abrindo a contradição que o discurso tratará de resolver em seu desenvolvimento. Mas a grande novidade que a tonalidade traz ao movimento de tensão e repoiso (que de alguma medida, está presente em toda música) é a trama cerrada que ela lhe empresta, envolvendo nele todos os sons da escala numa rede de acordes, isto , de encadeamentos harmônicos” . (Wisnik. 1989:106-107) 9 As músicas do Oriente e do continente africano são definidas como músicas modais. (Ver rodapé anterior) 10 Bebop é uma variação do estilo jazz, que teve origem durante a segunda guerra mundial. Destacam-se neste estilo os precursores: Charlie Parker e Dizzie Gillespie. (Vidossich, 1975:75) Comparando ambas escalas ∗em preto as blue notes André Francis tece algumas considerações sobre a influéncia negra, e conseqüentemente, da pentatônica, na música norte americana. Para ele foram os descendentes dos escravos, trazidos da África, que criaram o Jazz, apoiados nas suas próprias tradições e influenciados pela cultura dos senhores brancos. Um ponto de influéncia, de ambas as partes, foi a religião praticada pelos senhores brancos, e imposta aos negros. Como melhor maneira de arrebanhar as pessoas negras para a igreja, esta acabou se transformando em local de danças negras e criação de cantos novos, cantos profanos’. Um spiritual famoso, Oh wasn ‘t thai a wide river! , é construído sobre o mesmo motivo e o mesmo movimento de um canto bormu da Nigéria denominado Ah, as grandes lanças!. “Passando do sermão ao coral, o negro tropeçou nas linhas melódicas, que, então, lhe eram difíceis de exprimir. Sua tradição vocal, assentada em escalas pentatônica, o levará a transformar as melodias que o pastor lhe pedir para repetir depois dele. De certa forma, isto ensejará, nos primeiros passos do spiriiual, o nascimento do blues.” (Francis, 1987:XIV-07,). Edoardo Vidossich, também coloca a idéia de assimilação e a adaptação da cultura branca pelos negros: Sem repudiar suas tradições, o africano começa, todavia, a incorporar em sua cultura alguns elementos e estruturas da civilização européia. Familiariza-se com a harmonia e as linhas melódicas; adota outros instrumentos, utiliza o patrimônio lexical dos colonizadores e vai transformando aos poucos seu folclore. Assim, músicas do velho Mundo e o acervo do Continente negro, incorporam-se em diversas linguagens até se concretizarem na música popular afro-americana e suas múltiplas ramificações (Samba, blues, Rumba, Calendas, Jazz, Merengues, Calypso, Cumbia, etc...)... Os sincretismos nasce assim do entrelaçameto e das influências mútuas no processo de aculturação. Difícil, entretanto, seria estabelecer qual foi o coeficiente mais decisivo: se o branco, se o negro. (Vidossich, 1975:24,) A língua falada sempre foi determinante na produção musical de todas as civilizações de todas as épocas. Outro fator que pode ajudar a esclarecer um pouco mais as transformações implantadas pelos negros na cultura norte-americana são as alterações sintáticas que sofreram algumas palavras. “Os escravos moldam as línguas de acordo com as exigências do canto, seguindo sua tradição atávica (hereditária). Nesta forma surgiu o ‘Negro-English’, ‘patois’11 outrora existente nas zonas rurais do sul das colônias britânicas” (Ibidem:25). A seguir algumas palavras transformadas que ainda hoje são utilizadas no repertório popular (blues, spirituals e jazz): Sincretismo Idiomáticos Vocábulos originais Deformações no “Negro-English” Mind Min What to do Whatta do Lord Lawd, Lawdy More Mo’ Before Befo’ Because ‘Cause 11 Patois era a língua dos negros rurais da Louisiana do Sul. (Domínguez Apud Collier. 1995:194) And An’ I am going 1’gonna (Ibidem) O nascimento do Blues Durante a guerra de Secessão (Guerra civil entre o sul e o norte dos Estados Unidos, 1861-1865), os primeiro músicos a surgir foram os cantores de canções em estilo de lamentação. A guerra, e suas já conhecidas conseqüências, juntamente com a libertação dos escravos, veio estimular a inspiração dos poetas populares. Modernos trovadores, muitos negros viajavam de cidade em cidade para cantar acompanhados por uma simples guitarra. E a partir daí começa a se desenvolver a história do blues. Como já foi dito anteriormente o blues modificou a nossa escala tradicional (escala maior), ao alterar a terceira e a sétima nota, de um modo que no se pode transcrever fielmente na partitura. Ao modelar essas notas, ao fazê-las oscilar entre os tons maior e menor, os primeiros cantores negros norte americanos criaram as blue notes, e mais, criaram também os blues, que são cantos de abandono, de desespero e tristeza. Desta forma, podemos dizer que o blues surgiu como linguagem musical ‘miscigenada’ e serviu como principal fonte do Jazz de New Orleans que se espalhou pelo continente Americano e depois para o mundo. (Vidossich, 1975:30-5 1) Compositores europeus Nossa proposta neste ponto não é listar os nomes de todos os compositores12 europeus que fizeram uso da escala pentatônica, e muito menos analisar obras musicais, mas apenas verificar o surgimento desta escala na Europa como meio de produção musical. “É notório que o interesse pelo exótico, os impulsos musicais espontâneos e outras inovações, exerceram forte atração em diversos grandes nomes da música européia. Eles descobriram no folclore e nas tradições das mais antigas civilizações fontes vitais de musicalidade”. (Vidossich, 1975:67) Paul Griffiths, afirma que se uma nova libertação podia ser esperada para a música do final do século XIX, ela no viria do Ocidente, mas do Oriente. Segundo Griffiths é longa a história do orientalismo musical, mas no que diz respeito á música moderna a tendência mais uma vez tem origem no Prélude 1 ‘aprs-Midi d ‘un Faune, de Debussy. 12 O pentatonismo também foi explorado por outros notáveis compositores como: Chopin, Puccini, Ravel e Strawinsky. Na área da educação musical destacam-se Carl Orff e Kodály. O primeiro explorando a improvisação e o segundo a pesquisa folclórica (Segundo Auras, no método Kodály, melodicamente o processo inicia-se com músicas que contenham uma terça menor descendente, introduzindo-se gradualmente as notas da escala pentatônica. (Auras, 1994:10) O centenário da Revolução Francesa, em 1889, seria um marco importante na carreira de Debussy, então com 27 anos. Nesse ano ele entrou em contato com a música asiática, graças a um espetacular evento, promovido em meio ás comemorações: a Exposição Universal. Esta exposição, foi um evento lançado em Londres em 1851, realizava-se a intervalos irregulares, de um, três e seis anos (houve uma no Rio de Janeiro em 1922, e a última foi a de São Francisco, em 1939). Para a maioria dos artistas no final do século XIX e início do século XX, havia a rara oportunidade de nestes eventos conhecer colegas de noções distantes e descobrir novas fontes de inspiração. Em 1889, três anos antes de iniciar Prélude à l’ après-Midi d’un Faune, Debussy ficou vivamente impressionado com a música oriental que ouviu na Exposição de Paris. Este contato com a cultura oriental influenciou profundamente as obras futuras do compositor. “Debussy certamente utilizou escalas e ritmos orientalizantes em Pagodes para piano (1903) e certas obras posteriores”. (Griffiths, 1993:115-127) A música oriental impressionou Debussy, a instrumentação dos javaneses, indianos e chineses lhe mostrava um novo campo de sonoridades. Debussy pôde então verificar: a preciso no ritmo; a ausência da barra de compasso; as escalas por seis tons inteiros; as escalas pentatônicas; a no adoço do binômio maior/menor. (Clássica, A história dos Gênios da Música, 1988 :68-69) Vestígios da influéncia recebida, podem ser ainda observados cm muitas outras obras, como: nas Estampes, para piano, cm pagodes; La Mer; Nuages e principalmente nas peças para piano, em que ele sutilmente usou características da música exótica ouvida na Exposição. Outro compositor que achamos conveniente citar a esta altura é Béla Bartók que por outra via, a da pesquisa do folclore, redescobriu a pentatônica em suas viagens pela Hungria e países vizinhos, assim como pela Turquia e o norte da África. Como compositor, não lhe interessava apenas utilizar temas folclóricos, mas penetrar até as raízes da música folclórica e tirar proveito de suas descobertas. “O estudo dessa música camponesa” , escreveu, teve para mim importância decisiva, pois me revelou a possibilidade de uma total emancipação da hegemonia do sistema maior-menor. A maior parte desse tesouro de melodias — também a mais valiosa — deriva dos antigos modos da música de igreja, de escalas da Grécia antiga e ainda mais primitivas (notadamente a pentatônica). (Béla Bartók Apud Paul Grffiths: 55) Na abordagem dos caminhos percorridos por esses compositores para a realização de algumas de suas obras, podemos localizar o surgimento desta escala na música ocidental moderna. Dentro do universo ocidental essa escala surgiu — por influéncia externa, com uma exceção aberta para caso particular do folclore - no século XX como elemento fomentador da produção musical. Destacam-se o blues, na América do norte, e na Europa, o acontecimento se encaminha por duas vias distintas: por um lado, o fenômeno do orientalismo, influenciando uma série de compositores e, por outro, a pesquisa folclórica que sublinhou um fenômeno que já ocorria nas raízes de várias culturas. Conclusão Este trabalho tratou do surgimento (e ressurgimento) da escala pentatônica em dois contextos e por duas vias distintas: o blues na América do Norte e a música pós-romântica na Europa. Este surgimento pode ser localizado em dois pontos distintos: nos E.U.A. com o fenômeno do blues que misturou a pentatônica africana com a música tonal tradicional; e na Europa, por ditas vias, por um lado Debussy e a tendência do orientalismo, tendo como marco a Exposição Universal, e por outra via, as pesquisas de Bartók, que localizaram a pentatônica nas raízes do folclore europeu. Acredito que neste ponto ainda restam muitas lactinas cm aberto, porém, esta pequena pesquisa com certeza pode, dentro do possível, clarificar alguns pontos e dar subsidio para uma melhor compreensão deste enigmático e fascinante assunto (assim como incentivar futuras pesquisas) que envolve grande parte da música produzida no século XX. Outro ponto que cabe citar nesta conclusão, é o fato da fusão do universo modal com o tonal, verificado no blues e no jazz. Nesta perspectiva fica claro que agora a pentatônica assume uma nova faceta cm sua trajetória histórica. Inicialmente, a escala sem tenso (na música modal) que podia iniciar ou terminar as frases cm qualquer das cinco notas sem que se duvida se do efeito13 agora vem “acompanhada” por acordes que possibilitam tensões e notas de acordes. A escala agora assume urna nova proposta sonora definida pelo acorde do momento, podemos dizer que a escala perde sua hegemonia milenar uma vez que se subordina as simultaneidades sonoras evocadas pelos acordes, e passa a transitar com seu discurso sonoro entre tenso e relaxamento, definidos pelo acorde de suporte. Como última concederão, pode-se dizer que o universo pentatônico foi traçado e orientado por inúmeras conseqüências históricas, e que cabe aos pesquisadores tentar compreender este percurso tão sinuoso que continua a ser traçado todos os dias, seja por um músico em Hong Kong ou em, Nova York. No entanto, apesar de todas as classificações e interpretações que se possa dar a esta escala, dificilmente o enigma será compreendido em sua essência, e os cinco sons continuarão a instigar nossa curiosidade e imaginação. 13 Wisnik define esse sistema como: “o principio do rodízio do centro, que no caso da escala pentatônica (entendida como escala do mundo modal), é intimamente unido á própria ordem sonora, pois a circularidade está inserida na sua própria estrutura; nela, cada nota pode ser indiferente o princípio o fim ou o meio de um motivo melódico, todas podem estar num ponto qualquer do caminho (como nota de passagem), ou então soar já como nota final, que encerra e conclui o motivo.” (Wisnik, 1989:72). Referências Bibliográficas: AURAS, Harold Freibergs. Kodály Sistema e Processo de Educação Musical. Florianópolis, 1994. CLÁSSICA, A História dos Gênios da Música. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1998. COLLIER, James L. Jazz . A Autêntica Música Americana. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1995. DAVIS, Curtis V. e Yehudi Menuhin. A Música do Homem. São Paulo: Liv. Martins fontes, 1990. DE CANDE, Roland. História Universal da Música. São Paulo: Martins Fontes, 1994. DICIONARIO GROVE DE MÚSICA. Edição concisa / Editado por Stanley Sadie. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994. FRANCIS, André. Jazz. São Paulo: Editora Ática, 1987. GRIFFITHS, Paul. A Música Moderna. Uma História Concisa e ilustrada de Debussy a Boulez. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1993. MONTANARI, Valdir. História Da Música da Idade da Pedra a Idade do Rock.: Editora: Ática, 19 THE NEW GROVE DICTION Y OF MUSIC AND MUSICIANS. Edited by Stanley Sadie in Twenty Volumes. London: Macmillan Publishers Limited, 1980. VIDOSSICH, Edoardo. Sincretismos na Música Afro-Americana. São Paulo: Quíron, 1975. WISNIK, José Miguel. O Som e o Sentido. Urna Outra História das Músicas. São Paulo: Editora Schwarcz ltda, 1989.

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domingo, 13 de setembro de 2015

one shot, two hours, total triumph.

Toronto film festival 2015 - First look review
Victoria review: one shot, two hours, total triumph
5 / 5 stars

http://www.theguardian.com/film/2015/sep/10/victoria-review-one-shot-two-hours-total-triumph
   
Sebastian Schipper’s extraordinary thriller is no mere stunt but an immersive experience whose gripping performances and technical innovation make it hard to shake

 ‘Inarguably a stunt, Victoria still manages to overwhelm in ways that few films do’

Nigel M Smith

Shot over two hours in a single, dazzling take, Victoria is one of the year’s most impressive technical achievements – but it’s more than mere gimmick.

The German film - which first screened at the Berlin film festival where it won the Silver Bear for Cinematography – signals actor-turned-director Sebastian Schipper as a major talent behind the lens. Victoria is a huge logistical and artistic gamble; one which pays off astonishingly.

The film begins in the vein of a neon-lit Gaspar Noe film, with the film’s titular heroine (played by the fiercely talented Laia Costa), dancing in an underground Berlin club to a throbbing techno beat. It’s an intoxicating kickoff to a film whose second act swiftly descends into hell.

After leaving the club in the wee hours of the morning to work at a local cafe, Victoria runs into a pack of young men, who seem intent on wooing her. The best-looking of the group, Sonne (Frederick Lau), succeeds, and Victoria to drop her prior plans to drink with them on a nearby rooftop.


Given the real-time factor of the project, the initial meet-and-greet between Victoria and the men meanders a little, as not much happens. But that makes the payoff all the sweeter when Victoria and Sonne eventually embrace following an intimate exchange.

Their burgeoning romance is put on hold as Sonne and his friends are ordered to meet with a professional gangster to whom they owe a huge debt. Victoria unwisely accompanies them to the underground parking lot, where the men are tasked with robbing a bank to repay Andi. Victoria, in way over her head, agrees to act as driver.

It’s here, past the one-hour mark, that Victoria goes full-throttle to morph into a breakneck, high-stakes heist thriller; it doesn’t let up until its final, mournful reel.


The tracking shot: film-making magic - or stylistic self-indulgence?
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Shot continuously for over two hours in 22 locations, from 4:30am onwards, Victoria asks a lot of its cast, who improvised all of the dialogue based on a bare-bones script. They all tear into the experiment with abandon. Costa, especially, is remarkable: going from carefree to shellshocked over the course of one life-altering morning, she doesn’t strike a false note, serving as the eyes and ears of the audience on the hellish journey. She also lends the project enormous heart, particularly when the devastating conclusion comes into play.

Despite the strong performances, it’s Schipper’s single-shot conceit - and the fact that he and his team pulled it off with aplomb - that makes Victoria such a bracing triumph. While the entire enterprise is inarguably a stunt, Victoria manages to overwhelm in ways that few films do.

It’s fitting that Schipper breaks convention in the end credits to lead with cinematographer, Sturla Brandth Grøvlen, in place of his name. His incredibly fluid work never distracts - it only immerses.

Roy Andersson: ‘I’m trying to show what it’s like to be human’


A Pigeon Sat on a Branch Reflecting on Existence
Roy Andersson: ‘I’m trying to show what it’s like to be human’


The Swedish director, whose film A Pigeon Sat on a Branch Reflecting on Existence premieres at Venice next week, mourns society’s breakdown – and explains why he sees himself as a bird



Roy Andersson: ‘I’m one for solidarity, for a society where one shares.’

From the outside, Studio 24 looks like a normal, neutral Stockholm townhouse. Step inside, however, and you enter the world of Roy Andersson, one of the most distinctive film directors working today, a master of long-take, left-field comedy, a humane advocate of the virtues of the absurd. Village Voice branded him the “slapstick Bergman”; his singular mix of bleak and bawdy has won him fans who, despite decades between movies, stay loyal.

The ground floor of Studio 24 is a vast space in which are shot almost all his films’ scenes – most of which are static, intricate tableaux. For the first time in four years, the space is almost empty, cleared of the debris and props featured in his latest film, A Pigeon Sat on a Branch Reflecting on Existence. Just a pile of shoes remains.


The film team review A Pigeon Sat on a Branch Reflecting on Existence

When I visit, it is just before the news that Pigeon will not, as had been widely expected, premiere at Cannes. “It’s a shame that we keep failing to make it in time,” Andersson says. “We sent the scenes in two different orders, but we still haven’t heard from them. If they cannot see the value of what they received, then there is no point of being in Cannes anyway. I’m not mourning at all. Hopefully, we will make it to Venice instead.” His hopes were realised: the film premieres on the Lido next week.


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Andersson climbs the squeaky staircase that leads to his office and newly installed cinema. He is 71 now, and almost two decades have passed since he started work on his best-known film, Songs from the Second Floor, which was released in 2000, and seven from the release of You, The Living. In total he has made five feature films, starting with A Swedish Love Story in 1970, then Giliap (1975), and is the author of two books. He finances his films by making commercials – so far, he has made about 400 of them. His mission statement remains the same, whatever the year, whatever the medium. He wants to give a voice to “the small human being … [who] symbolises all of us. I’m trying to show what it’s like to be human and to be alive.” It is an aim at once modest and enormous.


A scene from A Pigeon Sat on a Branch Reflecting on Existence. PR

As with all his work, Pigeon operates in the gap between pain and laughter. The initial scenes show three everyday encounters with death. A man dies of a heart attack trying to uncork a bottle of wine while his wife is distracted by the sound of an electric mixer. Three siblings visit their ailing mother in hospital, the eldest upset that she is still clutching her bag, which is full of jewellery. In the third, a man lies dead on the floor of a ferry cafeteria as the crew worry about how to divvy up the food he has ordered.

Behind the mordancy, there is a deeper message. “I’m one for solidarity,” says Andersson. “A society where one shares, and feels responsibility towards others. Unfortunately, we’ve had a period where to look after one another is seen as old-fashioned. This is the path Sweden has taken politically. But it’s evident that it hasn’t worked out. It is a painful insight, which I think people will start to realise more and more. Not least [current Swedish prime minister] Fredrik Reinfeldt.”


A scene from Andersson’s 1975 feature film, Giliap. PR

For such a surrealist, Andersson makes movies rooted in real life, which often riff irreverently on history. A Pigeon is no exception. One of its scenes includes a message to Swedish mining and smelting company Boliden, which sold thousands of tonnes of smelting residue to Chile in the 1980s, only to face a lawsuit claiming hundreds of people, including children who played on the waste sites, had been poisoned. In the film, people are led into a huge copper cylinder, made by Boliden. “But we didn’t use their typography,” says Andersson. He sighs. “They just keep saying business is business. Morally it doesn’t make sense. The world can’t go on like that.”

During our meeting, Andersson flicks through books stacked all over the room. He is forever referencing an author or a painter – Matisse, James Ensor, Otto Dix, George Grosz, Camus, Stig Dagerman, Hjalmar Söderberg, Balzac and Dostoevsky – restless to verify quotes. It is not just his distinctive aesthetic that bears the hallmarks of this education, but also his stripped-back, oil-black dialogue. As a child, he says, he wanted to be an author, despite being “raised in a family that was not intellectual at all”.

The personal and the universal are inseparable in his work; this latest may be more clearly autobiographical than most. One scene has sailors exchanging vodka for kisses with a singing waitress. It is, he says, a tribute to growing up in Gothenburg. “Working-class kids, including me, were taken to the seaside by the city of Gothenburg where we received a bun and milk. It meant a lot to me.” Such gestures instilled in Andersson a keen sense of civic responsibility that he wants to share through his films. “I’m trying to show we have to care for the little we have left. I want to show the vulnerability, and the weakness we carry,” he says.

Songs from the Second Floor, released in 2000, is perhaps Andersson’s best-known film. PR

All the locations in Pigeon, like those in his previous films, feel familiar, yet unrecognisable. There is something askew about that pub, something uncanny about that living room. “I’ve come to realise that I can’t shoot real environments. I prefer a hyperreality,” he says. This is achieved by hand-building each set in the space below us, and using trompe l’oeil. “It looks real but it’s purified and condensed. I’m fascinated by how life’s grandness, smallness and mortality appear much clearer this way.” This quest for authenticity means that Andersson works primarily with non-professional actors, people he spots out and about, at the petrol station or in a bar. “There might be 10,000 professional actors in Sweden, meaning that the choice is far larger in real life. I’m looking for something people have never seen before.”

Contrary to rumour, this will not be his last film, he says. “I feel like I can’t stop filming.” Nor can he stop trying to convey his message to the world, observing its madnesses, offering a commentary. “It’s me thinking about existence. I project myself as a pigeon.”

Fonte: www.theguardian.com/film/2014/aug/28/roy-andersson-pigeon-sat-branch-reflecting-existence

http://www.theguardian.com/film/2014/sep/02/a-pigeon-sat-on-a-branch-reflecting-on-existence-review-roy-andersson-venice-film-festival

sábado, 1 de agosto de 2015

Fotografia de Casamento - Lista de Equipamento Completo


Equipamiento necesario para bodas. ( Todo el equipo )


El sábado estuvimos de boda y como siempre antes de hacer la mochila coloco sobre una mesa todo lo que llevo dentro. En ese momento pensé que una relación de todo el equipo podía ser el tema de una entrada en este blog.
También es la sugerencia de un lector y aquí va:
1 – Nikon D200
Sus 10 Mp la hacen un poco justa, sobre todo si tienes que hacer recortes en las fotos. Por sus niveles de ruido, no es recomendable pasar de 400 ISO. Su pantalla es pequeña y me engaña en muchas ocasiones. Su sistema de enfoque, nada que ver con el de la D300. Esta esperando su relevo casi desde que la compre. Supongo que será una excelente segunda cámara.
2 – Lente Zoom 18 – 200 VR.
Un todoterreno con una mediana calidad. Bastante bueno para su rango, preferiría
un 24 – 120 si ganara en calidad y definición. Aun así, muchos lo usan y da la talla.
3 – Flash SB800.
Un verdadero ser pensante que también necesita ser sustituido, ya que tanto uso debe ser la causa de que se hagan tan largos los tiempos de reciclado. Ahora es un flash de reserva.
4 – Flash SB600.
Es el que uso ahora regularmente. tiene menos potencia pero al tener menos uso recicla bien, algo sumamente importante en una boda.
5 – Flash Chino de marca YONGNUO.
Lo uso como reserva o si creo esquemas con 3 luces. Su célula fotoeléctrica lo hacen ideal para ser disparado como una luz de contra.
6 – Difusor para flash Nikon SB800 y SB600
Viene de serie con el SB800. Indispensables, casi siempre están.
7 – Adaptador para convertir los SB en luz circular o ring flash marca Orbis.
Herramienta muy versátil con la que se puede conseguir magníficos resultados.
9 – Reflector circular Lastolite de 80 cm.
Con superficie plateada y dorada, pero ademas, sin estos forros es una pantalla difusora, con la cual puedes solucionar muchas problemas. ( Si voy solo llevo uno de 55 cm )
10 – Sombrilla difusora de 80 cm.
11 – Pie de luz Mamfrotto. Modelo 5001B
12 – 2 disparadores de flash por radiofrecuencia ( trigger ) modelo CTR-300YONGNUO. No puedes confiar mucho en ellas pero resuelven y te permiten alejar
mucho el flash.
13 – Cable separador de Flash SC – 29
Indispensable para usar el Orbis y separar el flash de la cámara. Sobre todo cuando no sabes porque fallan los trigger.
14 – Abrazadera ( Clamp ) Manfrotto con rotula Kaiser para sombrilla y flash.
Para colocar una segunda luz en muchos lugares.
15 – Monopod Slik 350 más rotula Manfrotto 234
Lo prefiero antes que mi pesado trípode. Te permite bajar la velocidad dentro de las iglesias. Ademas es una buena arma defensiva. No aparece en la foto porque esta siempre en el coche.
16 – Trípode pequeño marca Cullmann, más rotula para sombrilla y flash Kaiser.
Lo utilizo para colocar un flash de contra en el suelo.
17 – Estuche de Tarjetas a prueba de todo con Gbs. de almacenamiento de sobra.
18 – 10 o 12 juegos de pilas AA bien cargadas. Más vale que sobre a que falte.
También llevo 2 baterías de repuesto para la cámara y ya no llevo la unidad de alimentación MB-D200  porque dejo de funcionar inesperadamente.
19 – Mi comprobador rápido de baterías. Uniross.
20 – Una herramienta multiusos del tipo pinza y todo lo demás.
21 – Una tijera compacta.En casa de los novios siempre me la piden y quedas bien. Y mejor si sacas una
pequeña tijera compacta, que una agresiva herramienta multiuso.
22 – Un cono casero para estrechar el has de luz de del flash de luz de contra.
23 – Paño apropiado para la limpieza de la óptica
24 – El contrato firmado con los novios con todas las anotaciones necesarias.
25 –  El iphone.
Con un extenso archivo de mas de 4000 buenas fotos, debidamente clasificas.
Todo esto va en una mochila LowePro modelo Mini trekker ni muy grande ni muy pequeña, suficiente para tanto equipamiento.  El monopod, el pie de luz y la sombrilla van en una bolsa Manfrotto MBAG70.
Todo este equipo esta pensado para cuando voy (como en la totalidad de los casos ) con un ayudante, mi compañera casi siempre. Que lleva ademas una segunda cámara, mi antigua D70 con un zoom 10 – 70. Como no cabe en la mochila, va en un bolso aparte casi siempre en un LowePRO Stealth Reporter D200 AW.
Si por casualidad fuera solo (trabajar sin ayudante ) reduzco el equipamiento de iluminación y hago espacio en la mochila para esa segunda cámara. En una boda nunca debería ir sin una segunda cámara.
Quizás piensen que algunos accesorios no pueden ser utilizados simultáneamente.
El difusor del flash, el flash de anillo, la sombrilla. Como y cuando los uso será el tema de otro post.

https://rogelioelfotografo.wordpress.com/2010/10/17/equipamiento-necesario-para-bodas-todo-el-equipo/

Uma história pessoal através de câmeras fotográficas

Sobre rogelioelfotografo.wordpress.com
Este, (ya se puede decir) es mi antiguo blog, un lugar donde pasaba el rato escribiendo sobre fotografía y otras cosas que me interesan. Desde finales del 2013 por varios motivos deje de escribir aquí regularmente. Es posible que muy pronto cree otro sitio donde ademas de mostrar mi trabajo continúe escribiendo. Gracias por las visitas
Sobre mi equipo
Es habitual entre fotógrafos hablar de sus cámaras, incluso es común que aparezcan junto a su firma cuando comentan en un foro. Por extraño que parezca, yo no lo veo importante. Pero incluso yo mismo en alguna ocasión cuando me llama la atención el trabajo de algún fotógrafo me ha asaltado la curiosidad. He aprovechado una entrada de hace algún tiempo donde intentaba poner a salvo del olvido a todas mis cámaras analógicas y lo he completado con una segunda parte donde hablo brevemente sobre mi equipamiento digital. No pretendo aburrir a nadie.
Mis cámaras analógicas desde el principio (30/11/2010)
Esta es la historia de todas mis cámaras, se que para casi todo el mundo esto no tiene ningún interés, pero para mi, esta bien mantener esto a salvo del olvido. Podría comenzar con aquello de que a los 6 años mi padre me regalo una cámara barata, pero no será así. No se exactamente porque razón a esa edad mas o menos, andaba yo con una cámara barata. No le sacaba mucho provecho, y era muy incomodo su funcionamiento pero algo iba haciendo. Sobre todo me hacia fotos a mi mismo y a mis familiares, pero de alguna forma para ese entonces, aquello me interesaba. Y no solo tuve una, fueron varias, recuerdo que costaban 35 pesos, de aquellos años 80 en Cuba, una década bien extraña. Buscando encontré esta pagina, donde aparecen algunos de estos pintorescos modelos de nombre Smena.
La Smena de fabricación rusa costa 25 pesos cubanos
Ya en los años de secundaria y bachillerato, tampoco puedo precisar por que motivos, aunque pudo haber sido la influencia de un amigo me pase al formato 6X6 con lasLubitel.  Excelente cámara, también de fabricación rusa, imitación de las famosas Rolleiflex.
La Lubitel costaba 35 pesos y un rollo no llegaba a 2 pesos cubanos de la época
Disfrute mucho con estas cámaras, y la magia de aquellos negativos donde solo cabían 12 cuadros. Recuerdo haciendo fotos de mi mismo y haciéndole a quienes se me ponían a tiro, aun guardo esos negativos. También tenia un pequeño flash de la marca Maxell y recuerdo que aquello de hacer fotos en la oscuridad era todo un misterio. Tuve varias de este modelo, recuerdo que una de ellas quedo inutilizada al caer desde una gran altura, en una de mis primeras exploraciones  espeleológicas por aquellos años.
Con mi Lubitel en una de las habituales salidas espeleologicas
La use mucho, y no la soltaba a pesar de lo voluminosa que era, en el servicio militar recuerdo que en unas maniobras militares, la llevaba escondida en la bolsa, en lugar de la mascara antigás. Y casi siempre como me interesaba salir en las fotos la hacia funcionar empleando el retardador de disparo. Cuando entre en la universidad la use menos, aunque al finalizar el primer año de carrera, en en la expedición al Turquino en compañía de Jorge Luis Labrada, Dyango Chavez Cutiño, mi novia Lanet Flores y una amiga de esta, yo llevaba una Lubitel con la que se hicieron las fotos de ese viaje.
Me encantaba posar para mi mismo
A partir de aquí transcurrieron dos años en los que no recuerdo una gran actividad fotográfica, incluso en la expedición al Toa viaje sin cámara. Supongo que porque uno de los integrantes era Cristobal Herrera, un apasionado del tema, y confiaba para resolver las fotos que me interesaban. En el cuarto año de la carrera de diseño en elInstituto superior de Diseño de la Habana (ISDI), como parte del temario de clases, se incluía un semestre de fotografía con practicas de procesado incluidas. Esto digamos que fue el detonador, que hizo incluso que comenzara a profundizar la teoría, con algunos manuales de la biblioteca del ISDI Eran bastante actualizados pero he olvidado el famoso apellido de quien los escribía “Lanford” o algo así, de esto hace mas de 10 años. Este renacer lo hice con una Zenit propiedad de mi novia Lanet Flores. Dormía en un cajón y no recuerdo a quien había pertenecido. El empujón lo dio Cristobal Herrera, quien verdaderamente era insistente en eso de trasmitir su pasión a otros y en mi encontró las puertas abiertas.
La típica Zenit
A partir de aquí cambian las cosas radicalmente, en la expedición al Escambray (1994 ) no estaba mi novia, pero si su cámara Zenit la cual me había quedado en calidad de préstamo. También estaba Gonzalo González uno del los maestros de Cristobal, el cual se empeño enseñándonos, a Joao Lueiro y a mi parte de lo que sabia. Gonzalito era un defensor de Canon, para conocer más de este amigo puedes seguir este enlace. Mis fotos de aquel viaje no fueron muchas, pero estaba experimentando una búsqueda, decía que me interesaba la fotografía abstracta pero en realidad no tenia nada claro. Aunque recuerdo que en un recorrido por La Isla de Pinos también con Cristobal (fanático de Nikon) y Joao, ya las fotos no eran las típicas fotos de viaje y muchos menos abstractas, hacia foto documental, fotos de calle como le llamábamos.
Con la Praktica cerca de Maisí donde fuimos apresados Raul Cañibano y yo
Desde ese verano hasta el siguiente la cosa cambio. Invertí parte de mis ahorros: 500 pesos cubanos, en una cámara alemana Praktica, mucho mejor valorada que las cámaras rusas. Fue una recomendación de mi amigo Raul Cañibano, el ademas me dejo un 24mm de rosca de la marca Pentax y desde ese momento no a existido mejor lente para mi, por aquel entonces decía que no necesitaba mas, y mi opinión actual no es muy diferente. Junto a este amigo y con este equipo al acabar los estudios de diseño emprendí la expedición a Maisí en el Oriente de Cuba. Llevaba mas de 15 rollos, y todos se salvaron de ser confiscados por la policía el día que nos apresaron y nos acusaron de hacer fotos a niños descalzos y a enfermos. Esa aventura termino con nuestra detención por tres días en una cárcel de Guantanamo. Pero como dije tuve la suerte de darle casi todos los rollos a una “amiga” que habría hecho cualquier cosa por mi. De aquí salieron mis primeras fotos por el campo, algún día relatare esta historia.
La Praktica de fabricación alemana. Yo la usaba con un 24mm Pentax de rosca.
Poco a poco, ya casi no me interesaba nada mas que hacer fotos: La Habana, las provincias las zonas mas intrincadas de Oriente. Faltaron pocos lugares donde ir, incluso la espeleología tubo que dar paso a mi nueva afición. Mariló una fotógrafa quien por aquel entonces solo era mi novia, fue testigo, en una ocasión en la que recorríamos la provincia de Pinar, del final de la Praktica: se le rompió el obturador, era una muerte anunciada. Fue ella misma la que me dio los 100 USD que costo su reemplazo, supongo que se conmovió al ver mi gran tristeza, “Que me haré ahora” tuve que haber dicho. Mariló era española, pero era simplemente alguien que había terminado la carrera, así que tuve que compensarla por aquel gesto. Y como podía escoger compre una Pentax K1000 una verdadera joya a la cual le venia de maravilla el 24 mm de rosca que ya usaba con la Practica ( cedido por mi amigo Raul Cañibano ) Aquel equipo me encantaba, un buen equipo simplemente te da mucha confianza, yo iba sobrao.
La genial Pentax K1000
Después ya aquello fue imparable, me gastaba mis ahorros en película, en momentos en los que la cosa estaba bien difícil. Mi salario como profesor de diseño, en la escuela donde me gradúe no sobrepasaba los 200 pesos cubanos (25 USD) pero yo era mas que feliz. Me inicie en el laboratorio con una ampliadora prestada. Luego compre una bastante buena y todo el resto del equipo, supongo que con la ayuda de mi novia fotógrafa de origen español. Aunque muchos otros fotógrafos extranjeros a los que fui conociendo también me ayudaron, yo les hacia de guía y a cambio obtenía material. Pero ademas de eso imaginen lo que es recorrer Cuba al lado de Cristina Garcia Rodero o David Alan Harvey, se aprende mucho eh. Muy pronto tuve un segundo cuerpo una Pentax P30n, con varias ópticas. Por ese tiempo ya controlaba o estaba involucrado activamente en el mercado negro de cámaras de Galeano y san Rafael. Recuerdo que en esa transacción yo le vendí a una turista mexicana el tele, en lo mismo que pagué por la cámara un 50, un 26 y el propio tele, con lo cual el coste para mi fue cero.
La Pentax NP30.
Salía de mis clase en el ISDI y pasaba por ese “mercadillo ilegal” camino hacia la Habana Vieja o cualquier otro destino, siempre cámara en mano y disparando. Compraba y vendía, sacaba dinero para materiales y me quedaba con lo que me interesaba. Un día estando en aquel lugar, donde acudía mucha gente con cámaras al cuello, lo cual no quería decir que fueran fotógrafos, sino vendedores, un señor con mucho misterioso me llama aparte y me pide que hablemos alejados de allí. Vamos a un parque cercano y dice que me ha escuchado cuando yo preguntaba por una Nikon, todo esto mientras saca de un bolso una impoluta FM2 y termina: quiero que esto sea para ti. A pesar de todo mi cambalache, estaba allí era precisamente por aquello. Me hizo la historia: era de un médico que la compro en Israel. Se la dejo, no recuerdo porque motivo y el intento con las bodas pero no era lo suyo. En ese momento su padre esta muy grave y necesitaba el dinero. “No quiero que caiga en manos de un revendedor” por eso no la había enseñado hasta entonces, me dijo.
La FM2. Esta aun la conservo, esta foto es la de mi propia cámara (la única)
Dicen que ya hay cosas que nos están predestinas, yo cro que si, tocaba encontrarnos y el precio en verdad era lo de menos. Me pidió 200 USD, mucho dinero en aquel 1996. Fui y busque lo que tenia: 150 USD y complete el resto con mi k1000 valorada en 50 USD. Le dije que con esto resolvería su problema y tendría una buena cámara con la que podía seguir intentándolo si lo deseaba. Yo no quería pedir rebajas, el equipo lo valía y yo le creía. El también sabia que yo empeñaba todos mis ahorros por eso acepto el trato.
Con mi novia española de aquellos años (la de la izquierda) la del centro es una famosa folclórica
En el trato incluía un 50mm y un zoom de muy buen cristal que rápidamente vendí a una extranjero para comprarme un 24mm Nikkor que ya tenia localizado. Una tarde caminando por “Los sitios” un barrio bastante complicado (llevando bolsas en las manos ademas)fuimos asaltados, mi novia y yo por tres personas que supongo que pensaron que ambos éramos extranjeros. Cuando logre soltarme de uno que se me acerco por detrás inicie una una trepidante para tratar de alcanzar al que me arrebato el maletín pero se me escabullo entre unas callejuelas. Junto a mi FM2 también se llevaron la F800 de mi novia y varias ópticas. Aunque debo decir que gracias a mis contactos con los revendedores y la información de varios amigos, en menos de 15 días había recuperado todo incluyendo el bolso, pero es una larga historia. De aquel episodio aun conservo un trauma, necesito llevar siempre junto a mi una navaja, pero lo estoy superando. Este lente y la FM2, la mejor cámara mecánica jamás fabricada, aun los conservo, con este equipo fui a la segunda expedición a Caridad de los Indios en Yateras,  Guantanamo, en compañía del amigo Eddy Garaicoa.
En Yateras con los indios. En mi primer viaje, con Eddy Garaicoa
Poco después toco deshacerme de la Pentax P30, se la deje a una amiga por algo así como 120 USD y me toco esperar hasta que llego la F3 por la que pague mas o menos 200 USD. Esta no fue una buena compra, o estaba tocada, o en una noche húmeda, tirando con mis amigos en “el rincón de San Lazaro” el cerebro informático de este equipo comenzó a tener problemas y en Cuba no había solución para eso. Como equipo era una belleza y formaba una excelente pareja con la FM2. Nunca hablo de lentes, y la verdad es que para mi con un 24 mm era suficiente, también tenia un 26 mm y un 50 mm. Cualquier cosa superior a esto tenia un carácter transitorio, simplemente no los usaba.
La malograda Nikon F3
Un día de me comentaron sobre una D70 por 150 USD sabia que era robada y que ademas no era el fruto de un hurto a un turista, sino que venia de uno de los estudios del gobierno, pero me arriesgue. Lo hice como una inversión simplemente, y aunque tenia un horrible panel superior con colorines, con ella conocí las “ventajas” del autofocus, y de los modernos modos programados. Al separarme de mi esposa, ya en Barcelona se la deje, entre otras cosas porque me parecía demasiado voluminosa para el tipo de fotografía que me gustaba hacer.
La F70
A fines del 1999 ya estaba decidida mi partida para España y decidí embarcar previamente la FM2 por miedo a que me vieran salir con tantas cámaras sin papeles y esa era la joya de la corona. Fue una mala decisión, ya que en mi ultima expedición a Caridad de los Indios en Guantánamo, un fallo repentino de la F70 me hizo depender únicamente de la F3 la cual tenia serios problemas de medición. Fue desesperante, aun me recuerdo llorando en el monte preguntándome por qué. Después de darle mucha cabeza y tres intentos frustrados, lograba burlar disfrazado de campesino, el cerco de vigilancia que me separaba de la única población aborigen que aun quedaba en Cuba. Pude permanecer 3 días en la zona huyendo de un lado a otro y durmiendo en la maleza, pero fui el primer fotógrafo no oficial que logro hacerlo. Sobre todo por eso, resulto tan frustrante la rotura de ambos equipos, y no haber tenido junto a mi mi FM2. Al llegar a España arregle la F3 y estuvo en mis viajes por Italia y Marruecos pero a pesar de un arreglo de casi 40 000 pesetas no me inspiraba confianza esa cámara. Tampoco me agradaba tanto automatismo, siempre preferí medir a ojo, ya estaba habituado. Con la FM2 si fallaban las pilas todo seguía funcionando como si nada, con esta no. Aunque recuerdo que me gustaba quitar el pentaprisma y disparar como lo hacia antaño con mi Lubitel desde arriba.
En Fes, Marruecos con la F3
En el año 2000 o el 2001 me adentre en lo digital y lo hice pasándome a Canon (nadie me podrá acusar de malquista) Esta era un modelo bastante potente para la época y caro ademas, recuerdo que costo 210 000 pesetas. La compre en ARPI y parte de lo que me costo fue lo que me dieron a cambio de la Nikon F3 y un lente, en ese entonces aun daban algo por esas cámaras. Recuerdo con ajustes manuales, aunque no se libra del característico retardo al dispersar. Eran momentos en que donde llegabas con una digital mucha gente te miraba, y donde las que comúnmente llevaba la gente a penas llegaba a un mecha pixel, esta tenia 4 la verdad me iba genial para temas de diseño y web aquella inmediatez era sorprendente, asumí la llegada de lo digital con mucho entusiasmo supongo que fui uno de los primeros defensores de la nueva moda y eso que no me llego para una Nikon D100.
En el 2006 ya viviendo en Tarragona compre una Nikon D70 con un 18-70 mm lo hice porque una amiga me propuso trabajar para ella como fotógrafo de bodas y en ese momento no contaba con un equipo adecuado. La D70 era la primera cámara réflex digital pensada para aficionado avanzado y cuando salió no tenia competencia en su segmento.
A pesar de su diminuta pantalla fueron muchas las bodas que hice hasta que comenzó a darme un errar de conexión con la tarjeta mensaje aun la tengo ahora la usa mi novia.
El problema sale ocasionalmente, pero en una boda esto es impensable por eso la reemplace por la D200 el autentico relevo de la D100 una cámara excelente con mejor enfoque, mejor pantalla, y 10 Mp.
Aun la tengo, la he amortizado con creces, no me puedo quejar. Hoy en día es mi cámara principal, aunque hace algún tiempo que esta pidiendo por muchas razones que ya he explicado su relevo.
No hace ni un año me permití el lujo de una Fuji X100. Buscaba algo pequeño que ademas ofreciera una excelente calidad y permitiera trabajar a ISÓ altos. Pero sobre todo que me regresara las ganas de salir a la calle con una cámara y hacer fotos como hace 10 años y estoy en ello, aunque la competencia del iPhone 4s es muy fuerte. Esta lo cumple y ademas es una preciosidad, y estoy muy contento con ella pero su enfoque como ya he comentado es su punto débil. Quizás si lo hubiera sabido me hubiera decantado por otros modelos de Sony o Olympus. Si deseas conocer mi opinión sobre la Fuji X100 puedes remitirte a algunas entradas que le he dedicado.
Hay varias entradas donde hablo sobre otros elementos que conforman mi actual equipo fotográfico. El equipamiento que llevo a una bodami flash de anillo Orbis, mis disparadores de radiofrecuencia, mis flash de estudio, mi bolso para cámaras y muchas otras cosas mas. Si buscas encontraras.
Sobre mi próxima DSLR mucho he estado hablando últimamente por aquí. Aun no se si será una D800, una Canon 5D3 o como digo en mi ultima entrada sobre este asunto: la futura Nikon D400 ya veremos, seguro que los mantendré informados. Ah y esto ultimo es mi estudio.




Muy pronto hablare sobre mi nueva cámara:
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